[radiolivre] [Tecidosocial] Correio Tecido Social N. 148
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Nordeste de Brasil
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Nord-Est del Brasile
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Brazil
Nº 148 - 30/06/2005
I ENCONTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS DO RIO GRANDE DO NORTE
Na sexta-feira, 1° de julho, terá lugar em Natal o I Encontro Estadual de
Educação em Direitos Humanos do Rio Grande do Norte. O evento acontecerá no
Instituto de Teologia Pastoral (ITEPAN) da capital potiguar entre as 8:00 e as
12:00 da manhã e, depois do almoço, prosseguirá das 14:00 às 18:00.
O encontro tem o objetivo de fornecer subsídios, por parte da sociedade
norte-riograndense, ao Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, que
serão acrescentados aos que chegarão de todos os outros Estados do Brasil. De
fato, o evento é parte de um ciclo de encontros estaduais que estão acontecendo
ao mesmo tempo no país inteiro.
O de Natal é promovido e organizado pelo Centro de Direitos Humanos e Memória
Popular (CDHMP), entidade que representa o principal elo articulador da Rede
Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte (REDH-RN). Está aberto a
toda a população potiguar, com ênfase nas universidades, escolas e ONGs, mas
também representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
(notadamente, a Secretaria Estadual e as Municipais de Educação),
representantes do Ministério Público Estadual e Federal, de entidades
sindicais, igrejas, etc. O que já sabe-se ao certo é que contará com uma
participação massiva: até agora, de fato, já se inscreveram mais de 200 pessoas.
Entre seus participantes, o encontro contará com uma delegação de 15 pessoas do
pequeno município de Carnaubais e de outras cidades do Vale do Açu, no Sertão
potiguar: mais um desdobramento, entre vários, da Caravana de Direitos Humanos
realizada naquela região em março de 2004 pela REDH-RN. Outra delegação
destacada será a de Caicó, cidade-pólo da região do Seridó, no semi-árido
norte-riograndense, que estará composta por 10 pessoas e também representa mais
um desdobramento da Caravana realizada naquele município na primeira metade do
ano passado.
A nova versão do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos será lançada na
primeira quinzena de dezembro durante I Conferência Internacional de Educação
em Direitos Humanos, em Brasília.
A seguir, reproduzimos umas matérias publicadas na edição da quarta-feira, 29
de junho, do diário natalense Tribuna do Norte, que dedicou ao encontro
potiguar um especial de cinco páginas no seu suplemento TN Educação.
Para mais informações sobre o encontro, contatar o Centro de Direitos Humanos e
Memória Popular (CDHMP):
Rua Vigário Bartolomeu, 635
Ed. "21 de Março", Salas 606/607
CEP. 59025-100 - Natal/RN
Fone: 0**84 221-5932
Fax: 0**84 201-0242
E-mail: dhnet@xxxxxxxxxxxx, cdhmp@xxxxxxxxxxxx
Redação de Tecido Social
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ESPECIAL REDH-RN, EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS, ENCONTRO ESTADUAL/RN
Textos publicados na edição de 29/06/2005 do diário Tribuna do Norte,
suplemento TN Educação.
ENTREVISTA
Roberto Monte: "Educar significa libertar, como nos ensinou Paulo freire"
Coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), integrante
do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos e membro articulador da Rede
Estadual de Direitos Humanos - RN, Roberto de Oliveira Monte está na linha de
frente há 25 anos, lutando para levar educação à cidadania e consciência dos
direitos a todos os municípios e as comunidades potiguares.
Por Antonino Condorelli*
Que papel pode desenvolver uma Rede de Direitos Humanos "glocal" (ou seja, que
pensa globalmente e age localmente), como a que está sendo construída no Rio
Grande do Norte, na efetivação dos princípios e as diretizes contidas no Plano
Nacional de Educação em Direitos Humanos?
O que estamos fazendo é uma coisa simples e complexa ao mesmo tempo. Simples,
pois estamos pensando uma unidade da federação como um todo, no caso os 167
municípios do Rio Grande do Norte. Complexa porque fazemos parte de um teia
global que envolve desde o Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos da
ONU às leis nacionais, trabalhando para tornar os direitos efetivos onde as
pessoas vivem. Chegar às escolas, aos professores, para ajudar a mudar
mentalidades.
Quais as razões que levaram a incluir a Educação em Direitos Humanos entre os
eixos norteadores da Rede Estadual?
Não muda-se e transforma-se nada se a educação não for a prioridade número um.
Criar uma cultura de paz, de tolerância, combater a impunidade e a desigualdade
desde os mais novos aos mais velhos: eis o nosso desafio.
Que relação existe entre as ações de educação e as de comunicação da REDH-RN?
Se comunicação é poder, temos que utilizar as mais diversas formas
comunicativas e de mídia para transformar as mentes e ganhar os corações de
nossas populações. Não só educação e comunicação, mas transversalizar tudo isso
com uma boa dosagem de memória histórica, resgatar a identidade real do povo
brasileiro, tão diversa e rica.
Quais as possíveis estratégias para levar Educação em Direitos Humanos a todos
os 167 municipios do Rio Grande do Norte?
Chegar através das mais diversas formas, como Caravanas de Direitos Humanos e
outros instrumentos de sensibilização, como a montagem de uma rede de
comunicação que chegue aos movimentos, às escolas e ao lar de cada
norte-riograndense. De que forma? Temos muitas, mas estamos abertos a novos
sabores, que só ocorrerão através de parcerias e cumplicidades, sem
preconceitos e com muita, muita criatividade. Esse desafio terá que englobar
mais parceiros, é parte de um grande mutirão para aglutinar as ditas forças
vivas da sociedade, os movimentos que irão cimentar o tecido social que almeja
um mundo mais justo e igualitário.
Qual o papel da consulta estadual sobre Educação em Direitos Humanos do dia 1°
de julho na implementaçao do Plano Nacional?
A Década de Educação da ONU está chegando e nos traz ecos de que os Direitos
Humanos são valores universais. Ampliar o nosso cordão, trazer novos parceiros,
para mudar a mentalidade de nosso povo, criar consciência critica.
Que perspectivas abre em âmbito educativo o processo de construção da Rede
Lusófona de Direitos Humanos, cujo início prático é representado pela parceria
entre a REDH-RN e a Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania
(CNDHC) de Cabo Verde?
Querendo ou não, um dia teríamos que voltar os nossos olhos para a África, até
em função das raízes de nossa nacionalidade. Em um mundo cada vez mais
globalizado, parece até contraditório, mais as tribos tem que interconectar-se,
ou seria ilógico juntar todos aqueles que falam a língua portuguesa? Não é
interessante constatar que Paulo Freire esteve aqui no Rio Grande do Norte com
sua 40 Horas de Angicos e também esteve na Guiné-Bissau e Cabo Verde, elos de
nossa Rede Lusófona de Direitos Humanos?
Como membro do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos, como avalia as
políticas públicas realizadas nesta área? Tem sido feito algo concreto para
implementar o Plano Nacional?
Estamos iniciando todo um processo de trazer a discussão da cidadania e do
humanismo para que não caiamos na barbárie e construamos uma sociedade
civilizada. O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos irá aglutinar
experiências diversas em nosso país, dar um rumo e criar as condições para que
em 2006 façamos o Plano Estadual do Rio Grande do Norte, sempre com a mesma
palavra de ordem: Direitos Humanos para todos os Potiguares!
De que maneira a educação aos direitos e à cidadania pode contribuir, de fato,
a mudar a realidade?
Educação deve implicar participação, pois sem participação popular não haverá
mudança de realidade. Educar na perspectiva de libertar, na linha de Paulo
Freire.
*Italiano residente em Natal, jornalista e militante dos Direitos Humanos,
editor-chefe de Tecido Social, jornal digital da REDH-RN
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Direitos Humanos para todos/as os/as Potiguares!!!
Por Antonino Condorelli*
Em 10 de dezembro de 1948, os representantes dos governos da maioria dos países
do mundo reunidos em Paris aprovaram unanimemente, com nenhum voto contrário e
pouquíssimas abstenções, a Declaração Universal dos Direitos Humanos: um texto
que marca um antes e um depois na história do gênero humano, pois encarna o
compromisso de todos os países e todos os cidadãos com os princípios
fundamentais que fundam a existência e a dignidade do ser humano - como a vida,
a integridade física e psíquica, a liberdade de pensamento e expressão, a
educação, a saúde, a moradia em condições dignas, o acesso à água, o trabalho
com salário justo, etc. -, tornando-se referência obrigatória na elaboração das
Constituições nacionais. Mesmo se a história do mundo de 1948 a hoje e o nosso
dia a dia nos mostram que estes princípios foram e continuam sendo pisoteados,
humilhados, sistemática e brutalmente negados à maioria das pessoas, a partir
da Declaração houve enormes avanços na legislação internacional, que elaborou
complexos sistemas de proteção e garantia dos Direitos Humanos. Este processo
teve seu ápice na Conferência Mundial de Direitos Humanos de Viena em 1993, que
decretou a aceitação universal formal destes direitos e da sua indivisibilidade
por parte de todos os países do mundo.
O Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP) é uma
organização-não-governamental comprometida há mais de 18 anos com a promoção e
proteção dos direitos da pessoa nesta pequena, pobre e esquecida unidade de
Federação Brasileira que é o Estado do Rio Grande do Norte. Embasada nos
princípios da Declaração Universal, foi a força promotora do Programa Estadual
de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte (PEDH-RN), o segundo do Brasil,
elaborado em 1998 em parceria com a Secretaria de Justiça do Governo do Estado
e que, em sintonia com a Declaração e Programa de Ação de Viena e do Programa
Nacional de 1996 que deriva das recomendações da primeira, define as diretrizes
das políticas públicas a serem implementadas em todas as áreas referentes aos
direitos da pessoa no Estado.
Em linha com o objetivo de fundo do PEDH, que é a implementação de um Sistema
Estadual de Direitos Humanos (ou seja, um conjunto de instrumentos e ações que
em todos os níveis - jurídico, institucional, administrativo, educativo,
midiático, da sociedade civil - permita a promoção, a proteção e a garantia de
todos os direitos em todos os municípios do Estado) que se desdobre em muitos
Sistemas Municipais, o CDHMP está sendo o motor propulsor de uma experiência
laboratório no Brasil: a da construção da Rede Estadual de Direitos Humanos do
Rio Grande do Norte (REDH-RN).
Esta é um processo de agregação de organizações da sociedade civil,
instituições e pessoas engajadas de todo o Rio Grande do Norte para a promoção,
a proteção e a garantia de TODOS os Direitos Humanos (tanto os civis e
políticos como os econômicos, sociais, culturais e ambientais) em TODOS os 167
municípios deste Estado. É, portanto, o primeiro conjunto de entidades,
representantes de poderes públicos e pessoas do Brasil a conceber uma unidade
da Federação como um todo e a querer atingir com suas ações "glocais"
(enraizadas localmente, mas embasadas em princípios universais e envolvendo
temáticas globais) a totalidade dos seus municípios.
É uma "rede de redes" aberta e plural que, para construir e implementar o
Sistema Estadual e os Municipais, está articulando nos municípios potiguares
representantes dos três poderes públicos e da sociedade civil organizada - além
de sindicatos, partidos políticos, Igrejas comprometidas, meios de comunicação
e pessoas físicas engajadas - para construir Núcleos de Direitos Humanos locais
permanentes.
Estes últimos criam um elo entre a população local e os instrumentos estaduais,
nacionais e internacionais de promoção e proteção dos Direitos Humanos, que
nunca chegam às populações periféricas. Suas funções são levantar as violações
de todos os direitos da população local, conscientizar e mobilizar a cidadania,
encaminhar denúncias, cobrar soluções do poder público: em poucas palavras,
promover todos os direitos da pessoa, concebidos como indivisíveis e
interdependentes, nos municípios. Os primeiros núcleos foram articulados
através de Caravanas de Direitos Humanos que na primeira metade de 2004
atingiram 8 municípios-pólo de micro-regiões do Estado, e outros municípios
estão sendo envolvidos neste processo através de contatos e articulações com
entidades e instituições.
Com este trabalho em rede, levado adiante através de uma praxe de
micro-políticas locais que partem das necessidades concretas das comunidades
potiguares, mas se fundamentam na universalidade e a indivisibilidade dos
Direitos Humanos e nos princípios globais expressados nos sistemas de promoção
e proteção existentes, a REDH-RN concretiza o espírito "glocal", plural e
participativo dos Fóruns Sociais Mundiais e de todos os espaços de diálogo e
troca de experiências dos movimentos sociais do planeta abertos a partir de
Seattle.
Como desdobramentos da sua ação a nível estadual, a REDH-RN está trabalhando na
concretização do projeto de uma Rede de Operador@s de Direitos Humanos da
América Latina e o Caribe (R@DHALC) a partir de uma parceria com 11 entidades
de 7 países do continente selada durante um seminário internacional em Rosario,
Argentina, em outubro de 2004 e na articulação de uma Rede Lusófona de Direitos
Humanos, a partir de uma parceria com a Comissão Nacional para os Direitos
Humanos e a Cidadania de Cabo Verde (África). Ambas redes tomarão forma tanto
no cyber-espaço como a nível presencial, através da troca permanente de
informações e experiências, a criação de espaços de articulação e diálogo
(portais, fóruns sociais, boletins digitais, etc.), ações conjuntas, campanhas
coordenadas, projetos comuns, realização de eventos, seminários, cursos, etc.,
e outras formas de colaboração dentro de uma ótica comum: a de pensar-se como
elos de uma única realidade que compartilham experiências e pensam juntos
soluções.
Além desta internacionalização das experiências da REDH-RN, esta última está
articulando uma rede inter-estadual de Direitos Humanos que uma organizações da
sociedade civil., instituições e pessoas engajadas de Paraíba, Rio Grande do
Norte e Ceará, a partir de uma parceria com a pousada Tremembé de turismo
responsável de Icapuí (CE).
Todas as ações levadas adiante pela REDH-RN em todos os municípios do Estado
têm quatro eixos norteadores, estritamente interligados: Educação em Direitos
Humanos, comunicação, arte&cultura e resgate da memória popular. No caso da
educação, não podia ser diferente na terra onde de 1961 a 1963 se realizou a
maior campanha de alfabetização de massa da história da América Latina, De Pé
no Chão Também se Aprende a Ler do então prefeito socialista de Natal Djalma
Maranhão, e onde Paulo Freire iniciou a experiência da pedagogia do oprimido
com as apaixonantes 40 horas de Angicos. Hoje o grande desafio é resgatar o
espírito e os ideais daqueles sonhadores para levar o conhecimento dos direitos
e dos instrumentos para exercê-los às populações urbanas e rurais de todos os
167 municípios potiguares, transformando-os em parte integrante e indissolúvel
do seu dia a dia.
*Italiano residente em Natal, jornalista e militante dos Direitos Humanos,
editor-chefe de Tecido Social, jornal digital da REDH-RN
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