[radiolivre] [Prometheus] Boletim Prometheus - 11/08/05
- From: "Gustavo Gindre" <gindre@xxxxxxxxxxxxx>
- To: <prometheus@xxxxxxxxxxxxxxxxxxx>
- Date: Fri, 12 Aug 2005 12:35:41 -0300
Boletim Prometheus
Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura
( <http://www.indecs.org.br/> www.indecs.org.br ?
<http://www.prometheus.org.br/> www.prometheus.org.br) ? Em breve
?Democratizar a comunicação para democratizar a sociedade?
Boletim Prometheus ? Nova Fase - 11 de agosto de 2005
Prometheus conta com a parceria da Fundação Ford e o apoio da Editora
Glasberg ACR S.A.
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Nossos parabéns às revistas Caros Amigos (100 números publicados) e Ocas
(3 anos de existência)
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1 ? <> Telesul entra no ar na data de aniversário de Simon Bolivar
2 ? Ministro quer levar a Lei Geral de Comunicação <> para o MiniCom
3 ? Governo define <> proposta de governança da Internet
4 ? O que acontecerá com o Sistema Brasileiro de TV Digital?
5 ? Resultado do Grupo <> Interministerial pode ser prejudicial às
rádios comunitárias
6 ? Helio Costa disputa <> projetos de inclusão digital e questiona
software livre
7 ? Assinatura básica <> permanece como está, ao menos por enquanto
8 ? <> Helio Costa indica secretário-executivo com aval de Jader
Barbalho
9 ? <> Reações às declarações de Costa demonstram preocupação da
sociedade civil
10 ? <> Enquanto fala em conteúdo nacional, Globo troca Rá-Tim-Bum por
Mickey Mouse
11 ? Cineasta <> norte-americano segue preso no Iraque
12 ? <> Notas
13 ? Expediente <>
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1 ? Telesul entra no ar na data de aniversário de Simon Bolivar
No dia 24 de julho, entrou no ar a Telesul (Telesur, em espanhol), com o
espírito de promover a perspectiva latino-americana e a integração dos
povos da região. Com o lema de ?Independência sim, neutralidade jamais?,
a Telesul não terá anunciantes e será financiada pelos governos da
Venezuela, Argentina, Cuba e Uruguai. A programação será composta 40% de
jornalismo e 60% por programas culturais de produtores independentes e
TVs comunitárias latino-americanas. Segundo a emissora, a proposta
jornalística é veicular uma informação diferente, sem ser submetida ao
interesse comercial. No tocante à programação cultural, o objetivo é
tratar de temas ?ocultos?, como a história de Zumbi dos Palmares, por
exemplo.
A intenção de combater o pensamento único causou reações por parte do
governo norte-americano. O Congresso de lá aprovou a transmissão de sons
e imagens para a Venezuela, para replicar o ?anti-americanismo? do
canal. Isso significa ter um sinal de TV que tente divulgar a imagem dos
EUA e dialogue sobre a ?verdadeira liberdade?, em resposta ao que o
governo norte-americano se refere como ?autoritarismo chavista?.
Tendo estreado no dia do aniversário de Simon Bolívar, a programação do
canal será bilíngüe, em português e espanhol, e terá nesse início quatro
horas inéditas, aumentando para oito em setembro. Para garantir a
proposta de independência frente aos governos, a Telesul terá um
conselho assessor, com 28 personalidades como Ignacio Ramonet, Adolfo
Perez Esquivel, Tariq Ali, Eduardo Galeano, o norte-americano Harry
Belafonte e os brasileiros Walter Salles, Fernando Morais e Orlando
Sena.
No Brasil, a Telesul pode ser captada por parabólica (as especificações
estão abaixo). Algumas TVs irão retransmitir o sinal, como a TV
Comunitária de Brasília e a TV Educativa do Paraná.
Satélite: NSS 806
Banda: C
Transpondedor: 17
Polarización: Derecho Circular
Frecuencia de Bajada: 4119.0000 Mhz
Modulación: QPSK 4000k
Symbol Rate 2960 Msymb/seg
Fec 3/4
TVRO 2.4 m
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2 ? Ministro quer levar a Lei Geral de Comunicação para o MiniCom
Ao assumir o Ministério das Comunicações (MiniCom), o senador Hélio
Costa (PMDB-MG) anunciou a intenção de levar para seu ministério a
coordenação do processo de elaboração da Lei Geral de Comunicação de
Massa (rádio, TV aberta e TV paga), atualmente sob responsabilidade da
Casa Civil.
Embora possa soar como uma questão menor, a coordenação do processo
tende a definir muito sobre sua continuidade. Desde o final da década de
70, o Brasil discute a possibilidade de uma nova Lei Geral da
Comunicação, que possa substituir o Código Brasileiro de
Telecomunicações, de 1962. A última tentativa mais sólida se deu no
governo Fernando Henrique Cardoso, primeiro com Sérgio Motta e, ao
final, com Juarez Quadros.
Em 2004, o Ministério da Cultura anunciou o projeto de uma Agência
Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), que interferia em
questões do audiovisual. A proposta foi criticada pelos empresários,
defensores do atual quadro de ausência de regulação.
No entanto, o governo não abriu mão da idéia de regular o setor e, para
facilitar a tramitação da Ancinav, remeteu as questões de regulação para
uma Lei Geral de Comunicação de Massa. Sabendo da importância e da
centralidade do tema, o governo delegou à Casa Civil a coordenação do
projeto, como forma de ?manter as rédeas? e de garantir um debate
interministerial.
No momento da troca de ministério, estava para ser nomeado o grupo
interministerial que conduzirá o processo, a ser coordenado pelo
assessor da Casa Civil Israel Bayma, e o comitê consultivo, com
participação da sociedade civil organizada, a ser coordenado por André
Barbosa.
A julgar pela ausência de sinalização, a situação parece indefinida
dentro do próprio governo. Há riscos de que ?manter as rédeas? possa
significar, nesse momento, não deixar o processo andar. O medo do
governo é que, em tempos de crise, qualquer movimento no sentido
contrário ao interesse da grande mídia possa significar prejuízo
político.
* Segundo o boletim eletrônico Pay-TV, provavelmente no dia 17 de
agosto acontecerá reunião do presidente Lula com a ministra-chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff, e outros ministros para discutir o futuro de
projetos que hoje estão vinculados à Casa Civil e que possuem relação
com a área da comunicação.
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3 ? Governo define proposta de governança da Internet
No dia 18 de julho, na cidade de Genebra, foi entregue o relatório do
Grupo de Trabalho sobre Governança da Internet (WGIG, na sigla em
inglês), que, por mandato da primeira parte da Cúpula Mundial sobre a
Sociedade da Informação (CMSI), assessorava o secretário-geral da
Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan.
O relatório sugere quatro modelos possíveis para um novo regime global
de governança da infra-estrutura da Internet. Todos os modelos têm como
pressupostos o fim da dependência da ICANN (Internet Corporation for
Assigned Names and Numbers) com o governo norte-americano e a construção
de novas relações multilaterais.
Os governos têm até o dia 15 de julho para se manifestarem sobre estes
modelos propostos pelo WGIG.
Brasil
A Comissão de Trabalho sobre Governança da Internet do Comitê Gestor da
Internet do Brasil (CGIBr) se reuniu no dia 08 de julho, em Brasília, e
apresentou um documento que procura incorporar elementos do relatório do
WGIG, mas indica a radicalização de aspectos como a multilateralidade, a
participação da sociedade civil e a transparência.
A proposta do CGIBr foi encaminhada ao Grupo Interministerial sobre
Sociedade da Informação (GISI) como subsídio para que o governo
brasileiro possa, então, encaminhar oficialmente sua manifestação sobre
o relatório do WGIG.
* A equipe do INDECS / Prometheus possui cópia em formato eletrônico
do relatório do WGIG (em inglês e português) e da proposta do CGIBr para
os interessados.
* Conforme noticiamos em edição especial, durante o último encontro da
ICANN, seu presidente, Vincent Cerf, informou que o Memorando de
Entendimento entre o Departamento de Comércio dos Estados Unidos e a
ICANN pode ser renovado em 2006, caso o governo norte-americano não
concorde com a posição aprovada na CMSI.
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4 ? O que acontecerá com o Sistema Brasileiro de TV Digital?
Uma das primeiras falas públicas de Hélio Costa foi sobre a TV Digital.
Segundo ele, o Brasil não teria condições de desenvolver um padrão
próprio para a digitalização, pois não haveria condições financeiras
para isso. Além disso, em suas palavras: "não se pode esperar a vida
inteira pelas posições dos técnicos". A fala do novo ministro refletia a
posição dos radiodifusores, que têm pressa na transição e querem ver as
definições sendo tomadas o quanto antes.
Sete dias, no entanto, foram suficientes para fazer o quadro mudar, ao
menos em parte. Já no final de julho, o ministro anunciava que a
implantação pode levar dez anos, que deve se pensar na inclusão digital,
que deve ser desenvolvido um conversor barato e que o Brasil pode ter um
sistema com características próprias.
Há várias explicações para o que aconteceu.
Podem ter havido pressões internas do governo, dos pesquisadores
envolvidos, pressões externas ou tudo isso junto. O fato é que, para
além disso, parece que o ministro percebeu que seria difícil negar todo
o investimento já feito até aqui no Sistema Brasileiro de TV Digital
(SBTVD). Com um Decreto Presidencial em vigor e verbas alocadas, não
seria possível simplesmente ignorar os 22 consórcios, quase 80
instituições e centenas de pesquisadores que já trabalham nessa
proposta.
Por outro lado, não se pode desprezar o forte lobby das emissoras de TV
e sua influência perante o novo ministro.
Os pesquisadores, aliás, estão em uma situação delicada, depois do
contingenciamento de R$ 14 milhões pelos ministérios da Fazenda e do
Planejamento. Do total previsto de R$ 65 milhões, já foram repassados à
Finep R$ 39 milhões. O restante não foi liberado, ainda que sua execução
já tenha sido publicada em Diário Oficial. O que termina por impedir,
por exemplo, a construção da estação experimental planejada pelo CPqD.
Na semana passada, Costa tentou justificar as distintas declarações
diferenciando modelo, padrão e sistema. Em relação ao primeiro, disse
que talvez a alta definição não seja a mais adequada para o Brasil. Em
relação ao padrão, acha difícil uma opção fora dos três já
desenvolvidos. Já em relação ao sistema, o ministro apontou alguns
campos em que pode haver um desenvolvimento brasileiro, como o
middleware. Isso se explica pelo fato de que o debate sobre TV Digital
inclui uma série de ?camadas? em suas definições técnicas. O padrão de
modulação, principal diferença entre os sistemas japonês, europeu e
norte-americano, é apenas uma delas.
* O coordenador do SBTVD, Augusto Gadelha, trocou o Ministério das
Comunicações pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
do Ministério da Ciência e Tecnologia. Ainda não há definição sobre o
nome do novo coordenador.
* Enquanto isso, desde a posse de Helio Costa, o Conselho Consultivo
do SBTVD, composto por membros da sociedade civil, não se reuniu nenhuma
vez.
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5 ? Resultado do Grupo Interministerial pode ser prejudicial às rádios
comunitárias
Está previsto para agosto o fim dos trabalhos do Grupo de Trabalho
Interministerial (GTI) criado para debater e encaminhar as questões
sobre radiodifusão comunitária.
No entanto, o desvirtuamento do trabalho nas últimas semanas fez crescer
o risco de os resultados serem mais próximos dos interesses da
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) do que
das propostas das entidades representativas do setor comunitário.
Esse caminho já estava sendo anunciado quando, logo ao assumir, Hélio
Costa cancelou a reunião do GTI que haveria naquela semana. Na retomada
das reuniões, o ministro declarou a preocupação de que as rádios já
existentes sigam rigorosamente a lei, que vem sendo denunciada pelas
rádios comunitárias como um entrave ao seu funcionamento. O sinal mais
recente foi a última reunião do GTI, realizada no dia 26 de julho, na
qual os movimentos de rádios comunitárias foram impedidos de ir, mas a
Abert esteve presente.
Segundo a própria página da Abert, na reunião a entidade ?destacou sua
preocupação com o contumaz desvirtuamento das finalidades do Serviço de
Radiodifusão Comunitária, sustentando ser prática comum a muitas
emissoras o total desrespeito a legislação em vigor e aos princípios do
Serviço, principalmente no pertinente a potência autorizada e cobertura
permitida, comercialização indiscriminada de espaços da programação e
não integração de redes obrigatórias?.
O que os relatórios finais do GTI vão dizer ainda não está claro, mas há
o risco de que o grupo de trabalho, criado no intuito de apoiar a
viabilização da radiodifusão comunitária, tenha como resultado um
aumento ainda maior da repressão.
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6 ? Helio Costa disputa projetos de inclusão digital e questiona
software livre
?A bandeira da inclusão digital será prioridade para o ministério?. A
afirmação de Hélio Costa revela a intenção do novo ministro em deixar
sob sua pasta os programas que estão sendo desenvolvidos na área, como o
Casas Brasil, o Computador para Todos (PC Conectado) e o Um Laptop por
Aluno, projeto em estudo, desenvolvido pelo MediaLab do Instituto de
Tecnologia de Massachussetts (MIT). Atualmente quem coordena esses
projetos é a Casa Civil, especialmente por meio do Instituto Nacional de
Tecnologia da Informação (ITI).
Na briga pelo controle dos programas, uma questão sobre a qual Hélio
Costa fez questão de estabelecer polêmica foi o incentivo ao uso de
software livre promovido pelo Governo Federal. Costa deu declarações
dizendo que não adianta dar instrumento gratuito se a manutenção é cara.
Mais do que a crítica em si, o comentário revela um desapego àquela que
é apontada como uma das principais políticas do governo na área de
tecnologia. O quadro fica ainda mais incerto com a provável
desvinculação do ITI da Casa Civil e a saída do seu atual presidente.
Sob a coordenação de Sérgio Amadeu, o ITI se tornou o principal
responsável pela política de software livre do governo federal.
Depois das declarações de Costa, os defensores da política, preocupados
com sua continuidade, pediram uma audiência com o ministro. A Casa Civil
está analisando um decreto que torna obrigatório o uso de software livre
em programas do governo federal. E mesmo dentro do MiniCom há defensores
dessa política. No caso do Programa Gesac, Antonio Albuquerque, que
coordena a iniciativa, defendeu a utilização de software livre nos
telecentros.
Em meio ao cabo-de-guerra tácito, os programas continuam em andamento. O
Gesac inicia a instalação de mais 1,2 mil pontos de acesso à Internet
banda larga via satélite e vai chegar a 4,4 mil. No caso do Computador
para Todos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) anunciou que deve disponibilizar uma linha de financiamento no
valor de R$ 300 milhões. Além do BNDES, o projeto será viabilizado por
meio do microcrédito e do financiamento pelos bancos públicos.
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7 ? Assinatura básica permanece como está, ao menos por enquanto
O anúncio do ministro Hélio Costa da intenção de acabar com a assinatura
básica da telefonia fixa, no dia 8 de julho, causou rebuliço. No dia 11,
ele mudou de idéia, pressionado interna e externamente. Além das três
operadoras de telefonia fixa, as críticas vieram também da Associação
Nacional de Investidores do Mercado de Capitais (Animec), em tom de
ameaça. A Associação citou um estudo de uma consultoria apontando que no
momento em que o ex-ministro Miro Teixeira questionou os reajustes das
tarifas, houve uma brusca queda do valor de mercado das operadoras.
O fim da assinatura já vem sendo pleiteado em diversas localidades, por
meio de ações judiciais. No entanto, essas ações terminam derrotadas
judicialmente por serem consideradas inconstitucionais, já que o artigo
22 da Constituição Federal prevê que é da competência da União legislar
sobre telecomunicações.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2003 aponta que 62%
dos domicílios brasileiros têm telefone. Segundo a Pesquisa de
Orçamentos Familiares 2002-2003 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), a família brasileira gasta em média R$ 31,86 por mês
com telefonia. Certamente a assinatura básica tem um peso grande nesse
gasto. Em 1994, a assinatura custava R$ 0,69. Em 2005, esse valor chega
em São Paulo a R$ 35,55, o que configura um aumento de mais de 5.000%,
bem maior do que a inflação do período, cerca de 150%. A assinatura
corresponde a aproximadamente 40% do faturamento mensal das empresas.
Depois do burburinho, Costa voltou atrás e disse que estava preocupado
com o acesso da população ao serviço. O ministro apresentou a proposta
de reduzir a carga tributária para a população mais carente ou de
utilizar o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações
(FUST) para reduzir o valor da assinatura. Também a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) começou a estudar soluções para diminuir o
valor atualmente cobrado. Hoje, na assinatura, há uma franquia de 100
pulsos por mês. Uma das possibilidades é eliminar essa franquia e
descontar esse valor do preço da assinatura. Outra preocupação da
agência é mudar a medida de tarifação, que hoje é o pulso, para minutos,
facilitando o controle por parte do consumidor. Em 2006, serão renovados
todos os contratos de telefonia fixa. A idéia é que as novas regras já
estejam definidas até lá.
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8 ? Helio Costa indica secretário-executivo com aval de Jader Barbalho
Assim como seu antecessor, deputado federal Eunicio Oliveira (PMDB-CE),
o ministro Helio Costa nomeou para secretário-executivo do Ministério
das Comunicações (na prática, uma espécie de vice-ministro), alguém que
não possui vínculos com o setor da comunicação.
O paraense Tito Cardoso de Oliveira Neto é engenheiro civil, foi
presidente e diretor de negócios da Dataprev, diretor
econômico-financeiro das Centrais Elétricas do Pará (CELPA), presidente
da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de
Belém (CODEM), diretor financeiro da Assembléia Legislativa do Estado do
Pará e assistente legislativo no Senado Federal.
A nomeação conta com o apoio do deputado federal Jader Barbalho
(PMDB-PA), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e
Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados e proprietário da
retransmissora da TV Bandeirantes no Pará.
Em 2001, Jader Barbalho foi obrigado a renunciar ao seu mandato de
senador para escapar de um processo de cassação. Na oportunidade, o
Partido dos Trabalhadores (PT) defendeu a cassação de Barbalho.
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9 ? Reações às declarações de Costa demonstram preocupação da sociedade
civil
As declarações dadas por Hélio Costa no início de sua gestão no MiniCom
não soaram bem para diversos setores da sociedade civil organizada e do
próprio governo. Para os primeiros, porque elas representam a afirmação
de uma agenda do interesse comercial na comunicação. Para alguns
governistas, porque as intenções anunciadas vão no sentido contrário ao
que vinha sendo encaminhado até agora, como na tentativa de levar ao
MiniCom o debate da Lei Geral de Comunicação de Massa (que por decreto
presidencial já estava alocada na Casa Civil) e nos questionamentos
sobre os limites do Sistema Brasileiro de TV Digital, em pleno
funcionamento.
Algumas das entidades que manifestaram preocupações nesse sentido foram
a Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), que faz parte
do Comitê Consultivo da TV Digital, e a Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj), também participante deste comitê. Gabriel Priolli,
representante da ABTU, manifestou preocupação quanto à pressa
demonstrada pelo ministro. Celso Schröder, representante da Fenaj, se
mostrou apreensivo quanto ao uso da expressão ?modelo? para o Sistema
Brasileiro de TV Digital por Hélio Costa ao questionar as possibilidades
do Sistema. A expectativa da Fenaj é de que o debate não se restrinja a
modelos e que se mantenham os avanços em relação a conteúdo.
O Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), por meio de seu presidente,
Geraldo Moraes, destacou que Costa é defensor do livre-mercado e que a
tendência é de que todas as tentativas de fortalecer a regulação do
setor sejam deixadas de lado.
Também o Coletivo Intervozes se manifestou em carta na qual afirma que
?historicamente, Hélio Costa tem defendido no Congresso Nacional os
interesses dos grandes empresários da comunicação do país, representados
principalmente pela Abert. Agora, comprova que sua gestão tem pouca
disposição para dialogar com a sociedade civil e democratizar as
comunicações no país?. A entidade explica que ?espera do ministério
atitudes concretas para inverter o paradigma da mídia brasileira, que
deve servir ao interesse público, em detrimento da busca do lucro?.
Em sua posse, Hélio Costa saudou as figuras de alguns ex-ocupantes da
pasta, entre eles, Antônio Carlos Magalhães, considerado ?entendedor
profundo do sistema de comunicação nacional?, com quem Costa declarou
querer se aconselhar muito, ?por sua experiência, por sua qualidade de
administrador?. Costa citou ainda Djalma Morais e Pimenta da Veiga,
descrito como amigo e companheiro. A se julgar pelas referências, as
preocupações das entidades parecem mesmo fazer sentido.
Com informações do Boletim de Divulgação do Fórum Nacional pela
Democratização da Comunicação (FNDC)
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10 ? Enquanto fala em conteúdo nacional, Globo troca Rá-Tim-Bum por
Mickey Mouse
A estratégia da Globo para se defender do avanço das operadoras de
telefonia no setor audiovisual passa por se colocar como defensora no
conteúdo nacional diante de grandes grupos transnacionais. Mas, a
holding GloboPar parece não estar disposta a adotar esta mesma
estratégia em sua própria casa.
Depois de vender o controle acionário da operadora de TV a cabo NET
Serviços para o grupo mexicano Telmex e da Sky Brasil para a News
Corporation, a Globo manteve a prerrogativa de definir quais canais
brasileiros podem, ou não, ser transmitidos por estas empresas de TV por
assinatura (e mais a DirecTV, que se encontra em processo de aquisição
pela Sky). Juntas, elas representam mais de 75% da base de assinantes
brasileira.
Recentemente, a NET passou a transmitir o sinal do Disney Channel, que
se soma ao Cartoon Network, Nickelodeon, Discovery Kids, Jetix e
Boomerang. Todos pertencentes a empresas de capital estrangeiro.
Ao mesmo tempo, NET e Sky alegam falta de espaço na grade de programação
para transmitir o canal infantil TV Rá-Tim-Bum, criado pela TV Cultura
do Estado de São Paulo. Assim, o primeiro canal pago infantil nacional
fica privado de chegar à maioria dos assinantes da TV paga brasileira.
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11 ? Cineasta norte-americano segue preso no Iraque
O cineasta Cyrus Kar, 44 anos, nascido no Irã e vivendo nos Estados
Unidos desde os 2 anos de idade, foi detido no Iraque quando filmava
escavações arqueológicas para um documentário sobre o antigo império
Persa.
A alegação de uma fonte anônima do Pentágono é que seu carro
transportava ?dezenas de cronômetros de máquinas de lavar?, usados para
a fabricação de bombas caseiras.
O problema dessa alegação é que ela não pode ser checada, porque
oficialmente o Pentágono se recusa a revelar se Kar está mesmo detido e
qual o motivo de sua prisão.
O cineasta naturalizado norte-americano será encaminhado a um conselho
sigiloso, formado por três oficiais das Forças Armadas dos Estados
Unidos, sem direito a um advogado presente, que decidirão o que fazer
com seu caso.
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12 - Notas
* O jornalista Gustavo Gindre, coordenador-geral do INDECS, passa a
assinar coluna semanal no website Fazendo Media (www.fazendomedia.com
<http://www.fazendomedia.com/> ).
* A partir de agora, o Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGIBr)
passa a divulgar as atas de suas reuniões poucos dias após a realização
destas (http://www.cgi.br/acoes/realizadas.htm).
* Em reunião com a campanha ?Quem financia a baixaria é contra a
cidadania?, o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade do Ministério da Educação, Ricardo Henriques, se comprometeu
com a realização de um seminário sobre Direitos Humanos e Diversidade na
Mídia, com data indicativa para o mês de setembro de 2005.
* O número de telefones celulares habilitados chegou a 75,5 milhões em
junho. Isso significa um crescimento de quase 40% nos últimos doze
meses. Proporcionalmente, o Norte e o Nordeste cresceram acima da média,
mostrando uma capilarização do mercado. A unidade da federação com mais
celulares por habitante é o Distrito Federal, que chega a ter 113,4
linhas para cada 100 habitantes. Os celulares pré-pagos continuam a
dominar o mercado, com mais de 80% do total.
* De uma parceria da Fundação Raoni com a ONG União Planetária nasceu
o Canal Aldeia Virtual. Em iniciativa inédita, os próprios índios irão
produzir e editar os programas transmitidos. No início, serão quatro
programas semanais de uma hora, sem grade definida. A programação é
variada, e inclui reportagens, documentários e filmes. O Aldeia Virtual
será sediado em um aldeia Caiapó, no Mato Grosso. O canal será
transmitido pela Mais TV (por assinatura) e pretende ocupar espaços na
TVE. Futuramente, a proposta é que se transforme em um canal
comunitário.
* A Globopar, holding que controla os negócios da Globo, concluiu a
renegociação de sua dívida. A reestruturação de R$ 1,23 bilhão em bônus
e dívidas com bancos prevê novos títulos, com prazos mais longos (até
sete anos), e mesmo valor de face dos antigos. Além disso, para duas das
cinco séries de bônus a empresa fará pagamentos em dinheiro, com
recursos da venda de sua participação na operadora NET Serviços para a
Telmex. Haverá a recompra de parte dos títulos da dívida por meio de
leilão reverso (dutch auction).
* A venda de ingressos de cinema em junho de 2005 caiu 43% em relação
ao mesmo mês de 2004, segundo a empresa Filme B. São aventadas duas
hipóteses para esta queda, uma de caráter conjuntural (safra de títulos
fracos) e outra estrutural (o DVD estaria substituindo o hábito das
salas de cinema).
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13 - Expediente
?Quanta verdade um homem é capaz de suportar?? (Nietzsche)
Envie críticas, sugestões e comentários ? Tel.: 55-21-2247-9219 ?
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Projetos em Comunicação e Cultura (INDECS).
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