[radiolivre] Re: [radiolivre] Fwd: [redesolidaria] Inacreditável e genial!!! A entrevista de Cláudio Lembo é um libelo revolucionário!
- From: Humberto Brito <humberto_cefet@xxxxxxxxxxxx>
- To: radiolivre@xxxxxxxxxxxxx
- Date: Fri, 19 May 2006 14:01:49 +0000 (GMT)
Acho que a burguesia está mais antenada com a questão social do que a tal
esquerda do planalto. NÃO QUE SEJA MELHOR, MAS É IMPRESSIONANTE COMO UM PROJETO
DE MUDANÇA SOCIAL TRANSFORMOU-SE NUM ENGODO.
José Paulo Neto <josepauloneto@xxxxxxxxx> escreveu: Tem gente do PFL mudando
pro pstu!!! Não que se seja melhor, mas é impressionante!!!
---------- Forwarded message ----------
From: Idalvo < itoscano2@xxxxxxxxxx>
Date: 18/05/2006 10:49
Subject: [redesolidaria] Inacreditável e genial!!! A entrevista de Cláudio
Lembo é um libelo revolucionário!
To: "Fb-Es@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <fb-es@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>,
"Rbses@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <rbses@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>,
"Redesolidaria@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <redesolidaria@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Cláudio Lembo (PFL), governador de São Paulo, diz:
É um país que só conheceu derrotas (o Brasil). Derrotas sociais...Nós temos uma
burguesia
muito má, uma minoria branca muito perversa.
Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este
país.
(Folha) Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?
Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa grande
tinha tudo
e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos
foram
libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como
aconteceu nos
EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O
cinismo nacional
mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa
a quem
doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir
este país.
A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria
social
brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais
solidariedade, mais
diálogo e reciprocidade de situações.
[A SEGUIR, REPRODUZO, PARA A LEITURA DOS EVENTUAIS INTERESSADOS, A ÍNTEGRA DA
ENTREVISTA]
GUERRA URBANA /ENTREVISTA
Em entrevista à Folha, governador relaciona quadro social a ataques e afirma que
mentalidade da minoria branca do Brasil tem de mudar
Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, afirma que o problema de violência no
Estado só
será resolvido quando a "minoria branca" mudar sua mentalidade. "Nós temos uma
burguesia
muito má, uma minoria branca muito perversa", afirmou. "A bolsa da burguesia
vai ter que
ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver
mais
empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de
situações."
Lembo criticou o ex-governador Geraldo Alckmin, que disse que aceitaria ajuda
federal
contra as ações do PCC se ainda estivesse no cargo, e o ex-presidente FHC, que
atacou
negociação entre o Estado e a facção criminosa para o fim dos ataques. Leia
abaixo os
principais trechos da entrevista.
Folha - Os jornais estão noticiando hoje [ontem] que houve uma matança em São
Paulo na
madrugada de terça. A polícia está sob controle ou está partindo para uma
vingança?
Cláudio Lembo - A polícia está totalmente sob controle. Eu conversei muito
longamente com
o coronel Elizeu Eclair [comandante-geral da PM] e estou convicto de que ela
está agindo
dentro dos limites e com muita sobriedade. Todas as noites há confrontos nas
ruas da
cidade e esses conflitos foram exasperados nesses dias. Mas vingança, não. A
polícia agiu
para evitar o pior para a sociedade.
Folha - Foram 93 mortes. Elas estão dentro dos limites? O senhor tem segurança
que todos
que morreram estavam em confronto?
Lembo -E o conflito que houve da cidade com a bandidagem? Foi violento. É
possível que
tenha havido tragédias, mas pelo que estou informado não houve nada que fosse
além dos
confrontos diretos.
Folha - Só no IML (Instituto Médico Legal) estão 40 mortos e não se sabe nem o
nome dessas
pessoas.
Lembo -Os nomes vão ser revelados. Estamos resolvendo questões burocráticas, de
identificação, mas vão ser revelados.
Folha - Jornalistas da Folha entraram no IML e viram fotos de pessoas mortas
com tiros na
cabeça. Que garantia a sociedade tem de que não morreram inocentes e de que o
Estado, por
meio da polícia, não está executando essas pessoas?
Lembo -Não está, de maneira alguma. E digo a você: fui muito aconselhado a
falar tolices
como "aplique-se a lei do Talião". Fui totalmente contrário. Faremos tudo
dentro da
legalidade e do Estado de Direito.
Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?
Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo
isso foi um
grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito
maior do que se
imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos que
começar a
refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um
componente
criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A droga
é um
produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver
consumidor de
drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA,
na Espanha.
O crime se alimenta do consumidor de drogas.
Folha - E da miséria...
Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado
destruiu
valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A questão
social é
muito grave.
Folha - O senhor é um homem público há tantos anos, está num partido, o PFL,
que está no
poder desde que, dizem, Cabral chegou ao Brasil.
Lembo -Essa piada é minha.
Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em
ambientes
violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego?
Como
afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?
Lembo -Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar
que existe
no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem
que sou da
Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e
perdeu
seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa
da seleção,
que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas
sociais...Nós temos
uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.
Folha - Que ficou assustada nos últimos dias.
Lembo -E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais
dramático do que
as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades]
desta
quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto.
Vai fazer
protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras
figuras da
política brasileira fazer o bom jantar.
Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no
restaurante Fasano].
Lembo -Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez
para este
país.
Folha - O senhor acha que essas pessoas são responsáveis e não percebem?
Lembo -O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a inquisição de 1500 até
1821. Então
você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa.
Isso é o que
está na sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público
externo. É um
país que é dúbio.
Folha - Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?
Lembo -Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa
grande
tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando
os escravos
foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos,
como aconteceu
nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O
cinismo
nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a
verdade, doa a
quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai
construir este
país.
Folha - Mas qual é, objetivamente, a responsabilidade delas nos fatos que
ocorreram na
cidade?
Lembo -O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo
dizendo
coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos
publicamente. E
depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços
públicos. Querem
estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo.
Isso não vai
ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A
bolsa da
burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social
brasileira no
sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo
e
reciprocidade de situações.
Folha - O senhor diria que elas pensam que aquele rapaz de 15 a 24 anos, que
vive perto da
selvageria...
Lembo - ...pode ser o Bom Selvagem do Rosseau? Não pode.
Folha - O endurecimento na legislação pode resolver o problema?
Lembo -Transitoriamente pode resolver. Mas se nós não mudarmos a mentalidade
brasileira, o
cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum.
Folha - O senhor diz que muita gente falou besteira sobre os episódios. Dos
EUA, o
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a possibilidade de o governo
ter feito
acordo com os criminosos para cessar a violência.
Lembo -Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ter ficado
silencioso. Ele
deveria me conhecer e conhecer o governo de SP. Eu não posso admitir nem a
hipótese de se
pensar isso. Para opinar sobre um tema tão amargo, tão grave, ele teria que
refletir,
pensar. E se informar. Quanto ao presidente [FHC], pode ser que eventualmente
ele tenha
precedente sobre acordos. Eu não tenho.
Folha - Vimos o senhor dando muitas entrevistas na TV. Mas SP teve um outro
governador
[Alckmin], tem um candidato ao governo e ex-prefeito [Serra]. O senhor ficou
sozinho?
Lembo -No poder, um homem é absolutamente solitário. Houve momentos em que
praticamente
fiquei sozinho. Mas devo agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil também,
que
estiveram firmes ao meu lado.
Folha - O ex-governador Alckmin telefonou para o senhor em solidariedade?
Lembo -Dois telefonemas.
Folha - O senhor achou pouco?
Lembo -Eu acho normal. Os pulsos [telefônicos] são tão caros...
Folha - E o candidato José Serra?
Lembo -Não telefonou. Eu recebi telefonema da governadora Rosinha [do Rio de
Janeiro] e de
Aécio Neves [governador de MG], que estava em Washington, ele foi muito
elegante. Um
ofício do governador Mendonça, de Pernambuco. Recebi muitos apoios, do Poder
Judiciário, e
a Assembléia Legislativa, deputados de todas as bancadas, nenhum partido
faltou.
Folha - As autoridades paulistanas garantiram, nos últimos anos, que o PCC
estava
desmantelado, que era um dentinho aqui ou ali. Elas enganaram os paulistanos?
Lembo -Não saberia responder. Eu não engano. Eu acho que nós ganhamos uma
situação, mas é
um grande risco. Temos que ficar muito atentos.
Folha - Essas autoridades garantiram que o PCC tinha acabado. Ou elas
enganaram...
Lembo -Ou o dentinho era maior do que elas diziam.
Folha - Ou foram incompetentes. O senhor vê terceira alternativa?
Lembo -Pode ser que tenham sido exageradas no momento de transferir segurança.
Quiseram
ser tranqüilizadoras.
Folha - Então elas iludiram as pessoas?
Lembo -É possível.
Folha - O senhor pode dizer que o PCC pode acabar até o fim de seu governo?
Lembo -Só se eu fosse um louco. E ainda não estou com sinal de demência. Acho
que o crime
organizado é perigosíssimo. Ele se recompõe porque ele tem possibilidades
enormes na
sociedade.
Folha - O ex-presidente Fernando Henrique não telefonou?
Lembo -Não, não. Ele estava em Nova York. O presidente Lula telefonou, foi
muito elegante
comigo. Conversei muito com o presidente, ele me deu muito apoio. E o Márcio
[Thomaz
Bastos] veio, conversamos firmemente, com lealdade. E ele chegou à conclusão
que não era
necessário nem Exército nem a guarda nacional. Tivemos uma conversa
responsável, e o
equilíbrio voltou. Mostrei que a Polícia Civil e a Polícia Militar tinham
condições de
fazer retornar a SP a ordem e a disciplina social.
Folha - O Datafolha mostrou que 73% acham que o senhor deveria ter aceitado
ajuda federal.
O governador Alckmin disse que não rejeitaria a ajuda.
Lembo -Ele decidiria, se fosse governador, como achava melhor. Eu decidi da
forma que
achei melhor. Quanto às outras pessoas, faltou clareza de informação da minha
parte. E aí
me penitencio. Não é que não aceitei ajuda do governo. Ao contrário. Desde
sempre houve
vínculo forte entre o sistema de informação da polícia federal e a polícia de
SP. A
superintendência da PF em SP foi extremamente leal, solícita e dinâmica. Eu
tinha uma
Polícia Militar muito aparelhada. Eu não poderia tirar esse respeito e esse
moral que a
tropa tinha que ter naquele momento tão difícil aceitando tanques de guerra do
Exército. E
aí uma sociedade que gosta de paternalismo, como a brasileira, queria Exército,
tropas
americanas, tropas alemãs, tropas de todo o mundo aqui. Não é assim. Temos que
ser fortes,
saber decidir em momentos difíceis e dar valor ao que é nosso. Foi o que fiz.
Em 48 horas
liquidou-se o problema. O Exército é para matar o adversário. Eu queria
recolher os
adversários possíveis. Nós estávamos num conflito social.
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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