[radiolivre] olá Joaquim.

Grupos.com.brCompanheiro Joaquim.

Você está CORRETÍSSIMO em todas as suas colocações e avaliações sobre a 
linguagem radiofônica comunitária.

Esta é a linguagem que eu aposto para as RadComs. Vindas da própria cultura 
local, com orgulho do próprio sotaque, sem medo de expor sua lingua e sua visão 
cultural. Há de convir com o absoluto respeito que tenho pela língua do povo, 
senão, eu não estaria dispondo de toda minha vida nessa luta.

Porém...

o que eu falei são das estéticas comerciais, que vc sabe que são diametralmente 
opostas á linguagem da Rádio comunitária.

O que eu fico indignado, é com essa falta de pesquisa que anda rondando algumas 
produtoras comerciais, que acham que ainda vivemos na idade da ignorância, e 
que nós, o povo, aceitamos "gratuitamente" qualquer mera produção brega, de 
pouca criatividade, de pouco conteúdo e acima de tudo muito kit. Isso acontecia 
nos tenebrosos tempos da ditadura, onde as banalidades desprovidas de conteúdo 
abundava na lingua da mídia.

Se é para se fazer hoje um rádio comercial, que se faça com a mesma 
"competência" que tem a força do dinheiro deles, pois eles, os empresários da 
mídia, ganham muito com o negócio da comunicação. É disso que falo. O povo não 
é mais bobo como outrora. A era da informática e da internet chegou para grande 
parte da população e com ela, o conhecimento democratizado de novas formas 
estéticas.

Acho inclusive que nós, radiocomunitaristas, temos muito a ensinar sobre 
linguagem radiofônica aos empresários do rádio, pois nós temos muita 
proximidade com a massa ouvinte e acabamos por absorver a real lingua do povo.

Quanto a lingua da rádio comunitária, devo te dar os parabéns a sua 
sensibilidade e percepção da forma sonora como atuamos.

Escreva mais sobre esse assunto. Venho em suas palavras profundidade e 
conhecimento de causa.

Um grande abraço
Chico Lobo
pelo SIM AO DESARMAMENTO

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  ----- Original Message ----- 
  From: adv.joaquim@xxxxxxxxx 
  To: radio.2000@xxxxxxxxxxxxx 
  Cc: AbracoNac@xxxxxxxxxxxxxxxxxx 
  Sent: Sunday, August 28, 2005 3:19 PM
  Subject: RES: [As vozes que fazem o Brasil] Olá Renato


  Amigo Chico Lobo!

   

  Me permita colocar um dedo de prosa neste tema.

   

  Você bem sabe que não sou do meio radiofônico e estou a exatamente 2 anos 
participando do Movimento de Radiodifusão Comunitária.

   

  Mas foram 2 anos de muitas atividades no meio, pela curiosidade e por ter 
sido consultor jurídico da Federação dos Municipários do Estado do Rio Grande 
do Sul, eu por muitos anos viajei de cidade em cidade cumprindo minhas funções, 
tendo o rádio comercial sempre como minha companheira de estrada (por não 
conhecer as Rádios Comunitárias e pela facilidade de sintonia).

     

  Há prática mudou nestes dois últimos anos, quando vou para a estrada sempre 
tento captar uma rádio comunitária - dizer que sofro muito, pois não suporto 
esta nova música sertaneja (prefiro a de raiz), mas para entender a luta que 
assumi e conhecer a realidade do meio, sempre me mantive firme, catando ondas 
de Km em Km.

   

  Dizer que eu parecia mais um caixeiro viajante que um advogado, agora estou 
fixo em Brasília.

   

  Te falo que o maior choque foi a questão da linguagem, que as emissoras 
comunitárias do interior do RS imprimiam em suas transmissões, longe do modelo 
comercial e muito mais próximo da realidade da comunidade atendida.

   

  O interessante é que em cada região mudava o estilo, pela característica 
colonial do RS, sotaques alemães, italianos, poloneses e gaudérios são muito 
carregados, dependendo da região do Estado que eu me encontrava.

   

  A cada cidade que eu chegava ou para palestras, debates com prefeitos e/ou 
vereadores, ou simplesmente orientação aos dirigentes sindicais, procurava a 
Rádio Comunitária da cidade (com objetivo de levantar os problemas e dar 
satisfação do trabalho que a ABRAÇO vinha desenvolvendo) e quando percebia 
algum rádio ligado tentava identificar a emissora que estava sintonizada.

   

  Como Coordenador Jurídico da ABRAÇO tive a oportunidade de viajar para SC, 
SP, MG, BA e RJ e conversar com Radiodifusores de todo o Brasil, e o tema que é 
unânime entre todos os companheiros é o prazer de saber da audiência 
conquistada e o retorno da sociedade pelo trabalho desenvolvido. Isso quer 
dizer que o "público" (sociedade) esta migrando para uma nova linguagem de 
Rádio mais próxima a sua realidade.

   

  Eu entro no Movimento como sócio de uma associação na cidade de São Pedro do 
Butiá/RS (Região das Missões Jesuíticas, 50 Km da fronteira com a Argentina e 
de colonização Alemã), em nossa Rádio os locutores são filhos de colonos e com 
sotaque muito arrastado, mas nas 3 pesquisas de opinião pública realizada pela 
Prefeitura (adversária política da atual diretoria da Associação) estamos com 
92% de audiência e quando da transmissão da sessão da Câmara de Vereadores 
chegamos a 96%. Dizendo que não se faz disputa política pelos nossos 
transmissores e toda a sociedade se envolve na manutenção da emissora, 
inclusive a Prefeitura.

   

  Há 10 dias estive no extremo sul da Bahia, e lá conheci a Rádio Comunitária 
Barcelona, do distrito de Barcelona município de Caravelas. Camarada, lá o 
computador está longe de chegar, a mesa é das mais simples de 4 canais, os 
microfones não chegam nem perto dos "schure", o estúdio é uma sala onde está a 
rádio, os vizinhos levam o CD, Disco ou fita K7 para ouvir as músicas que mais 
gostam no rádio (não se contentam ouvir no aparelho de casa). Os locutores são 
da comunidade (sem formação alguma) o Cosme e uma gurizada linda e 
voluntariosa. Mas o que mais impressionou foi passar em algumas casas e os 
radinhos estavam sintonizados na Rádio Barcelona e a felicidade da comunidade 
com a sua Rádio.

   

  Lembrei que em Campinas/SP, visitei emissoras do mesmo porte. Lá no RS não 
conheço nenhuma Rádio Comunitária que já não esteja informatizada.  

   

  Toda esta explicação é para te dizer que a ACADEMIA deve parar, observar, 
analisar, para então concluir que estamos em uma nova fase da linguagem 
radiofônica e tentar definir o que isto representa.

   

  Por que você acha que a ABERT e ANATEL vem apertando a pressão sobre as 
Rádios Comunitárias? A resposta é simples, estão perdendo audiência dia a dia. 

   

  Isto com equipamentos inferiores, com potência reduzida, e sem formação de 
nossos locutores. POR QUÊ ISTO ESTÁ OCORRENDO????

   

  Quando converso, principalmente com o Dr. André Barbosa, sobe a "linguagem do 
rádio", me ponho a comparar o que eu escutava nas rádios comercias e o que 
estou vivenciando nas Rádios Comunitárias (principalmente naquelas instaladas 
longe dos grandes centros), e fica a dúvida o que é certo ou errado em ambas as 
linguagens, qual o futuro desta linguagem, que isso beneficia ou prejudica a 
sociedade atendida.

   

  Me preocupa, na questão musical, quando se define um padrão de programação e 
se exclui outros. Como a sociedade atendida vai saber se há algo melhor ou tão 
agradável se não tem acesso.

   

  Em Brasília conheci um rapaz Colombiano eu o ouvi escutando REP e FANK latino 
americano (Grupos Cubanos, Venezuelanos, Colombianos e Argentinos) de alta 
qualidade e que jamais escutei em Rádios Brasileiras - Camarada comprei 4 CD 
para tirar cópia - não sei como ele salvou que agora não consigo abrir os 
arquivos.

   

  Sem falar da música clássica, latino americana (que estão mais próximas). 
Quando vamos escutar em nossas rádios o que é produzido musicalmente na AFRICA, 
Oceania e Ásia???   Espero que o companheiro João Luiz (que está na África) 
inicie este intercâmbio.

   

  Deixo para vocês, os estudiosos o questionamento.

   

  ABRAÇO FORTE

   

  JOAQUIM CARLOS

   


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  De: radio.2000@xxxxxxxxxxxxx [mailto:radio.2000@xxxxxxxxxxxxx] Em nome de 
PRESS TEATRO
  Enviada em: domingo, 28 de agosto de 2005 13:22
  Para: radio.2000@xxxxxxxxxxxxx
  Assunto: [As vozes que fazem o Brasil] Olá Renato

   

  Querido Renato.

   

  Acho que eu tenho uma língua muito dura mesmo... gostaria inclusive de pedir 
desculpas a minha maneira contundente de não se conformar com pouco. Sou assim 
mesmo, e isso não tem me levado a muita coisa.

   

  Mas...

   

  Quero contar uma história de rádio...

   

  Na década de 70, quando chegaram ao Brasil as primeiras câmaras de eco 
eletro-mecânicas (aquelas com fitas magnéticas Bison e outras), os donos das 
emissoras de rádio do interior vinham a São Paulo, exatamente na rua Santa 
Ifigênia (Centro eletrônico Paulista) e viam as demonstrações dos balconistas 
daquela "jóia rara" da tecnologia "moderna", que repetia a voz de maneira 
"mágica".

   

  Pois esses senhores, donos de emissoras de rádio, compravam aqueles 
aparelhos, sem saber nem mesmo como e qundo usar e obrigavam seus locutores a 
usá-lo, inclusive de forma descomedida e acentuada... ridículo  - 
aaaaaaalololololo aamimimimigggogogogogogossssss hahahaha.

   

  Nossa!!!, meu querido Renato. Eu viajava pelo interior vendendo espetáculos 
musicais e visitava muito essas emissoras. Cara.... a gente nunca entendeu 
exatamente o que os locutores queriam falar com tanto eco de repetição que 
colocavam naqueles microfones. Uma coisa brega, esdrúxula, anti-estética, 
desconexa com a realidade e finalidade da comunicação, tudo pela vaidade do 
dono da ampla maioria das rádios em mostrar aos seus ouvintes que ele estava 
"acompanhando" a modernidade. (sic)

   

  E assim continua acontecendo ainda hoje em outra escala e de outra forma.

   

  Quando criamos vinhetas, teasers, spots, queremos mostrar aos nossos clientes 
um bando de "recursos" técnicos que achamos "interessantes". Mas na verdade, o 
que mais influi na verdadeira e eficiente comunicação é a objetividade do texto 
e a forma franca que o colocamos em sua interpretação.

   

  Foi-se o tempo em que nossos locutores imitavam o estilo "Big-Boy", fazendo 
aquela locução cheia de elisão e furtiva dinâmica...

   

  - "...hahaha, amigo ouvinte, que beleza de dia, sol quente, praia e um show 
da banda tal... hahaha. e agora as últimas notícias , hahaha, morreu hoje a mãe 
do locutor da rádio, hahaha...

   

  Mais ou menos por aí que andam fazendo rádio. Por isso que hj as emissoras 
são ouvidas automaticamente mas, não tem mais credibilidade, pois não há 
seriedade em sua interpretação, muito menos em seus textos. Se seguirmos a 
"tendência" de consumo requerida pelos donos das rádios (essas bestas 
ignorantes que nunca leram nada de semiótica, metalinguagem e psico-sociologia 
da cultura de massa) Jamais iremos desenvolver uma linguagem adequada e 
realmente eficiente como merece o veículo rádio. 

   

  -  ah.... mas, meu cliente pediu uma merda assim... 

   

  Bom... não é o paciente que vai dizer o quanto de anestésico ele terá de 
ingerir para que o médico complete a cirurgia.

   

  A área da linguagem da radiodifusão no Brasil está seguindo muito as 
tendências norte-americanas, mas nossso povo tem uma cultura diametralmente 
oposta na sua concepção e estética. Para os pseudo "profissionais" de rádio, 
isso pode não fazer muita diferença, mas para o resultado final, sim...

   

  O Rádio é um veículo que no Brasil infelizmente está perdendo terreno para 
outras mídias em relação as contas publicitárias e mesmo na audiência. 
Diferentemente acontece na Europa, principalmente na Alemanha, Bélgica, França 
e Inglaterra, onde o rádio tem muito maior peso de comunicação estantânea do 
que a propria televisão.

   

  Atribui-se esse fenômeno negativo no rádio brasileiro, principalmente pela 
maneira desconexa com a realidade cultural de nosso povo, assim como entendem 
nossos empresários e profissionais da radiodifusão.

   

  ah.... eu tinha que falar tudo isso....!!! senão, eu iria morder minha 
própria língua.

   

  Escreve mais prá gente.

  meu MSN é:  radiofulana@xxxxxxxxxxx

  Um big abraço

  Chico Lobo

  revistapalco@xxxxxxxxxxxxxxxxxx 


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    ----- Original Message ----- 

    From: play@xxxxxxxxxxxxxxxxx 

    To: radio.2000@xxxxxxxxxxxxx 

    Sent: Monday, August 22, 2005 5:31 PM

    Subject: [As vozes que fazem o Brasil] Olá Chico Lobo!!!!!

     




    Olá Chico Lobo!!!!!

     

    Recebi seu comentário.

    Sim, achei ele bastante construtivo e estamos trabalhando

    sempre para estarmos atualizados com as novidades no

    mundo do radio.

    Em breve você recebera um e-mail com todas as nossas novidades

    para emissoras de radio e produtoras de video.

     

    Em tempo, você possui msn? gostaria de falar mais com você.

    Me adiciona por favor: renatoalves@xxxxxxxxxxxxxxxxx

     

    Desde já agradeço.

     

     

    Nós somos as Vozes do Brasil!


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