[radiolivre] Re: Pirataria no ar, Bandeira Negra FM

Continuando...

> Considerei as observações do tipo "duvido que os
> compas anarquistas toquem samba","se denominam pirata
> para se aproximar da ZL, quanto fervor revolucionário
> e resistência..." formas explicítas de desmerecimento
> da proposta da rádio Bandeira Negra. Ao invés, do que
> o Thiago Novaes chama de divergência conceitual.

Cada coisa em seu lugar. Meu comentário nada tem a ver com preferência
musical de cada rádio, tampouco critiquei a autodenominação "pirata"
(que considero infantil e infeliz ao movimento, registro) ou desmereci
o projeto. Endossei o questionamento, e até agora permaneço com as
mesmas dúvidas. Rádios livres são essencialmente rádios abertas à
participação de tod@s, como veículos de comunicação desmitificadores
do uso da técnica, criadores de novas linguagens, espaços de
construção da diversidade e vazão da pluralidade. Existe sim, a meu
ver, uma diferença conceitual a ser apontada, e, de uma maneira ou de
outra, ela teve lugar nessa lista, goste você ou não da forma como
isso se deu.

> Afinal, o tipo de comentário feito às respostas da
> entrevista seriam legítimos se quem o fez conhecesse a
> realidade e o contexto da emissora. Assim, estamos
> estimulando uma espécie de patrulhamento radioativo.Ao
> invés da solideriedade, ao invés da liberdade, ao
> invés da autonomia.

Não é patrulhamento. A ralacoco, por exemplo, uma rádio de baixa
potência dentro da unb, feita por estudantes universitários, que
certamente partilham de vários princípios da rede, nunca foi uma rádio
livre. E se assim se proclamasse encontraria quem o rebatesse.

> Os comentários irônicos (isso dificulta o diálogo),
> que Thiago Novaes interpreta como questoes pertinentes
> "aos microfones serem abertos ou não, à existência de
> linhas editoriais ou não, e ao  modo como se
> posicionam e "discursam" os compas anarquistas " nunca
> foram feitos à outras experiências, talvez com
> problemas mais graves dentro dos ideais de uma RL. NO
> ENTANTO, tivemos a sábia decisão de respeitar processo
> de cada emissora.

O fato de nunca se terem questionado as outras rádios não torna teu
argumento válido, Juliana. E isso não é verdade. Todas as experiências
são questionáveis, inclusive a mais consolidada entre elas, a Muda,
que faz já um tempo teve de se "explicar" sobre a pretensa presença de
programas nazistas em sua grade. E fomos bombardeados!!! Resistimos e
saimos fortalecidos do processo.
 
> Não vejo problema em uma rádio pirata, que comunga de
> muitos "ideais" de uma RL, ter como finalidade a
> RESISTÊNCIA. Aliás, ainda acredito nas novas formas de
> resistência, contra as novas formas de dominação.

É disso que estamos falando: quais são, efetivamente, as novas formas
de resistência frente às novas formas de dominação? Resistência a quê?
Como? Onde? Pra quê?
 
> Quando a Marina afirma sentir-se enojada, compreendo.
> Simplesmente, porque é muito anacrônico esse
> patrulhamento conceitual estar sendo feito aqui na
> lista da rede de RL.Outrora espaço seguro para que
> novas experiências radioativas de resistência
> surgissem,se desenvolvessem.

Elas continuarão a surgir, fique tranquila. Há muitas sementes
espalhadas e muitos regadores bem dispostos. E serão todas
questionadas, pois isso as tornará mais fortes, ampliando suas vozes,
fortalecendo a identidade da rede.

> Se alguém tinha comentários a fazer sobre a
> pluralidade na programação, aos microfones abertos...
> que o fizessem de forma digna.

Bom, existe um questionamento pertinente, portanto. Você não gostou do
tom e confundiu teu argumento, é isso?
 
> No mais, peço respeito a quem não tem contatos, acesso
>  à net,nem trampolim ao governo, mercado,etc... E nem
> o quer. A quem não quer fazer da prática de rádio
> livre um abre alas para a Sociedade do Espetáculo.
> Não acredito que exista uma diversidade que nos una,
> sem nos atentarmos a quem realmente é oportunista.
> 
> Por que não perguntarmos como podemos garantir que a
> Bandeira Negra continue firme no ar, podemos ajudá-la
> tecnicamente, materialmente. Se for o caso de darmos
> uma força conceitualmente como o faremos respeitando o
> coletivo da rádio e seu contexto ? considero assim
> estaríamos estimulando a Rede, a diversidade.
> 
> E, por favor, que o debate vá além de questões
> pessoais,vaidades e egos...

Eu preferiria. Mas já estou acostumado: ofensas como ser chamado de
cínico são até brandas perto da munição intempestiva da Marina. Você,
Juliana, por sua vez, arriscou umas indiretas, mas tudo bem, não
esperava nada diferente. Quem está preocupado com ego aqui mesmo?

Acho sim que temos de nos cuidar com a multiplicação necessária das
rádios. E cuidar para que nossa rede tenha sim uma identidade, que não
é sinônimo de desrespeito à diversidade dos processos, mas atenção na
construção de projetos autônomos, autogeridos e plurais, o que implica
na pluralidade interna de cada rádio. Ah, e que estejam todas livres
do dinheiro, livres do poder.

abços,

Thiago
PS. acho tão importante essa discussão que estou tomando a liberdade
de repassar a outras listas de rádios, que até onde eu sei, são de
fato livres, ok?

> 
> "o espetáculo domina os homens vivos..."
> 
> em solidariedade,
> 
> JUL
> 
>  --- Liberdade <proledobebe@xxxxxxxxxxxx> escreveu:
> > Bom, Thiago, mais uma vez vc e o seu cinismo. A
> > minha reação é nada menos do q um enojo mto gde por
> > isso td, q vc fomenta, dentre td o cinismo. Não vou
> > ficar me justificando, deixo isso a vc, q mais uma
> > vez vem com um posicionamento vazio e provocativo.
> > Prefiro o debate.
> > Acho q temos, mais uma vez, uma divergência
> > conceitual q remete a um debate entre,
> > especificamente, Deleuze e Guy Debord. Tiro disso F.
> > Guatari pq o vejo como um rico corroborador de uma
> > poisição deleuziana. E o embate mesmo ocorre entre
> > Deleuze e Debord.
> > Assim, enqto q eu estou mais para o Debor (vamos
> > deixar as picuinhas de lado e ver o q isso significa
> > na prática), vc estão mais para Deleuze. Como
> > escrevi rapidamente em msg ao site (radiolivre.org),
> > vou repetir aqui: não podemos ficar nas posições
> > bipolares, afinal isso não é nada analítico. E falo
> > isso como quem inevitavelmente (por causa das
> > circusntâncias, a msg do Paulo) teve de se
> > posicionar de forma bipolarizada.
> > Ora, Debord e Deleuze, justamente por debaterem
> > entre si, têm mto em comum. E não somente, não se
> > pode ler um sem ler o outro. Um é o sustentáculo do
> > outro. Enqto q Deleuze defende uma ação sem
> > posicionamentos, comprometida com os agenciamentos e
> > as ações voltadas para a prática; Debord, mais
> > reflexivo, defende uma busca por posicionamentos,
> > uma luta fiel ao mundo do espetáculo. Assim, segundo
> > Debord, a ausência de posições já seria por si só
> > uma posição, especificamente, q se iguala ao
> > espetáculo justamente por tentar combatê-lo. Qdo
> > definimos um inimigo, acabamos nos igualando a ele
> > para combatê-lo (e diga-se de passagem esta sempre
> > foi a melhor estratégia de combate). Assim, os
> > deleuzianos se igualariam ao mundo do espetáculo
> > justamente na medida em q buscariam combatê-lo.
> > Todavia há q haver resistência nisso td. Deve haver
> > aqueles q não se igualam ao espetáculo e contróem o
> > sonho da resistência enqto resistência.
> > Eu vejo anarquistas no movimento de rádios livres,
> > assim como vejo comunistas e ateh skinheads
> > antifascistas. Isso não é posicionamento? Isso vai
> > contra o movimento de RL?
> > Na minha modesta opinião, o q vai contra é aquilo q
> > se atrela ao inimigo.
> > Marina.
> >
> > Thiago Novaes <tnovaes@xxxxxxxxx> wrote:
> > Lista,
> >
> > acho q temos um debate interessante aqui. A despeito
> > das
> > desqualificações da Marina, atribuindo à divergência
> > conceitual uma
> > pretensa ausência de propostas, elas existem, são
> > hoje uma realidade e
> > estão espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, tendo
> > nessa lista um espaço
> > privilegiado de debate.
> >
> > Não percebi nenhuma contrariedade à pluralidade, ao
> > contrário, li
> > questões extremamente pertinentes no que se refere
> > aos microfones
> > serem abertos ou não, à existência de linhas
> > editoriais ou não, e ao
> > modo como se posicionam e "discursam" os compas
> > anarquistas.
> >
> > Acho interessante o posicionamento geral diante da
> > apropriação
> > crescente do conceito de rádio livre, não para
> > estabelecer "donos" do
> > conceito, mas para evitar desvios e oportunismos que
> > nos afastam de
> > uma identidade que, essa sim, respeita e estimula a
> > pluralidade e a
> > diversidade.
> >
> > abços,
> >
> > Thiago Novaes
> > Rádio Muda fm LIVRE !
> >
> >
> >
> >
> > On Fri, 18 Mar 2005 13:41:57 -0300 (ART), Liberdade
> >
> > wrote:
> > >
> > > Hã, o ideal é ser como vcs, vazios de ideologias e
> > de proposta... bela forma
> > > de se inserrir no mercado. Puta rádio livre da
> > hora!!! Se quer conhecer os
> > > anarquistas, vá a teh eles, não fique na
> > superficialidade de quem não tem
> > > porposta de mudança. Esse discurso pretansamente
> > libertário dos s/
> > > ideologia, dos s/ propostas, dos atrelados ao
> > poder, só funciona mesmo aos q
> > > buscam alguma inserção no mercado. E quem é vc
> > para dizer como deve e como
> > > não deve se porpagar o ideal de RL? Este
> > movimento, desde q a Muda é viva,
> > > sempre foi um movimento multicultural, espectral,
> > cheio de vertentes, cheio
> > > de anatomias, cehio de discursos: PLURAL.
> > Contrariar essa pluralidade é q é
> > > um absurso. Bela ponte para as picuinhas..
> > > Marina.
> > >
> > > paulo lara
> > wrote:
> > > Belo exemplo de como não se deve propagar a idéia
> > de rádio livre!!
> > > É impressionante como os neo anarcos estão cada
> > vez mais parecidos com
> > > os pós comunistas e estes por sua vez com os
> > néopós liberais......
> > > comentários abaixo...
> > >
> > >
> > > On Thu, 17 Mar 2005 19:53:09 -0300 (ART),
> > Liberdade
> > > wrote:
> > >
> > > > Pirataria no ar, Bandeira Negra FM
> > > >
> > > > Sem papas na língua e muito jogo de cintura para
> > driblar "os censores
> > >
> > > Jogo de cintura, só pra quem não é doente do pé e
> > eu duvido que eles
> > > toquem samba na rádio.
> > >
> > > >do ar", funciona há 4 meses na Zona Leste da
> > cidade de São Paulo a rádio
> > > > Bandeira Negra FM, pirata e libertária. Para
> > falar sobre ela, o Grupo
> > > > Anarquista Ação Direta concedeu a seguinte
> > entrevista.
> > >
> > > Pirata e libertária??? Se não há nada livre na
> > sociedade, é melhor
> > > usar o manto e o fado que o opressor te impõe?
> > Vestir a camisa do
> > > anacronismo e esperar da retórica a solução??
> > >
> > > > Agência de Notícias Anarquistas > Pra começar,
> > conte como e quando foi a
> > > > criada rádio...
> > > > GAAD < A rádio foi criada em novembro de 2004,
> > ela foi criada após a
> > > > constatação de nossos camaradas e simpatizantes
> > que uma rádio tem um
> > > > alcance, sob certos aspectos, muito melhor do
> > que, por exemplo, um jornal.
> > >
> > > Sob certos aspectos?? Só o Bakunin diria algo tão
> > genial.... os
> > > camaradas e simpatizantes estão portanto, em
> > certos aspectos,
> > > corretos, principalmente quando se trata de uma
> > sociedade com,
> > > digamos, pouca cultura para as letras.
> > >
> > > > Nosso objetivo primeiro é nos mantermos fiéis
> > aos princípios libertários,
> > > os
> > > > demais são conseqüências.
> > >
> > > Isso é como dizer, "nosso fim é a glória ao
> > senhor, e não mediremos
> > > esforços para alcança-lá" Se a rádio não se
> > adaptar aos princípios
> > > libertários e definhar, paciê ncia. Foi
> > consequência da força destes
> > > princípios.
> > >
> > >
> > > > ANA > Qual o nome da rádio? Vocês se definem
> > como uma rádio livre, pirata?
> > > > GAAD < O nome da rádio é Bandeira Negra FM.
> > Somos uma rádio totalmente
> > > > pirata, não podemos ser uma rádio livre, pois
> > nada é livre em nossa
> > > > sociedade, além do mais somos perseguidos.
> > >
> > > Como se já não bastasse ser pirata, eles são
> > TOTALMENTE pirata....
> > > Gostaria de entender o que eles ganham se auto
> > nomeando pirata. Acho
> > > que a simpatia do pessoal da ZL.
> > > Quanto fervor revolucionário e resistência!!
> > Começa pela assimilação
> > > da classificação pejorativa. Engraçado eles serem
> > anarquistas, ou algo
> > > é anárquico em nossa sociedade? A rádio não é
> > livre e a boa e velha
> >
> === message truncated ===
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