[radiolivre] [Tecidosocial] Correio Tecido Social N. 153

  



Periódico electrónico de la Red de Derechos Humanos de Rio Grande do Norte - 
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Giornale elettronico della Rete di Diritti Umani del Rio Grande do Norte - 
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Nº 153 - 18/08/2005

ENCONTRO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS 2005



Direito Humano à Comunicação: Um Mundo, Muitas Vozes



Por Washington Araújo



A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM) e o Fórum das 
Entidades Nacionais de Direitos Humanos (FENDH) está realizando nos dias 17 e 
18 de agosto próximo, o Encontro Nacional de Direitos Humanos 2005 - Direito 
Humano à Comunicação: Um Mundo, Muitas Vozes. O evento tem o apoio de 
instituições como a Secretaria Especial de Direitos Humanos, Comissão de 
Direitos Humanos e Cidadania do Senado Federal, Procuradoria Federal dos 
Direitos do Cidadão, Unesco e Universidade de Brasília (UnB), e terá lugar no 
auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília. Participarão 
membros de organizações de Estado e da sociedade, entre outras pessoas ligadas 
à luta pelos direitos humanos.

O Encontro mantém a tradição anual, criada pela parceria da CDHM, o movimento 
social e organizações do setor, de ser um espaço nacional com a finalidade de 
avaliar a situação dos direitos humanos no Brasil, propiciar a troca de 
experiências e idéias, formular políticas públicas e desencadear mobilizações. 
A 9ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, realizada em 2004, deliberou que 
as conferências passariam a ser bianuais, agendando a próxima para 2006. 
Enquanto na Conferência os participantes são eleitos em assembléias nos 
Estados, no Encontro participam todos os interessados, sem condições prévias. 

A Organização do Encontro manteve na programação os assuntos de interesse 
permanente e elegeu, como tema central deste ano, o Direito Humano à 
Comunicação, por sua atualidade e importância para a sociedade e para os 
diferentes segmentos da luta pelos direitos humanos. 

Os temas dos Grupos de Trabalho corresponderão aos objetos de documentos e 
visitas oficiais de monitoramento de direitos no Brasil este ano: Convenção 
sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher; 
Relatório da sociedade brasileira sobre implementação do Pacto Internacional de 
Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais e Pacto dos Direitos Civis e 
Políticos; Combate à tortura; Proteção aos defensores dos direitos humanos; 
Direito Humano à Comunicação; Violação dos direitos humanos na mídia: Educação 
e Comunicação em Direitos Humanos; Estado federal e implementação de tratados, 
recomendações e decisões de direitos humanos; Avaliação de políticas públicas 
de direitos humanos.

Pois bem, convidado para participar de um painel, aceitei debater o tema "A 
importância da Comunicação na Educação em Direitos Humanos". Uma experiência 
preciosa. Lado a lado, militantes de direitos humanos no Brasil históricos como 
Margarida Genevois, Márcio Araújo, Mara Eliana Farias, Herilda Balduíno e 
Roberto Monte, estavam também estudantes de direitos e de comunicação social. 
Falei sobre a solidão que temos, todos nós que trabalhamos pela dignidade 
humana; que lutamos -- chova ou faça sol -- para transpor os artigos da 
cinqüentenária Declaração Universal dos Direitos Humanos (10/12/1948) para a 
prática diária. Uma solidão imensa, pois trabalhamos muitasvezes sem sabermos o 
que o outro está fazendo e ficamos assim com essa impressão de que estamos 
sempre "enxugando gelo". Lembrei da lição de Alfredo Bosi de que um verdadeiro 
militante dos dreitos hmanos é aquele que primeiro se sensibiliza, aquele que 
"aprendeu a lutar pelo coração". E é isso que precisaos faze: lutar com a 
indignação que nos assalta sempre que vemos a condição humana diminuía, 
rebaixada. No mais, foi uma confraternização de velhos amigos. Amigos que 
esposaram os direitos humanos enquanto proposta de vida.

Abordei a baixa qualidade de nossos programas de televisão que parece já ser 
lugar-comum. Os horários nobres, aqueles de maior audência, são destinados 
pelas emissoras de TV à transmissão de novelas. E aí mora o perigo. Como toda 
trama, isso desde já o teatro clássico, ateniense, há que existir elementos em 
confronto, portanto, pessoas boas - os mocinhos - e pessoas más, os vilãos e 
vilãs. O ponto é que a novela - como toda novela - se arrasta por dezenas de 
dias. Nesse tempo o espaço maior é dedicado aos "maus". Aqueles personagens que 
personificam preconceitos, que são racistas, que ultrajam as mulheres, que 
fazem pouco caso com as questões éticas. Mas, ao final da novela, nos últimos 
cinco ou três capitulos, eis que eles recebem a punição exemplar, são 
execrados, desmascarados e terminam exemplarmente condenados. A questão que não 
quer calar é: um telespectador aguentaria a ver a novela até sua semana final? 
E as milhares de cenas que vieram antes, quando eles ainda não são 
desmascarados? Que lições nossos filhos aprendem? É, são questões que incomodam 
a todo pai, a toda mãe, a todo educador que vêem seus esforços visando passar 
valores nobres irm or água abaixo. Proponho que roteiristas de novelas deviam 
ser alertados a dosar as punições  o longo da trama, pois senão, quem haverá de 
afimar que o crime não compensa?

  

No decorrer dos debates pensei em lugares bombardeados como o Iraque e a faixa 
de Gaza. Mas refleti também sobre o bombardeio sofridos por nossas mentes. A 
verdade é que somos bombardeados diariamente. Os petardos são as dezenas de 
mensagens que recebemos diariamente, algumas em forma de publicidade, outras 
vestidas solenemente de informação, outras ainda nos inteiram do que acontece 
aqui e do outro lado do mundo. Conduzindo o carro lemos de forma automatizada 
as inúmeras faixas e os outdoors vistosos. Chegamos à universidade ou à escola 
e pousamos os olhos nos inúmeros murais. Vamos ao local de trabalho e 
encontramos os quadros de aviso, os boletins corporativos. Sentamos na mesa de 
trabalho, ligamos o micro e já chegam as mensagens institucionais. Checamos 
nossa caixa de emails e encontramos dezenas de mensagens indesejadas em meio a 
algumas desejadas. Daí em diante é seguir a rotina de limpar o joio do trigo, 
de separar o que merece nossa atenção, aquelas mensagens que exigirão resposta 
imediata, as que podem aguardar um pouco que "ninguém vai morrer por isso" e 
ainda aquelas que deverão ser arquivadas em uma pasta particular do tipo 
"matéria bruta para reflexão". É hora de por a mão na massa, de botar pra 
trabalhar o que chamamos de livre-arbítrio. É o nosso sagrado filtro, algo que 
nos distingue das demais espécies de vida. Nós, os humanos, podem e devem 
opinar, decidir, optar. É nosso direito intransferível e muitas vezes, 
solitário. Como dizia o comentarista "pensar, é só pensar". Pensemos então. 
Enquanto isso saudemos a pós-modernidade em que vivemos. Uma saudação sem 
colesterol mental.

Esses e outros pensamentos estão, de forma jornalística, postados diariamente 
em meu blog: http://www.cidadaodomundo.org

Ao planejar o blog derrubei duas caixas d´água de uma taca só. A primeira foi 
um meio eficiente para dar vazão aos comentários diários que faço na Rádio 
Nacional AM e FM, do Rio de Janeiro e de Brasília e também na Rádio Câmara. A 
segunda, foi ter mais liberdade para abordar temas afetos à condição humana, 
comportamento, ideais, utopias, direitos... e desejos humanos.


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