[radiolivre] Re: [radiolivre] sobre índice de audiência RES: RES: Re: RES: Re: ENECOM
- From: Julio Matos <julioxmatos@xxxxxxxxxxxx>
- To: radiolivre@xxxxxxxxxxxxx
- Date: Tue, 27 Jun 2006 15:59:02 -0300
Concordo totalmente. O Brasil de Fato é uma faceta deste tipo de
estratégia...
A conversa foi pro lado do ibope, não era a minha intenção... Espero
que tenham entendido que fiz uma crítica em relação a nossa dedicação á
criação de rádios sem nenhuma proposta tanto na forma de gestão quanto
de produção de conteúdo.
Talvez essa tenha sido uma estratégia, porque transmissor, mixer, etc
ninguém discute a necessidade de se ter em uma rádio. Já a forma de
gestão, organização da grade, modelo operacional, dá pano para manga...
Mas isso não significa que esta questão não seja importante. Pelo
contrário, pra mim é o cerne de uma questão que por pragmatismo,
deixamos de lado. Os equipamentos, cá entre nós, é a coisa mais fácil,
se considerar o trabalho enorme que é manter uma rádio no ar!
E de forma alguma acho que as rádios livre devam ser eventos
esporádicos. Moro em Barão Geraldo desde que nasci e sou
ouvinte/falante da Muda deste os 15 anos de idade.... Ela é uma rádio
que dá um sentido de espaço público para o dial muito forte. Mesmo com
todas as críticas e dificuldades que temos, as múltiplas vozes,
opiniões, sons, idéias, línguas e tudo que é emitido ao longo do dia,
nestes 15 anos, não me deixam a menor sombra de dúvida de que é
possível ocupar definitivamente o dial, com momentos de mediocridade e
de genialidade também. Porque não?
Abraços,
Julio.
Em 27/06/2006, às 14:57, guile@xxxxxxxxxx escreveu:
Hummm, agora chegamos num ponto crucial do ponto de
vista da estratégia de transformação social: fazer
como o velho bolchevismo autoritário, tomar o poder e
impor a utopia de um grupo? Ou dar imediatamente o
poder ao Povo, como Marx argumentava a partir de sua
análise da comuna de Paris?
Índice de audiência não é só mercantilização, pode ser
também concentração de poder! Quando desprezamos o
índice de audiência isso tem a ver também com a idéia
zapatista de "mudar o mundo sem tomar o poder". Mil
rádios com baixa audiência nas mãos do povo e não uma
dita "popular" nas mãos de alguns iluminados. Isso não
quer dizer necessariamente baixo alcance (hj uma rádio
livre pode ser transmitida para o mundo inteiro,
retransmitida, etc).
Recomedo a leitura de "Sobre a Televisão" de Bourdieu,
onde ele discorre sobre como o autoritarismo, a
mercantilização, e a pobreza de conteúdo da grande
mídia está intimamente ligada à busca de altos índices
de audiência, entre outras coisas.
abraços
guile
Claro que não importa o IBOPE, metrificando o ouvinte
e tornando-o uma
simples mercadoria a venda (audiência).
Mas, não concordo que não faz diferença "se são duas
ou duas mil pessoas
na ponta ". Para um projeto que pretente interferir e
transformar a
realidade, se são duas ou duas mil pessoas faz uma
diferença enorme.
Se é diletante ou se apenas funciona como oficina, aí
realmente não faz
diferença.
---
Lista de discussão do projeto http://www.radiolivre.org
Para ajuda sobre a lista, consulte http://www.radiolivre.org/node/483
---
Lista de discussão do projeto http://www.radiolivre.org
Para ajuda sobre a lista, consulte http://www.radiolivre.org/node/483
- Follow-Ups:
- References:
- [radiolivre] RES: Re: RES: Re: ENECOM
- From: Paulo de Carvalho
- [radiolivre] RES: RES: Re: RES: Re: ENECOM
- From: Gustavo Gindre
- [radiolivre] sobre índice de audiência RES: RES: Re: RES: Re: ENECOM
- From: guile
Other related posts:
- » [radiolivre] Re: [radiolivre] sobre índice de audiência RES: RES: Re: RES: Re: ENECOM
- » [radiolivre] Re: [radiolivre] sobre índice de audiência RES: RES: Re: RES: Re: ENECOM
Abraços,
Hummm, agora chegamos num ponto crucial do ponto de vista da estratégia de transformação social: fazer como o velho bolchevismo autoritário, tomar o poder e impor a utopia de um grupo? Ou dar imediatamente o poder ao Povo, como Marx argumentava a partir de sua análise da comuna de Paris?
Índice de audiência não é só mercantilização, pode ser também concentração de poder! Quando desprezamos o índice de audiência isso tem a ver também com a idéia zapatista de "mudar o mundo sem tomar o poder". Mil rádios com baixa audiência nas mãos do povo e não uma dita "popular" nas mãos de alguns iluminados. Isso não quer dizer necessariamente baixo alcance (hj uma rádio livre pode ser transmitida para o mundo inteiro, retransmitida, etc).
Recomedo a leitura de "Sobre a Televisão" de Bourdieu, onde ele discorre sobre como o autoritarismo, a mercantilização, e a pobreza de conteúdo da grande mídia está intimamente ligada à busca de altos índices de audiência, entre outras coisas.
abraços guile
Claro que não importa o IBOPE, metrificando o ouvinte e tornando-o uma simples mercadoria a venda (audiência).
Mas, não concordo que não faz diferença "se são duas ou duas mil pessoas na ponta ". Para um projeto que pretente interferir e transformar a realidade, se são duas ou duas mil pessoas faz uma diferença enorme.
Se é diletante ou se apenas funciona como oficina, aí realmente não faz diferença.
--- Lista de discussão do projeto http://www.radiolivre.org Para ajuda sobre a lista, consulte http://www.radiolivre.org/node/483
--- Lista de discussão do projeto http://www.radiolivre.org Para ajuda sobre a lista, consulte http://www.radiolivre.org/node/483
- [radiolivre] RES: Re: RES: Re: ENECOM
- From: Paulo de Carvalho
- [radiolivre] RES: RES: Re: RES: Re: ENECOM
- From: Gustavo Gindre
- [radiolivre] sobre índice de audiência RES: RES: Re: RES: Re: ENECOM
- From: guile