[radiolivre] [Tecidosocial] Correio Tecido Social N. 149
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Nº 149 - 06/07/2005
RESULTADOS DO I ENCONTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS DO RIO GRANDE
DO NORTE
A sociedade potiguar cria as condições para a elaboração do Plano Estadual de
Educação em Direitos Humanos
Na sexta-feira passada, 1° de julho, teve lugar em Natal o I Encontro Estadual
de Educação em Direitos Humanos do Rio Grande do Norte. O evento, que aconteceu
no Instituto de Teologia Pastoral (ITEPAN) e teve como objetivo fornecer
subsídios por parte da sociedade potiguar ao Plano Nacional de Educação em
Direitos Humanos, contou com a participação de 152 pessoas.
Entre os participantes, houve representantes de seis universidades
norte-riograndenses: a Universidade Federal (UFRN); a coordenação do curso de
Direito da Universidade Estadual (UERN); a coordenadora e todo o pessoal da
área de comunicação da Universidade Potiguar (UnP), a maior entre as
particulares; além de representantes das outras universidades privadas FAL,
FACEX e FARN.
O nível das discussões foi muito elevado em todos os grupos. Foram formados
dois núcleos temáticos. O primeiro, dedicado ao Ensino Superior, elaborou a
proposta de promover um seminário que aprofunde a discussão sobre a Educação em
Direitos Humanos naquele âmbito e as possibilidades de intercâmbio de
professores e alunos com universidades italianas que derivam das articulações
realizadas recentemente naquele país por um representante da Rede Estadual de
Direitos Humanos - RN (REDH-RN), Antonino Condorelli, editor-chefe deste
boletim digital.
O segundo núcleo temático, sobre o Educação e Mídia, articulou a criação de um
coletivo para encaminhar as propostas elaboradas durante o encontro. Entre
elas, a de representantes da UnP de assessorar na realização de jornais murais
(uma experiência já desenvolvida pelo departamento de comunicação daquela
universidade) a sociedade civil do pequeno município de Carnaubais, no Sertão
potiguar, que levou ao encontro de Natal uma delegação de 15 pessoas
procedentes da inteira região do Vale do Açu.
Entre os grupos que trabalharam as diversas temáticas do encontro, o mais
numeroso foi o de Justiça e Segurança Pública, que contou com uma maciça
participação das polícias civil e militar (desta última esteve presente o Nono
Batalhão inteiro), a Ouvidoria e a Corregedoria da Secretaria da Defesa Social
e a Guarda Municipal.
Entre os principais resultados do encontro, foi criado um coletivo de 28
entidades para elaborar um Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos, que
definirá os eixos norteadores e as linhas-guía das políticas governamentais e
das ações da sociedade civil na área da educação aos direitos e à cidadania.
O encontro foi também, entre outras coisas, uma importante ocasião para ampliar
as articulações da Rede Estadual de Direitos Humanos dentro da Grande Natal (a
região metropolitana da capital potiguar), graças à presença da Secretária
Municipal de Educação, Justina Iva, que abriu o evento e se comprometeu a
promover uma ativa participação da sua Secretaria na construção do Plano
Estadual.
Redação de Tecido Social
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ESPECIAL EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS
Retransmitimos um texto publicado na edição de 29/06/2005 do diário Tribuna do
Norte, suplemento TN Educação, que dedicou um especial de 5 páginas ao I
Encontro Estadual de Educação em Direitos Humanos do Rio Grande do Norte
Educação em Direitos Humanos em Terras Potiguares
Por Heronilza Nascimento*
A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecendo a importância da educação em
direitos humanos estabeleceu os anos de 1995 a 2004 como a Década para a
Educação no Domínio dos Direitos Humanos. O Plano de Ação Internacional para
essa Década orientou as organizações governamentais e não-governamentais,
nacionais e internacionais, sociedade civil e indivíduos que "estabelecessem
parcerias e concentrassem seus esforços na promoção de uma cultura de direitos
humanos por meio da educação, formação e informação sobre direitos humanos".
O Governo Brasileiro, em cumprimento às recomendações da ONU, instituiu em 2003
o Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos que, por sua vez, em
cumprimento as suas atribuições, elaborou o Plano Nacional de Educação em
Direitos Humanos (PNEDH). A Rede Estadual de Direitos Humanos (REDH-RN) e o
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP) são partes integrantes do
Comitê que elaborou o PNEDH.
No contexto dessa discussão o CDHMP tem desenvolvido atividades na área de
educação em direitos humanos na Capital e no interior do Rio Grande do Norte.
Essas atividades fazem parte do eixo Educação em Direitos Humanos que é um dos
quatro eixos que norteiam as ações do CDHMP. Os demais eixos são: Comunicação,
Memória Histórica e Arte&Cultura. Destacamos, portanto, no âmbito do eixo
Educação, os Cursos de Agentes da Cidadania, que fazem parte de um Programa de
Formação, envolvendo lideranças comunitárias, educadores escolares e informais,
Organizações Não-Governamentais (ONGs) e grupos sociais organizados. Merece
destaque também a experiência da Escola Estadual Lauro de Castro nos anos de
1995 a 1999 que consistiu em aulas e oficinas para alunos e professores daquele
estabelecimento de ensino. Como síntese dessa experiência destacamos a
realização do I Seminário de Educação e Cidadania realizado em novembro de 1999.
Quando da realização do Seminário, já era preocupação do CDHMP sair de uma
experiência pontual em uma escola e disseminar a educação em direitos humanos
por todo o Estado do Rio Grande do Norte. Para tanto, os participantes do
Seminário elaboraram um documento norteador que indicou as linhas gerais dos
caminhos a serem trilhados. Esse documento, denominado CARTA DE NATAL: EM
BUSCA DA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA, considera a necessidade urgente de
implementação de políticas públicas na área de Educação, Direitos Humanos e
Cidadania, e nesse contexto chama a atenção para alguns pontos que aqui
resgatamos:
1. Não buscar o ensino tradicional, ultrapassado. "Educar" deve ser
compreendido não como um repasse sistemático de conhecimentos assimilados,
estáticos e prontos. "Educar" é facilitar a formação de indivíduos com visão
dinâmica, criadora, cultural e humanista, capazes de promover mudanças. É
facilitar a interação entre os agentes/atores
(educador/educando/funcionários/família/sociedade etc.), respeitando-se e
desenvolvendo-se conjuntamente como seres humanos, dotados de direitos
individuais indisponíveis e, principalmente, de responsabilidades para com o
coletivo. "Educar" é apresentar aos outros o seu modelo de conduta, de atitudes
e comportamentos. Ninguém ensina o que realmente não é, não sente ou não
acredita.
2. A escola torna-se assim um ambiente fértil para os desafios e conquistas que
essa proposta educativa compromete-se a oferecer. A escola é espaço
privilegiado na formação da juventude e um local de interação de novos
conhecimentos para a vida. É também um local propício para a assimilação de
novas mentalidades, aglutinando pessoas e setores da comunidade, e, de acordo
com o processo desenvolvido, tendo a possibilidade de reunir educadores já
formados e sensibilizados para atuar com novas experiências.
3. Além do papel que a escola exerce sobre essa nova prática educativa devemos
observar algumas variáveis na discussão desse conhecimento e a formação dos
agentes envolvidos nessa proposta. A necessidade do conhecimento sobre a
temática dos Direitos Humanos e da Cidadania mobiliza as pessoas muito além do
intelectual, envolvendo também o emocional e o imaginário, que é, na verdade,
todo o sistema de crenças, normas, valores e símbolos de uma cultura. A
formação da Cidadania supõe não somente o saber, mas o saber fazer, portanto,
não se esgota ou na aquisição do conteúdo ou na prática social, mas sim na
combinação entre ambos, exigindo, no entanto, as seguintes orientações:
a) Uma postura do Educador que não contrarie o discurso;
b) O envolvimento emocional além do conhecimento intelectual;
c) O conhecimento intelectual sobre as temáticas de Direitos Humanos e
Cidadania devem ser o instrumento básico para o salto qualitativo entre a
consciência ingênua e a consciência crítica;
d) Faz-se necessário a qualificação do professor, fazendo esse professor
mergulhar em um "oceano de saberes" (sociologia, história, filosofia etc.);
e) Toda a temática dos Direitos Humanos e Cidadania deve ser absorvida na
prática das outras disciplinas.
Além dessa fundamentação a Carta de Natal propõe ações de
orientação/sensibilização (capacitação); difusão/informação;
político-pedagógica; estruturais; na relação família/escola/sociedade; e também
ações metodológicas.
Orientado por essas ações e em sintonia com a perspectiva de articular e
descentralizar o PNEDH, a Rede Estadual de Direitos Humanos por meio de sua
instituição articuladora - o CDHMP - entende que a educação em direitos humanos
proporciona a mudança de mentalidade, na medida em que é caracterizada como um
processo que visa dar às pessoas os instrumentos de que precisam para viver com
dignidade, observando, implementando e fazendo valer os seus direitos. Partindo
dessa perspectiva, é que vimos conclamar toda a sociedade potiguar a consolidar
um processo democrático de disseminação de direitos humanos para que assim
possamos conquistar a tão almejada cidadania. A Década das Nações Unidas para a
Educação em Direitos Humanos significou o amadurecimento dessa discussão, no
entanto, são necessários esforços contínuos para que todos os indivíduos tenham
a mentalidade despertada para as questões de direitos humanos e com isso tenham
também a consciência cidadã.
* Socióloga, mestre em educação e membro da Rede Estadual de Direitos Humanos
do Rio Grande do Norte (REDH-RN).
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