[radiolivre] Re: Pirataria no ar, Bandeira Negra FM
- From: juliana lima <jupagul@xxxxxxxxxxxx>
- To: radiolivre@xxxxxxxxxxxxx
- Date: Sat, 19 Mar 2005 05:44:00 -0300 (ART)
Olas,
sobre questionamentos
COMO
Não confundi meu argumento. Aliás, acho que confuso
foi o fato do Paulo ter considerado a divulgação da
entrevista sobre a Rádio Bandeira Negra FM "uma forma
de como não se deve propagar os ideais de uma Rádio
Livre." Uma vez que, que a emissora na própria
entrevista nega que a enissora seja uma Rádio Livre. O
próprio Paulo explicou isto, na mensagem seguinte.
Valeu pela paciencia em manter o diálogo, com gozo, ou
não. E vamos lá, tamo aqui... o local das opiniões
(mais um, entre muitos, oxalá....)
Se a Bandeira Negra não se considera uma RL então
porque a existência da Rádio pareceu algo ameaçador a
identidade da R'ádio Livre ?Considero que não existe
ameaça à identidade da rede e nem ao conceito (sem
dono, infinito, multiplicador) de Rádio Livre .Acho
pouco provável que um coletivo anarquista, que gere,
produz e transmite radioativamente ameace a
identidade da Rede de Rádios Livres.
A questão pelo que entendi saltou da divulgação de uma
entrevista sobre a Rádio Bandeira Negra FM, para a
divulgaçào do conceito de RL e sua apropriaçào e como
isto ameaça a identidade da Rede de Rádios Livres.
Porque a entrevista ameaça a identidade da Rede de
Rádios Livres e constitui uma apropriação do conceito
de rádio livre ?
Então vamos tentar entender e questionar
ONDE
sim, todas as experiências são questionáveis. Só que é
menos produtivo quando o questionamento a alguma
prática, objeto, etc é feito sem que as pessoas que
fazem parte dessa realidade in loco possam se
manifestar.
Neste sentido, fiz a observaçào sobre questionarmos à
experiência da Bandeira Negra aqui na lista, sem
termos integrante do coletivo aqui, nos baseando em
uma entrevista... Ao invés de procurarmos antes
realmente conhecermos a emissora e seu coletivo. Ainda
que a Rádio Muda seja uma experiência consolidada,
acho louvável que muitas vezes o coletivo se
questione, sei de pessoas do coletivo que se frustaram
, sei de grandes dissensos, mas acho que a Muda tem
espaço para seus questionamentos, pensar seus
processos, determinar suas ações. Pessoas que não
pertencem ao coletivo podem questionar, podem ! mas
muitas entendem que não devem pois respeitam os
limites das possibilidades de "intervenção" desses
questionamentos. Então, gostaria de reiteirar que
incentivo os questionamentos, a toda hora e momento,
seja a quem/que for, apenas poderíamos facilitar para
que o objeto em questão participasse e poderíamos
antes de levantar algumas afirmações confirmar se
procedem. Daí... questionemos a Rede de Rádios Livres.
Questionemos a identidade da rede e as possíveis
ameaças a estas.
Agora, na minha análise dos fatos não é nada
ameaçadoramente apropriativo que um coletivo
anarquista radioativo, se paute em liberdade, se paute
em horizontalidade, em apropriaçào tecnológica, em
prática radiofônica.
POR QUE
O que Motivou este debate é o fato de estarmos
questionando a apropriacão dos conceitos de RL, pela
Bandeira Negra FM pirata . Porque isso pode
culminar numa apropriação dos ideais de uma RL, e
porque isso pode ameaçar a identidade da rede de RL,
e como a prática dos "istas" desvirtua o conceito de
uma RL.
Sugiro que comecemos num ponto em que concordamos,
creio eu: não temos um conceito fechado de Rádio
Livre, e nem o necessitamos.
No entanto, temos algumas linhas, horizontes e curvas
q "seguimos"... Como citados:desmistificação da
técnica, microfones abertos a todxs, diversidade,
pluralidade, recriaçao midiática (o q muitxs
consideram uma especie de vanguarda), prazer...
gostaria de acrescentar contestação, livre expressão,
pertencimento, resistência,(re) construção de uma
realidade, libertação. O que na prática se realiza em
planos individuais e coletivos, em micros e macros
"instâncias".
Por isso, acho legítimo que coletivos de acordo com
seus contextos, processos, valores e objetivos
produzam "suas cartas de princípios". O que para mim
corresponde ao fundamental, discernirmos sobre os
"istas" e suas práticas. Mais ainda, conheço
experiências em que pessoas que progrAMAM na
emissora, não correspondem ao pequeno número que gere,
ou seja, que rala pra manter a emissora no ar.
Geralmente, essas pessoas que ralam, que trampam para
gerir a emissora, têm como princípio combater
opressões, para manter as rádios livres do "poder" e
do "dinheiro". E não apenas utilizam a rádio, se
comprometem a fazer, a pertencer.
"Poder" e "dinheiro" se transfiguram conforme a
necessidade histórica da dominação. Então podem
aparecer , por exemplo, gravadoras com jabás
inovadores independentes, podem aparecer caravanas
incentivadoras da tomada da palavra, porém o exercício
de discernimento sobre o que estrutura estas
propostas, pode levar algumas pessoas à conclusão de
que não passam de novas formas de dominação do "poder"
e do "dinheiro".
Então, estas pessoas que ganham seu tempo
voluntariamente ralando em uma emissora que também
busca diversidade, resistência, pertencimento,
liberdade não se dispõem a continuar trabalhando para
manter esta estrutura, e passam a contestar. E surge
daí, por exemplo, uma necesidade de se construir
princípios comuns a quem estará atuando na rádio.
Obviamente que a Muda madurô com debates, inclusive
no caso "nazista". Mas, as consequências, resultados
desse debate são experiências da Muda, pela Muda.
Esses resultados podem não servir a outros coletivos e
consequentemente, à Rede. Outras rádios, já passaram
por dilemas semelhantes e chegaram a outros
resultados, como as cartas de princípios. E aí está,
na minha opinião, um mapa sobre as novas resistências
e as novas formas de dominação. Isso não é ter medo
de certas idéias, etc... Isso é garantir um espaço
seguro para que novas formas de resistência passem a
existir. É não reproduzir a estrutura e fins das
rádios comerciais, por exemplo.
Mas repito, esta é a minha percepção, pode ser a de
outras pessoas. Mas, não necessariamente a da Rede, ou
sequer de um coletivo, como não é o do coletivo da
Muda.
Agora, acredito que seja uma luta comum garantir que
eu possa pensar assim e possa propagar as minhas
versões, visões, aversões. E que outros coletivos
possam ter suas cartas de princípios, sem que isso
seja uma ameaça a identidade da Rede. Estariam estas
rádios fora do conceito de RL ?
A apropriação dos ideais de uma Rádio Livre, assim
como sua prática, se torna mais legítima quando
construída de acordo com a realidade de seu coletivo.
E a identidade da Rede de Rádios Livres está em
constante construção. Fomentada por esta diversidade
dos coletivos que a formam.
Gostaria de saber a quais "istas" estamos nos
referindo , sob qual perspectiva ? Estamos falando dos
anarquistas ? Porque eles são tão ameaçadores a REde ?
QUEM
Estou muito tranquila ! Quanto as sementes e as
regadoras antenadas, inclusive. Realizando
microfísicos desejos, soprando livremente a viva
cidade. Agora está dita dura realidade, estou no
combate ao regulatório, demagogias, "ao dinheiro", "
ao poder". Que floresçam piratas, laboratórios,
populares e livres. E força total à Bandeira Negra.
Se possível continuem repassando o debate, a quem é ou
não é... !
em libertação,
JUL
--- Thiago Novaes <tnovaes@xxxxxxxxx> escreveu:
> Continuando...
>
> > Considerei as observações do tipo "duvido que os
> > compas anarquistas toquem samba","se denominam
> pirata
> > para se aproximar da ZL, quanto fervor
> revolucionário
> > e resistência..." formas explicítas de
> desmerecimento
> > da proposta da rádio Bandeira Negra. Ao invés, do
> que
> > o Thiago Novaes chama de divergência conceitual.
>
> Cada coisa em seu lugar. Meu comentário nada tem a
> ver com preferência
> musical de cada rádio, tampouco critiquei a
> autodenominação "pirata"
> (que considero infantil e infeliz ao movimento,
> registro) ou desmereci
> o projeto. Endossei o questionamento, e até agora
> permaneço com as
> mesmas dúvidas. Rádios livres são essencialmente
> rádios abertas à
> participação de tod@s, como veículos de comunicação
> desmitificadores
> do uso da técnica, criadores de novas linguagens,
> espaços de
> construção da diversidade e vazão da pluralidade.
> Existe sim, a meu
> ver, uma diferença conceitual a ser apontada, e, de
> uma maneira ou de
> outra, ela teve lugar nessa lista, goste você ou não
> da forma como
> isso se deu.
>
> > Afinal, o tipo de comentário feito às respostas da
> > entrevista seriam legítimos se quem o fez
> conhecesse a
> > realidade e o contexto da emissora. Assim, estamos
> > estimulando uma espécie de patrulhamento
> radioativo.Ao
> > invés da solideriedade, ao invés da liberdade, ao
> > invés da autonomia.
>
> Não é patrulhamento. A ralacoco, por exemplo, uma
> rádio de baixa
> potência dentro da unb, feita por estudantes
> universitários, que
> certamente partilham de vários princípios da rede,
> nunca foi uma rádio
> livre. E se assim se proclamasse encontraria quem o
> rebatesse.
>
> > Os comentários irônicos (isso dificulta o
> diálogo),
> > que Thiago Novaes interpreta como questoes
> pertinentes
> > "aos microfones serem abertos ou não, à existência
> de
> > linhas editoriais ou não, e ao modo como se
> > posicionam e "discursam" os compas anarquistas "
> nunca
> > foram feitos à outras experiências, talvez com
> > problemas mais graves dentro dos ideais de uma RL.
> NO
> > ENTANTO, tivemos a sábia decisão de respeitar
> processo
> > de cada emissora.
>
> O fato de nunca se terem questionado as outras
> rádios não torna teu
> argumento válido, Juliana. E isso não é verdade.
> Todas as experiências
> são questionáveis, inclusive a mais consolidada
> entre elas, a Muda,
> que faz já um tempo teve de se "explicar" sobre a
> pretensa presença de
> programas nazistas em sua grade. E fomos
> bombardeados!!! Resistimos e
> saimos fortalecidos do processo.
>
> > Não vejo problema em uma rádio pirata, que comunga
> de
> > muitos "ideais" de uma RL, ter como finalidade a
> > RESISTÊNCIA. Aliás, ainda acredito nas novas
> formas de
> > resistência, contra as novas formas de dominação.
>
> É disso que estamos falando: quais são,
> efetivamente, as novas formas
> de resistência frente às novas formas de dominação?
> Resistência a quê?
> Como? Onde? Pra quê?
>
> > Quando a Marina afirma sentir-se enojada,
> compreendo.
> > Simplesmente, porque é muito anacrônico esse
> > patrulhamento conceitual estar sendo feito aqui na
> > lista da rede de RL.Outrora espaço seguro para que
> > novas experiências radioativas de resistência
> > surgissem,se desenvolvessem.
>
> Elas continuarão a surgir, fique tranquila. Há
> muitas sementes
> espalhadas e muitos regadores bem dispostos. E serão
> todas
> questionadas, pois isso as tornará mais fortes,
> ampliando suas vozes,
> fortalecendo a identidade da rede.
>
> > Se alguém tinha comentários a fazer sobre a
> > pluralidade na programação, aos microfones
> abertos...
> > que o fizessem de forma digna.
>
> Bom, existe um questionamento pertinente, portanto.
> Você não gostou do
> tom e confundiu teu argumento, é isso?
>
> > No mais, peço respeito a quem não tem contatos,
> acesso
> > à net,nem trampolim ao governo, mercado,etc... E
> nem
> > o quer. A quem não quer fazer da prática de rádio
> > livre um abre alas para a Sociedade do Espetáculo.
> > Não acredito que exista uma diversidade que nos
> una,
> > sem nos atentarmos a quem realmente é oportunista.
> >
> > Por que não perguntarmos como podemos garantir que
> a
> > Bandeira Negra continue firme no ar, podemos
> ajudá-la
> > tecnicamente, materialmente. Se for o caso de
> darmos
> > uma força conceitualmente como o faremos
> respeitando o
> > coletivo da rádio e seu contexto ? considero assim
> > estaríamos estimulando a Rede, a diversidade.
> >
> > E, por favor, que o debate vá além de questões
> > pessoais,vaidades e egos...
>
> Eu preferiria. Mas já estou acostumado: ofensas como
> ser chamado de
> cínico são até brandas perto da munição intempestiva
> da Marina. Você,
> Juliana, por sua vez, arriscou umas indiretas, mas
> tudo bem, não
> esperava nada diferente. Quem está preocupado com
> ego aqui mesmo?
>
> Acho sim que temos de nos cuidar com a multiplicação
> necessária das
> rádios. E cuidar para que nossa rede tenha sim uma
> identidade, que não
> é sinônimo de desrespeito à diversidade dos
> processos, mas atenção na
> construção de projetos autônomos, autogeridos e
> plurais, o que implica
> na pluralidade interna de cada rádio. Ah, e que
> estejam todas livres
> do dinheiro, livres do poder.
>
> abços,
>
> Thiago
> PS. acho tão importante essa discussão que estou
> tomando a liberdade
> de repassar a outras listas de rádios, que até onde
> eu sei, são de
> fato livres, ok?
>
> >
> > "o espetáculo domina os homens vivos..."
> >
> > em solidariedade,
> >
> > JUL
> >
> > --- Liberdade <proledobebe@xxxxxxxxxxxx>
> escreveu:
> > > Bom, Thiago, mais uma vez vc e o seu cinismo. A
> > > minha reação é nada menos do q um enojo mto gde
> por
> > > isso td, q vc fomenta, dentre td o cinismo. Não
> vou
> > > ficar me justificando, deixo isso a vc, q mais
> uma
> > > vez vem com um posicionamento vazio e
> provocativo.
> > > Prefiro o debate.
> > > Acho q temos, mais uma vez, uma divergência
> > > conceitual q remete a um debate entre,
> > > especificamente, Deleuze e Guy Debord. Tiro
> disso F.
> > > Guatari pq o vejo como um rico corroborador de
> uma
> > > poisição deleuziana. E o embate mesmo ocorre
> entre
> > > Deleuze e Debord.
>
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---
Lista de discussão do projeto http://www.radiolivre.org
Para ajuda sobre a lista, consulte http://www.radiolivre.org/node/483
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