[radiolivre] [Tecidosocial] Correio Tecido Social N. 155
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- Date: Sun, 21 Aug 2005 23:10:35 -0300
Periódico electrónico de la Red de Derechos Humanos de Rio Grande do Norte -
Nordeste de Brasil
Giornale elettronico della Rete di Diritti Umani del Rio Grande do Norte -
Nord-Est del Brasile
Online Journal for the Human Rights Network of Rio Grande do Norte - Northeast
Brazil
Nº 155 - 22/08/2005
GOLPE À IMPUNIDADE DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
O assassino da professora universitária Roberta Cláudia Bezerra Soares, o ex
marido dela Joab Antônio da Silva, foi condenado na sexta-feira passada em
Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, no Nordeste do Brasil, a 25
anos e oito meses de prisão. Na madrugada de 24 de outubro de 2003, ele tinha
espancado brutalmente a mulher, então grávida de 5 meses, e depois a tinha
atirado do terceiro andar do apartamento onde o casal morava.
A condenação de Joab Antônio da Silva, cujos detalhes encontram-se na matéria
do jornal Diário de Natal reproduzida abaixo, representa um golpe à impunidade
de quem comete atrocidades contra mulheres, justificando-as com argumentos
sexistas quais "defesa da honra", ciúmes e similares. É, portanto, um golpe à
desigualdade das relações de gênero, ao machismo que da impunidade se alimenta.
É também uma esperança de justiça para todas as outras mulheres potiguares e
brasileiras brutalmente assassinadas pelos seus companheiros e as que sofrem
todo dia nos próprios lares a barbárie da violência de gênero, um fenômeno que
impregna o tecido social do país tornando-o podre desde as raízes.
A Rede Estadual de Direitos Humanos - RN (REDH-RN), que esteve ao lado do Fórum
de Mulheres do Rio Grande do Norte, do Coletivo Leila Diniz, do Centro
Feminista 8 de Março e de todas as outras entidades e redes que ajudaram a
família de Roberta Cláudia na sua luta pela punição do assassino, saúda esta
decisão judicial como uma vitória da justiça contra a barbárie. Mas ela é
apenas uma gota no imenso Oceano da impunidade e nosso grito, hoje mais forte
ainda, continua sendo: BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, BASTA DE
DESIGUALDADE ENTRE OS SEXOS!!!
Redação de Tecido Social
Joab é condenado pelo assassinato da mulher
Terminou por volta das 3:00 da madrugada desta sexta-feira (19/08) o julgamento
do jornalista e comerciante Joab Antônio da Silva, no Fórum de Natal. O
comerciante foi condenado há 25 anos e oito meses de prisão.
Joab Antônio foi reconhecido culpado de ter matado sua mulher, a professora
Roberta Cláudia Bezerra Soares. Na ocasião a vítima estava grávida de cinco
meses e morreu depois de uma queda do terceiro andar do seu apartamento,
localizado no condomínio Vila Mariana, em Lagoa Seca.
Enquanto o período da manhã foi dedicado à leitura do relatório do processo e
ao depoimento de Joab Antônio da Silva, na parte da tarde se iniciaram os
depoimentos das sete testemunhas de defesa e acusação. A primeira a depor foi a
babá Ana Lúcia de Souza, que cuidava da filha do acusado e da vítima, então com
1 ano. Ela estava dormindo no momento em que o corpo de Roberta Cláudia Bezerra
Soares caiu do terceiro andar de seu apartamento.
Ana Lúcia narrou que naquele dia Joab teria saído de casa e, à noite, sua
esposa recebeu uma ligação ameaçando-a de morte e que a própria Roberta disse
achar que a voz era do marido. Na ocasião ela disse não estar preocupada, mas
pediu para a babá ir dormir com a porta do quarto aberta. Ana Lúcia acordou com
o barulho do corpo da patroa caindo no chão do condomínio, junto com a grade da
janela, que já se encontrava meio solta. A babá ainda disse acreditar que as
brigas entre o casal eram corriqueiras e que decorriam dos ciúmes que Joab
teria da família dela e de outras pessoas.
A terceira testemunha a depor, Maria Cristina Carlos Lopes, moradora do andar
inferior ao de Roberta, também disse ter encontrado Joab naquela noite, logo
depois da morte e que ele teria reagido com calma ao ocorrido, e que exalava um
forte cheiro de álcool. A testemunha seguinte foi uma tia da vítima, que disse
que Roberta havia dito à família que pretendia se separar do marido. Também
foram ouvidos a síndica do condomínio, Maria Lúcia Dantas Macedo, e o perito
Paulo Roberto do Vale.
Fonte: Diário de Natal, edição de 19/08/2005
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ENCONTRO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS 2005 - ENCERRAMENTO
Direito Humano à Comunicação: Um Mundo, Muitas Vozes
CARTA DE BRASÍLIA
Direitos Humanos devem ser prioridade
Após dois dias de Encontro, em que nós, militantes, defensoras e defensores de
direitos humanos, parlamentares comprometidas(os) com as causas populares,
servidoras e servidores públicos de instituições federais, estaduais e
municipais, compartilhamos experiências e produzimos subsídios para a
formulação de políticas públicas destinadas a consagrar o direito à comunicação
como direito humano fundamental e de fazer avançar a implementação do conjunto
de direitos humanos; avaliamos o Encontro como um valioso momento de
convergência e projeção de idéias para o planejamento e a construção de um
sistema de comunicação livre e plural, que assegure a difusão das muitas vozes
deste País.
Declaramos que:
1. A Comunicação é um direito humano que deve ser tratado no mesmo nível e
grau de importância que os demais direitos humanos. O direito humano à
comunicação incorpora a inalienável e fundamental liberdade de expressão e o
direito à informação, ao acesso pleno e às condições de sua produção, e avança
para compreender a garantia de diversidade e pluralidade de meios e conteúdos,
a garantia de acesso eqüitativo às tecnologias da informação e da comunicação,
a socialização do conhecimento a partir de um regime equilibrado que expresse a
diversidade cultural, racial e sexual; além da participação da sociedade na
definição de políticas públicas, tais como conselhos de comunicação,
conferências nacionais e regionais e locais. A importância do direito humano à
comunicação está ligada ao papel da comunicação na construção de identidades,
subjetividades e do imaginário da população, bem como na conformação das
relações de poder.
2. O direito de ter voz e de se fazer ouvir vincula-se à necessária existência
de um sistema que viabilize o exercício da liberdade de expressão mediante o
acesso à uma mídia livre e pluralista que faça distinção entre opinião e relato
dos fatos; respeite e incorpore as diversidades étnicas, raciais, sexuais,
culturais, regionais e das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; que
atue na educação em direitos humanos e na difusão de informações sobre as
questões políticas, sociais, econômicas e culturais de maneira veraz e ética,
em processos institucionais que tenham efetiva participação da sociedade e
controle social. O monopólio e o oligopólio em todas e em quaisquer partes dos
ramos institucional e empresarial das comunicações é impedimento e barreira
para o exercício desse direito humano.
3. É necessário o reconhecimento do racismo, sexismo, xenofobia, homofobia e
lesbofobia, preconceito religioso e as outras formas de intolerância existentes
na cultura brasileira, que se reproduz na mídia e nas instituições
educacionais, para exigir mudanças radicais no estatuto das comunicações, na
publicidade e nos instrumentos de difusão e educação. É imperiosa a presença
efetiva, global e representativa da diversidade cultural e da riqueza
intelectual e simbólica dos homens e das mulheres afro-descendentes e indígenas.
4. Verificamos que os direitos humanos ainda não estão considerados como base
para a formulação das prioridades governamentais. E um conjunto significativo
de atividades, ações e programas de direitos humanos essenciais para a
sociedade não tem recebido prioridade na formulação do orçamento da União, nem
estão incorporados na preocupação dos dirigentes governamentais.
5. Consideramos atentados aos direitos humanos e à dignidade humana os atos de
corrupção, desvio de recursos públicos, má aplicação do orçamento e a alocação
de 70% dos recursos da União para o pagamento do serviço da dívida pública. A
corrupção retira recursos que poderíam estar salvando vidas, garantindo futuro
melhor a crianças e adolescentes, alimentação saudável, segurança pública,
educação universal, saúde, empregos e as reformas urbana e rural. O controle e
a participação social, o acesso à comunicação, à informação e aos documentos,
bem como o Estado laico são fundamentais para a construção de políticas
públicas que efetivem direitos. A superação desse quadro requer a construção de
um novo modelo econômico e político, pautado na promoção dos direitos humanos.
6. A sociedade brasileira terá em outubro a grande oportunidade para reafirmar
o direito à vida, sinalizando, com o voto a favor do desarmamento, que o Brasil
pode ter políticas públicas que privilegiem a paz e uma cultura de
não-violência. São jovens, na maioria negros, que estão perdendo as vidas,
assassinados com armas de fogo e pelo acesso fácil a armamentos e munições.
Votamos Sim e conclamamos todos e todas a votarem em favor da vida.
7. O rebaixamento da condição institucional da Secretaria Especial de Direitos
Humanos representa simbolicamente a falta de prioridade dos direitos humanos na
agenda governamental e dificulta a articulação programática do órgão dentro do
Poder Executivo. Apelamos ao presidente da República que reveja sua posição
neste sentido e faça retornar a Subsecretaria de Direitos Humanos à sua
condição política anterior.
8. Reafirmamos que é imprescindível a construção do Sistema Nacional de
Direitos Humanos conforme deliberação da IX Conferência Nacional de Direitos
Humanos, realizada em 2004.
Brasília, Câmara dos Deputados, 18 de agosto de 2005
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