[radiolivre] Re: [radiolivre] Re: [radiolivre] Fwd: [redesolidaria] Inacreditável e genial!!! A entrevista de Cláudio Lembo é um libelo revolucionário!
- From: "antonio Cezar locutor" <antoniocezarlocutor@xxxxxxxxxxxx>
- To: <radiolivre@xxxxxxxxxxxxx>
- Date: Sat, 20 May 2006 05:21:19 -0300
Engodo é eu ter que pensar já, na possibilidade de escrever alguma coisa, onde,
para nossa proteção, todos nós teremos de estar presos, ficando totalmente
livres os que cometem as mais variadas atrocidades!
Pois é exatamente isso o que tempos atrás, ameaçaram fazer, quando queriam
acabar com os celulares pré-pagos, por eles serem facilmente usaddos na
execução de crimes, e que, a justiça e a atual adiministração pública
resolveram implantar sem pestanejar, quando decidiram que, ao invés de se
impedir que os bandidos recebam celulares, o mais fácil é bloquear o sinal
próximo das cadeias, sem se preocupar com quantas pessoas de bem serão
atingidas por essa medida irracional!
Antonio Cezar Locutor.
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-----Mensagem Original-----
De: Humberto Brito
Para: radiolivre@xxxxxxxxxxxxx
Enviada em: sexta-feira, 19 de maio de 2006 11:01
Assunto: [radiolivre] Re: [radiolivre] Fwd: [redesolidaria] Inacreditável e
genial!!! A entrevista de Cláudio Lembo é um libelo revolucionário!
Acho que a burguesia está mais antenada com a questão social do que a tal
esquerda do planalto. NÃO QUE SEJA MELHOR, MAS É IMPRESSIONANTE COMO UM PROJETO
DE MUDANÇA SOCIAL TRANSFORMOU-SE NUM ENGODO.
José Paulo Neto <josepauloneto@xxxxxxxxx> escreveu:
Tem gente do PFL mudando pro pstu!!! Não que se seja melhor, mas é
impressionante!!!
---------- Forwarded message ----------
From: Idalvo < itoscano2@xxxxxxxxxx>
Date: 18/05/2006 10:49
Subject: [redesolidaria] Inacreditável e genial!!! A entrevista de Cláudio
Lembo é um libelo revolucionário!
To: "Fb-Es@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <fb-es@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>,
"Rbses@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <rbses@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>,
"Redesolidaria@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <redesolidaria@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Cláudio Lembo (PFL), governador de São Paulo, diz:
É um país que só conheceu derrotas (o Brasil). Derrotas sociais...Nós temos
uma burguesia
muito má, uma minoria branca muito perversa.
Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para
este país.
(Folha) Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?
Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa
grande tinha tudo
e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os
escravos foram
libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como
aconteceu nos
EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O
cinismo nacional
mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade,
doa a quem
doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir
este país.
A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria
social
brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais
solidariedade, mais
diálogo e reciprocidade de situações.
[A SEGUIR, REPRODUZO, PARA A LEITURA DOS EVENTUAIS INTERESSADOS, A ÍNTEGRA DA
ENTREVISTA]
GUERRA URBANA /ENTREVISTA
Em entrevista à Folha, governador relaciona quadro social a ataques e afirma
que
mentalidade da minoria branca do Brasil tem de mudar
Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, afirma que o problema de violência
no Estado só
será resolvido quando a "minoria branca" mudar sua mentalidade. "Nós temos
uma burguesia
muito má, uma minoria branca muito perversa", afirmou. "A bolsa da burguesia
vai ter que
ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de
haver mais
empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de
situações."
Lembo criticou o ex-governador Geraldo Alckmin, que disse que aceitaria ajuda
federal
contra as ações do PCC se ainda estivesse no cargo, e o ex-presidente FHC,
que atacou
negociação entre o Estado e a facção criminosa para o fim dos ataques. Leia
abaixo os
principais trechos da entrevista.
Folha - Os jornais estão noticiando hoje [ontem] que houve uma matança em São
Paulo na
madrugada de terça. A polícia está sob controle ou está partindo para uma
vingança?
Cláudio Lembo - A polícia está totalmente sob controle. Eu conversei muito
longamente com
o coronel Elizeu Eclair [comandante-geral da PM] e estou convicto de que ela
está agindo
dentro dos limites e com muita sobriedade. Todas as noites há confrontos nas
ruas da
cidade e esses conflitos foram exasperados nesses dias. Mas vingança, não. A
polícia agiu
para evitar o pior para a sociedade.
Folha - Foram 93 mortes. Elas estão dentro dos limites? O senhor tem
segurança que todos
que morreram estavam em confronto?
Lembo -E o conflito que houve da cidade com a bandidagem? Foi violento. É
possível que
tenha havido tragédias, mas pelo que estou informado não houve nada que fosse
além dos
confrontos diretos.
Folha - Só no IML (Instituto Médico Legal) estão 40 mortos e não se sabe nem
o nome dessas
pessoas.
Lembo -Os nomes vão ser revelados. Estamos resolvendo questões burocráticas,
de
identificação, mas vão ser revelados.
Folha - Jornalistas da Folha entraram no IML e viram fotos de pessoas mortas
com tiros na
cabeça. Que garantia a sociedade tem de que não morreram inocentes e de que o
Estado, por
meio da polícia, não está executando essas pessoas?
Lembo -Não está, de maneira alguma. E digo a você: fui muito aconselhado a
falar tolices
como "aplique-se a lei do Talião". Fui totalmente contrário. Faremos tudo
dentro da
legalidade e do Estado de Direito.
Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?
Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo
isso foi um
grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito
maior do que se
imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos
que começar a
refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um
componente
criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A
droga é um
produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver
consumidor de
drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA,
na Espanha.
O crime se alimenta do consumidor de drogas.
Folha - E da miséria...
Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado
destruiu
valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A
questão social é
muito grave.
Folha - O senhor é um homem público há tantos anos, está num partido, o PFL,
que está no
poder desde que, dizem, Cabral chegou ao Brasil.
Lembo -Essa piada é minha.
Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em
ambientes
violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de
emprego? Como
afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?
Lembo -Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração
familiar que existe
no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem
que sou da
Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado
e perdeu
seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na
camisa da seleção,
que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas
sociais...Nós temos
uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.
Folha - Que ficou assustada nos últimos dias.
Lembo -E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais
dramático do que
as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e
celebridades] desta
quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto.
Vai fazer
protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com
outras figuras da
política brasileira fazer o bom jantar.
Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy
no
restaurante Fasano].
Lembo -Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez
para este
país.
Folha - O senhor acha que essas pessoas são responsáveis e não percebem?
Lembo -O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a inquisição de 1500 até
1821. Então
você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa.
Isso é o que
está na sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público
externo. É um
país que é dúbio.
Folha - Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?
Lembo -Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A
casa grande
tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando
os escravos
foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos,
como aconteceu
nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O
cinismo
nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a
verdade, doa a
quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai
construir este
país.
Folha - Mas qual é, objetivamente, a responsabilidade delas nos fatos que
ocorreram na
cidade?
Lembo -O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo
dizendo
coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos
publicamente. E
depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços
públicos. Querem
estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo.
Isso não vai
ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A
bolsa da
burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social
brasileira no
sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais
diálogo e
reciprocidade de situações.
Folha - O senhor diria que elas pensam que aquele rapaz de 15 a 24 anos, que
vive perto da
selvageria...
Lembo - ...pode ser o Bom Selvagem do Rosseau? Não pode.
Folha - O endurecimento na legislação pode resolver o problema?
Lembo -Transitoriamente pode resolver. Mas se nós não mudarmos a mentalidade
brasileira, o
cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum.
Folha - O senhor diz que muita gente falou besteira sobre os episódios. Dos
EUA, o
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a possibilidade de o governo
ter feito
acordo com os criminosos para cessar a violência.
Lembo -Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ter ficado
silencioso. Ele
deveria me conhecer e conhecer o governo de SP. Eu não posso admitir nem a
hipótese de se
pensar isso. Para opinar sobre um tema tão amargo, tão grave, ele teria que
refletir,
pensar. E se informar. Quanto ao presidente [FHC], pode ser que eventualmente
ele tenha
precedente sobre acordos. Eu não tenho.
Folha - Vimos o senhor dando muitas entrevistas na TV. Mas SP teve um outro
governador
[Alckmin], tem um candidato ao governo e ex-prefeito [Serra]. O senhor ficou
sozinho?
Lembo -No poder, um homem é absolutamente solitário. Houve momentos em que
praticamente
fiquei sozinho. Mas devo agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil
também, que
estiveram firmes ao meu lado.
Folha - O ex-governador Alckmin telefonou para o senhor em solidariedade?
Lembo -Dois telefonemas.
Folha - O senhor achou pouco?
Lembo -Eu acho normal. Os pulsos [telefônicos] são tão caros...
Folha - E o candidato José Serra?
Lembo -Não telefonou. Eu recebi telefonema da governadora Rosinha [do Rio de
Janeiro] e de
Aécio Neves [governador de MG], que estava em Washington, ele foi muito
elegante. Um
ofício do governador Mendonça, de Pernambuco. Recebi muitos apoios, do Poder
Judiciário, e
a Assembléia Legislativa, deputados de todas as bancadas, nenhum partido
faltou.
Folha - As autoridades paulistanas garantiram, nos últimos anos, que o PCC
estava
desmantelado, que era um dentinho aqui ou ali. Elas enganaram os paulistanos?
Lembo -Não saberia responder. Eu não engano. Eu acho que nós ganhamos uma
situação, mas é
um grande risco. Temos que ficar muito atentos.
Folha - Essas autoridades garantiram que o PCC tinha acabado. Ou elas
enganaram...
Lembo -Ou o dentinho era maior do que elas diziam.
Folha - Ou foram incompetentes. O senhor vê terceira alternativa?
Lembo -Pode ser que tenham sido exageradas no momento de transferir
segurança. Quiseram
ser tranqüilizadoras.
Folha - Então elas iludiram as pessoas?
Lembo -É possível.
Folha - O senhor pode dizer que o PCC pode acabar até o fim de seu governo?
Lembo -Só se eu fosse um louco. E ainda não estou com sinal de demência. Acho
que o crime
organizado é perigosíssimo. Ele se recompõe porque ele tem possibilidades
enormes na
sociedade.
Folha - O ex-presidente Fernando Henrique não telefonou?
Lembo -Não, não. Ele estava em Nova York. O presidente Lula telefonou, foi
muito elegante
comigo. Conversei muito com o presidente, ele me deu muito apoio. E o Márcio
[Thomaz
Bastos] veio, conversamos firmemente, com lealdade. E ele chegou à conclusão
que não era
necessário nem Exército nem a guarda nacional. Tivemos uma conversa
responsável, e o
equilíbrio voltou. Mostrei que a Polícia Civil e a Polícia Militar tinham
condições de
fazer retornar a SP a ordem e a disciplina social.
Folha - O Datafolha mostrou que 73% acham que o senhor deveria ter aceitado
ajuda federal.
O governador Alckmin disse que não rejeitaria a ajuda.
Lembo -Ele decidiria, se fosse governador, como achava melhor. Eu decidi da
forma que
achei melhor. Quanto às outras pessoas, faltou clareza de informação da minha
parte. E aí
me penitencio. Não é que não aceitei ajuda do governo. Ao contrário. Desde
sempre houve
vínculo forte entre o sistema de informação da polícia federal e a polícia de
SP. A
superintendência da PF em SP foi extremamente leal, solícita e dinâmica. Eu
tinha uma
Polícia Militar muito aparelhada. Eu não poderia tirar esse respeito e esse
moral que a
tropa tinha que ter naquele momento tão difícil aceitando tanques de guerra
do Exército. E
aí uma sociedade que gosta de paternalismo, como a brasileira, queria
Exército, tropas
americanas, tropas alemãs, tropas de todo o mundo aqui. Não é assim. Temos
que ser fortes,
saber decidir em momentos difíceis e dar valor ao que é nosso. Foi o que fiz.
Em 48 horas
liquidou-se o problema. O Exército é para matar o adversário. Eu queria
recolher os
adversários possíveis. Nós estávamos num conflito social.
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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