[radiolivre] [Prometheus] Prometheus - Informe de Genebra 02

1 - Palexpo

Saltando no ponto final do ônibus 5 (curiosamente há poucos ônibus por aqui)
podemos avistar o centro de convenções Palexpo: enorme, especialmente em uma
cidade com 300 mil habitantes.

A segurança é fortíssima, com homens fardados (educados, porém ríspidos) por
todos os lugares e muitos detectores de metais. Só aqueles que foram
credenciados antecipadamente podem entrar.

Claro que também existem problemas, como o almoço caro (gastei quase R$ 60,00),
falta de informações sobre algumas atividades e o programa
oficial (que, justamente na minha vez de pegá-lo, se esgotou).

Entre as credenciais existem algumas que dão direito à participar da seção
oficial e outras, como a minha, que permitem apenas circular pelos espaços
comuns.

Há, também, uma enorme variedade de debates e workshops acontecendo
paralelamente, organizados por todos os tipos de entidades. Bem como, stands de
países, empresas e algumas ONGs. Todos fazendo propagando de suas
"maravilhas".

E mesmo para quem mora em Genebra, a diversidade de linguas, roupas, costumes e
rostos impressiona. Só agora tenho a exata noção de que estou em um evento da
ONU. Arabes com suas vestes tradicionais, generais africanos cheios de
medalhas,  homens de terno bem cortado, mulheres em saris coloridos...

E há, ainda, uma quantidade enorme de jornalistas, de todos os lugares do
mundo.
O que me deixa mais envergonhado com a falta de cobertura da imprensa
brasileira (somente hoje pude ler uma nota perdida na editorial de informática
da Folha de São Paulo).


2 - Abertura da WSIS

Terminou agora a abertura oficial da Cúpula, dirigida pelo presidente da
Suíça (aliás, o parlamento está reunido e, pela primeira vez em muitos anos, o
"compromisso" pode ser quebrado, por conta do crescimento da extrema-direita).

O secretário geral da ONU, Koffi Anan, fez um belo discurso onde apresentou as
desigualdades do mundo contemporâneo e salientou o papel que a comunicação e as
tecnologias da informação podem ter na superação deste fosso. Mas, foi apenas
isso: um belo discurso. É triste ver que a ONU não tem poderes para fazer nada
além de um apelo às nações mais desenvolvidas. Um apelo à razão não me parece
fazer muito eco nos dias de hoje.

Nos discursos seguintes, pudemos notar as graves contradições que repousam por
debaixo dos aparentes consensos do linguajar diplomático.

O presidente da Túnisia, sede da segunda fase desta Cúpula (em 2005), falou da
importância da liberdade de imprensa, enquanto seu país é acusado de prender e
matar jornalistas.

O representante das empresas privadas chamou a atenção para a importância dos
direitos de propriedade intelectual para o desenvolvimento humano. Justamente o
oposto do que defende o documento oficial da sociedade civil (aprovado por
unanimidade e que será oficialmente apresentado amanhã).

Parece que vai ser dificil superar tantas divergências, por mais que os
sorrisos
e apertos de mão procurem dizer o oposto.

Aliás, o cancelamento da vinda de muitos chefes de Estado (como Lula) parece
indicar que estamos longe de um consenso para o documento final.

No próximo informe pretendo analisar melhor estes impasses.


Gustavo Gindre
INDECS
- de um cibercafé no Palexpo e ainda lutando contra estes teclados em francês
(e
agora também contra as teclas de acesso do Linux)

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