[radiolivre] Re: [radiolivre] Fwd: [redesolidaria] Inacreditável e genial!!! A entrevista de Cláudio Lembo é um libelo revolucionário!

Acho que a burguesia está mais antenada com a questão social do que a tal 
esquerda do planalto. NÃO QUE SEJA MELHOR, MAS É IMPRESSIONANTE COMO UM PROJETO 
DE MUDANÇA SOCIAL TRANSFORMOU-SE NUM ENGODO.

José Paulo Neto <josepauloneto@xxxxxxxxx> escreveu:  Tem gente do PFL mudando 
pro pstu!!! Não que se seja melhor, mas é impressionante!!!

---------- Forwarded message ----------
From: Idalvo < itoscano2@xxxxxxxxxx>
Date: 18/05/2006 10:49
Subject: [redesolidaria] Inacreditável e genial!!! A entrevista de Cláudio 
Lembo é um libelo revolucionário!
To: "Fb-Es@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <fb-es@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>, 
"Rbses@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <rbses@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>, 
"Redesolidaria@xxxxxxxxxxxxxxxxxx" <redesolidaria@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>

Cláudio Lembo (PFL), governador de São Paulo, diz:

É um país que só conheceu derrotas (o Brasil). Derrotas sociais...Nós temos uma 
burguesia 
muito má, uma minoria branca muito perversa.

Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este 
país.

(Folha) Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?
Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa grande 
tinha tudo 
e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos 
foram
libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como 
aconteceu nos
EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O 
cinismo nacional 
mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa 
a quem
doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir 
este país.

A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria 
social 
brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais 
solidariedade, mais
diálogo e reciprocidade de situações.

[A SEGUIR, REPRODUZO, PARA A LEITURA DOS EVENTUAIS INTERESSADOS, A ÍNTEGRA DA 
ENTREVISTA] 

GUERRA URBANA /ENTREVISTA

Em entrevista à Folha, governador relaciona quadro social a ataques e afirma que
mentalidade da minoria branca do Brasil tem de mudar

Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo 
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, afirma que o problema de violência no 
Estado só
será resolvido quando a "minoria branca" mudar sua mentalidade. "Nós temos uma 
burguesia 
muito má, uma minoria branca muito perversa", afirmou. "A bolsa da burguesia 
vai ter que
ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver 
mais
empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de 
situações." 
Lembo criticou o ex-governador Geraldo Alckmin, que disse que aceitaria ajuda 
federal
contra as ações do PCC se ainda estivesse no cargo, e o ex-presidente FHC, que 
atacou
negociação entre o Estado e a facção criminosa para o fim dos ataques. Leia 
abaixo os 
principais trechos da entrevista.

Folha - Os jornais estão noticiando hoje [ontem] que houve uma matança em São 
Paulo na
madrugada de terça. A polícia está sob controle ou está partindo para uma 
vingança?
Cláudio Lembo - A polícia está totalmente sob controle. Eu conversei muito 
longamente com
o coronel Elizeu Eclair [comandante-geral da PM] e estou convicto de que ela 
está agindo
dentro dos limites e com muita sobriedade. Todas as noites há confrontos nas 
ruas da 
cidade e esses conflitos foram exasperados nesses dias. Mas vingança, não. A 
polícia agiu
para evitar o pior para a sociedade.
Folha - Foram 93 mortes. Elas estão dentro dos limites? O senhor tem segurança 
que todos 
que morreram estavam em confronto?
Lembo -E o conflito que houve da cidade com a bandidagem? Foi violento. É 
possível que
tenha havido tragédias, mas pelo que estou informado não houve nada que fosse 
além dos
confrontos diretos.
Folha - Só no IML (Instituto Médico Legal) estão 40 mortos e não se sabe nem o 
nome dessas
pessoas.
Lembo -Os nomes vão ser revelados. Estamos resolvendo questões burocráticas, de
identificação, mas vão ser revelados. 
Folha - Jornalistas da Folha entraram no IML e viram fotos de pessoas mortas 
com tiros na
cabeça. Que garantia a sociedade tem de que não morreram inocentes e de que o 
Estado, por
meio da polícia, não está executando essas pessoas? 
Lembo -Não está, de maneira alguma. E digo a você: fui muito aconselhado a 
falar tolices
como "aplique-se a lei do Talião". Fui totalmente contrário. Faremos tudo 
dentro da
legalidade e do Estado de Direito. 
Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?
Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo 
isso foi um
grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito 
maior do que se 
imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos que 
começar a
refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um 
componente
criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A droga 
é um 
produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver 
consumidor de
drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA, 
na Espanha.
O crime se alimenta do consumidor de drogas. 
Folha - E da miséria...
Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado 
destruiu
valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A questão 
social é
muito grave.
Folha - O senhor é um homem público há tantos anos, está num partido, o PFL, 
que está no
poder desde que, dizem, Cabral chegou ao Brasil.
Lembo -Essa piada é minha.
Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em 
ambientes 
violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? 
Como
afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?
Lembo -Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar 
que existe 
no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem 
que sou da
Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e 
perdeu
seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa 
da seleção, 
que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas 
sociais...Nós temos
uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.
Folha - Que ficou assustada nos últimos dias.
Lembo -E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais 
dramático do que 
as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] 
desta
quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. 
Vai fazer
protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras 
figuras da 
política brasileira fazer o bom jantar.
Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no
restaurante Fasano].
Lembo -Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez 
para este 
país.
Folha - O senhor acha que essas pessoas são responsáveis e não percebem?
Lembo -O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a inquisição de 1500 até 
1821. Então
você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa. 
Isso é o que 
está na sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público 
externo. É um
país que é dúbio.
Folha - Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?
Lembo -Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa 
grande 
tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando 
os escravos
foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, 
como aconteceu
nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O 
cinismo 
nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a 
verdade, doa a
quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai 
construir este
país.
Folha - Mas qual é, objetivamente, a responsabilidade delas nos fatos que 
ocorreram na 
cidade?
Lembo -O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo 
dizendo
coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos 
publicamente. E
depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços 
públicos. Querem 
estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. 
Isso não vai
ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A 
bolsa da
burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social 
brasileira no 
sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo 
e
reciprocidade de situações.
Folha - O senhor diria que elas pensam que aquele rapaz de 15 a 24 anos, que 
vive perto da
selvageria... 
Lembo - ...pode ser o Bom Selvagem do Rosseau? Não pode.
Folha - O endurecimento na legislação pode resolver o problema?
Lembo -Transitoriamente pode resolver. Mas se nós não mudarmos a mentalidade 
brasileira, o 
cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum.
Folha - O senhor diz que muita gente falou besteira sobre os episódios. Dos 
EUA, o
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a possibilidade de o governo 
ter feito 
acordo com os criminosos para cessar a violência.
Lembo -Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ter ficado 
silencioso. Ele
deveria me conhecer e conhecer o governo de SP. Eu não posso admitir nem a 
hipótese de se 
pensar isso. Para opinar sobre um tema tão amargo, tão grave, ele teria que 
refletir,
pensar. E se informar. Quanto ao presidente [FHC], pode ser que eventualmente 
ele tenha
precedente sobre acordos. Eu não tenho. 
Folha - Vimos o senhor dando muitas entrevistas na TV. Mas SP teve um outro 
governador
[Alckmin], tem um candidato ao governo e ex-prefeito [Serra]. O senhor ficou 
sozinho?
Lembo -No poder, um homem é absolutamente solitário. Houve momentos em que 
praticamente 
fiquei sozinho. Mas devo agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil também, 
que
estiveram firmes ao meu lado.
Folha - O ex-governador Alckmin telefonou para o senhor em solidariedade?
Lembo -Dois telefonemas. 
Folha - O senhor achou pouco?
Lembo -Eu acho normal. Os pulsos [telefônicos] são tão caros...
Folha - E o candidato José Serra?
Lembo -Não telefonou. Eu recebi telefonema da governadora Rosinha [do Rio de 
Janeiro] e de 
Aécio Neves [governador de MG], que estava em Washington, ele foi muito 
elegante. Um
ofício do governador Mendonça, de Pernambuco. Recebi muitos apoios, do Poder 
Judiciário, e
a Assembléia Legislativa, deputados de todas as bancadas, nenhum partido 
faltou. 
Folha - As autoridades paulistanas garantiram, nos últimos anos, que o PCC 
estava
desmantelado, que era um dentinho aqui ou ali. Elas enganaram os paulistanos?
Lembo -Não saberia responder. Eu não engano. Eu acho que nós ganhamos uma 
situação, mas é 
um grande risco. Temos que ficar muito atentos.
Folha - Essas autoridades garantiram que o PCC tinha acabado. Ou elas 
enganaram...
Lembo -Ou o dentinho era maior do que elas diziam.
Folha - Ou foram incompetentes. O senhor vê terceira alternativa? 
Lembo -Pode ser que tenham sido exageradas no momento de transferir segurança. 
Quiseram
ser tranqüilizadoras.
Folha - Então elas iludiram as pessoas?
Lembo -É possível.
Folha - O senhor pode dizer que o PCC pode acabar até o fim de seu governo? 
Lembo -Só se eu fosse um louco. E ainda não estou com sinal de demência. Acho 
que o crime
organizado é perigosíssimo. Ele se recompõe porque ele tem possibilidades 
enormes na
sociedade.
Folha - O ex-presidente Fernando Henrique não telefonou? 
Lembo -Não, não. Ele estava em Nova York. O presidente Lula telefonou, foi 
muito elegante
comigo. Conversei muito com o presidente, ele me deu muito apoio. E o Márcio 
[Thomaz
Bastos] veio, conversamos firmemente, com lealdade. E ele chegou à conclusão 
que não era 
necessário nem Exército nem a guarda nacional. Tivemos uma conversa 
responsável, e o
equilíbrio voltou. Mostrei que a Polícia Civil e a Polícia Militar tinham 
condições de
fazer retornar a SP a ordem e a disciplina social. 
Folha - O Datafolha mostrou que 73% acham que o senhor deveria ter aceitado 
ajuda federal.
O governador Alckmin disse que não rejeitaria a ajuda.
Lembo -Ele decidiria, se fosse governador, como achava melhor. Eu decidi da 
forma que 
achei melhor. Quanto às outras pessoas, faltou clareza de informação da minha 
parte. E aí
me penitencio. Não é que não aceitei ajuda do governo. Ao contrário. Desde 
sempre houve
vínculo forte entre o sistema de informação da polícia federal e a polícia de 
SP. A 
superintendência da PF em SP foi extremamente leal, solícita e dinâmica. Eu 
tinha uma
Polícia Militar muito aparelhada. Eu não poderia tirar esse respeito e esse 
moral que a
tropa tinha que ter naquele momento tão difícil aceitando tanques de guerra do 
Exército. E 
aí uma sociedade que gosta de paternalismo, como a brasileira, queria Exército, 
tropas
americanas, tropas alemãs, tropas de todo o mundo aqui. Não é assim. Temos que 
ser fortes,
saber decidir em momentos difíceis e dar valor ao que é nosso. Foi o que fiz. 
Em 48 horas 
liquidou-se o problema. O Exército é para matar o adversário. Eu queria 
recolher os
adversários possíveis. Nós estávamos num conflito social.




[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas] 



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