[radiolivre] Re: Pirataria no ar, Bandeira Negra FM
- From: rhatto <rhatto@xxxxxxxxxx>
- To: radiolivre@xxxxxxxxxxxxx
- Date: Mon, 21 Mar 2005 01:30:09 -0300
Não conheço nenhuma ferramenta pronta qu faça isso (não que seja
impossível). Pelo menos no CMI isso é feito manualmente e o que
ajuda muito é visualizar os arquivos da lista ordenados por
assunto:
http://www.freelists.org/archives/radiolivre/03-2005/threads.html
Fazer manualmente um resumo de discussão é muito simples.
Por exemplo, no caso dessa última discussão sobre a rádio Bandeira
Negra, o resumo ficaria mais ou menos assim:
Rádio Bandeira Negra - Resumo de Discussão
------------------------------------------
1 - Marina manda para a lista uma entrevista com pessoas da Rádio Bandeira
Negra
http://www.freelists.org/archives/radiolivre/03-2005/msg00016.html
2 - Pajé faz críticas pontuais e questiona o modelo de funcionamento dessa rádio
em comparação com as rádios livres
http://www.freelists.org/archives/radiolivre/03-2005/msg00017.html
3 - Marina responde às críticas de Pajé e fala sobre discursos e ideologias
http://www.freelists.org/archives/radiolivre/03-2005/msg00018.html
4 - Thiago responde à Marina a respeito de divergências conceituais, pluralidade
e conceito de rádio livre
http://www.freelists.org/archives/radiolivre/03-2005/msg00019.html
5 - Marina aponta na divergência conceitual um debate entre Debord e Deleuze
http://www.freelists.org/archives/radiolivre/03-2005/msg00020.html
6 - E assim por diante...
O resumo podira parecer vazio se não fosse o link pra íntegra de cada mensagem.
É claro que os cinco minutos que alguém gasta pra fazer esse tipo
de resumo poderia ser utilizado pra outra coisa se houvesse um
esquema automático, mas aí a gente teria que pensar direito como
o sistema funcionaria.
Talvez isso facilitaria muito em futuros debates.
falow!
rhatto
Em Sun, Mar 20, 2005 at 10:48:25PM -0300, CaZé espacio libre escreveu:
> Ratto qual a possibilidade de fazer no site das rádios livres resumos
> dos processos que foram debatidos, quando o assunto for uma ação
> conjunta das rádios ou encontros, como existe no CMI. Poderíamos
> acompanhar mais facíl os processos de construção da rede, acho que
> seria um bom começo
>
> Uma outra coisa gostaria de me escrever de novo como usuário, como
> faço isso?
> rhatto <rhatto@xxxxxxxxxx> wrote:
>
> Cazé, realmente o site não está sendo usado por quem usa a lista
> e vice-versa. Atualmente o site contém mais tira-dúvidas a respeito
> de tecnologias de webradio e notícias do que textos, debates e
> manuais
> do tipo "como montar uma rádio livre".
> Com isso há grande defasagem entre pessoas que já estão em
> rádios livres - participando desta lista de discussão - e no site
> gente que nunca
> teve muito contato e que gostaria de obter informações a respeito.
> Parte desse problema pode ser resolvido com uma melhor integração
> entre
> o site e a lista, no nível do software, num sistema automático que
> envie
> para lista um resumo das últimas publicações do site e que faça um
> clipping da lista no site. Já estamos correndo atrás disso, mas
> ultimamente
> estamos com alguns problemas com o servidor que impedem que o site
> fique
> online por muito tempo.
> A outra parte do problema poderia ser resolvida se os debates na
> lista
> fossem resumidos - juntamente com os links pro arquivo das mensagem
> da lista
> - e postados no site. Um esforço de todo mundo na lista facilmente
> poderia
> equilibrar os dois espaços.
> Quanto à sua pergunta sobre a existência de um movimento de rádios
> livres,
> acho que talvez seja melhor perguntarmos se existe uma rede de
> rádios livres,
> pois movimento pode pressupor que exista um único caminho definido
> por quem
> está participando. Já uma rede dá a idéia de um local de
> intercâmbio.
> Que tal?
> falow!
> rhatto
> Em Sat, Mar 19, 2005 at 01:27:24PM -0300, CaZé espacio libre
> escreveu:
> > Algumas perguntas que me incomodam:
> >
> > Aceitar a pluralidade não é aceitar críticas? Como as levantadas
> pela
> > Rádio Bandeira Negra.
> >
> > Existe mov. de rádios livres no Brasil?
> >
> > Exitir virtualmente garante a existência pública do mov.?
> >
> > Não é de hoje que venho perguntando qual seria a prática concreta
> > desse tal mov. de rádio livres, além dos projetos locais. Mesmo
> site
> > não está sendo usado, tem até anuncio de um vendedor de vinhetas.
> >
> > A qual seria a base unificadora que aglutinaria as pessoas no
> mov.
> > R.L.?
> >
> > a pluralidade, a liberdade de expressão, anticapitalismo, sem
> > respostas continuaremos chuvendo no molhado
> >
> > Saúde e Anarquia!
> >
> > Liberdade wrote:
> >
> > Olá!
> >
> > Tenho algumas considerações a fazer.
> >
> > Primeiro, creio c/ convicção de q este debate se tratou desde o
> > início, como disse a Jul, de um debate em torno de alguma espécie
> de
> > patrulhamento ideológico. Por um impulso infeliz, foi isso o q o
> > Paulo fez e gerou e isso é mto ruim para o nosso próprio conceito
> de
> > RL. Diante de tal falência, acho q estou tentando levar o debate
> para
> > um lado mais rico, a divergência conceitual entre Debord e
> Deleuze, na
> > busca por algum embate mais produtivo, q vá além - mas mto além -
> das
> > picuinhas pessoais, q ele tanto fomenta. Desculpe, Paulo, mas eu
> nem
> > sei quem é vc, não vou investir nisso p/ sua frustração. P/ falar
> a
> > verdade, isso já não me atinge mais. Só direi q quem põe os
> > sentimentos para fora, não guarda rancor ou raiva.
> >
> >
> >
> > Bom, como um monólogo, o seu email não abre gdes questionamentos,
> não
> > abre gdes ou pequenas discussões.
> >
> >
> >
> > Foi bom saber sobre a Bandeira Negra, q não se consideram RL. Pq
> > estava pensando exatamente isso: ora, se fossem RL estariam no
> > movimentode RL e precem não estar. Agora eu pergunto: por que
> será q
> > essas pessoas, tão interessantes, estão fora do movimento? Será
> por
> > ignorância de sua existência ou por produto de uma decisão
> racional? O
> > que faz elas estarem separados de nós? - acho q são perguntas
> > pertinentes. E mais: posso encaminhar, se a lista tbém achar
> legal,
> > essas e outras questões a eles e repassar à lista as respostas
> depois.
> >
> >
> >
> > Mas acima de td são qeustões para a gente refletir.
> >
> >
> >
> > De qquer modo, acho q o caso da Bandeira Negra nos coloca uma
> > questão, q é a questão sobre a diversidade cultural, q tanto
> buscamos.
> > Essa é uma questão q sempre levantamos na Muda, q eu já publiquei
> como
> > argumento (no caso dos nazistas) e q eu vi q o diretor da Globo
> (não
> > me lembro o nome) tbém publicou como argumento certa vez na
> Folha.
> > Enfim, é uma questão pertinente e q sempre nos impulsionou na
> prática.
> > Mas a quesão q se coloca é q não será precisamente por esse
> argumento
> > q nos distanciamos dos movimentos sociais mais combativos, como o
> > anarquismo q impulsiona a Ban deira Negra? Não será precisamente
> essa
> > "diversidade cultural" q nos coloca diante de um esvaziamento de
> > propostas e projetos, fazendo-nos meros conciliadores de
> propostas não
> > tão precisas? O mesmo esvaziamento, diga-se de passagem, da gde
> mídia,
> > comercial?
> >
> >
> >
> > Isso é algo sobre o q devemos nos curvar, pensar e refletir com
> > precisão, afinal essa é uma das nossas limitações e precisamos
> > refletir sobre elas para superá-las.
> >
> >
> >
> > Bom, deixo aqui essas questões e se isso soar "didatismo" então
> cabe
> > tbém uma revisão do conceito de capacidade reflexiva, q se
> diferencia
> > mto do didatismo dos monólogos dos professores de cursinho, q
> nunca
> > têm nada a dizer. Definitivamente, isto é o q eu nunca fui!
> >
> >
> >
> > E q bom q eles não tocam samba!!! hehehehe ;)
> >
> > Essa rádio é mto foda!
> >
> > Marina (rádio Muda).
> &g t; paulo lara wrote:
> >
> > "Toda a minha vida sempre vi tempos inquietos, tumultos extremos
> na
> > sociedade e imensas destruições; entrei nessas desordens. E tais
> > circunstâncias certamente bastaríam para impedir que o mais
> > transparente dos meus atos ou raciocínios se visse aprovado
> > universalmente, fosse onde fosse. Ademais, assim o creio, alguns
> > terão
> > sido mal compreendidos."
> > Guy Debord
> > Panegírico
> > Como alguns sabem, eu considero o humor altamente subversivo e
> > embora
> > não tenha pretendido ser hilário, gostaria de fugir da sisudez e
> da
> > frieza de alguns, colocando algumas questões que achava
> pertinente
> > de
> > forma a provocar mais que raiva, indignação e virulência.
> > Ser sério as vezes é reacionario, é fazer parte de um espetáculo
> de
> > sobriedade que dá calafriiiiios..... A paz de espírito, o bom
> humor
> > e
> > a sapiência do riso são essenciais.
> > Mas isso não quer dizer que e u estava de brincadeira!
> > 1. Quando eu mandei o mail, fiz com a intenção de provocar
> > questionamento sobre a forma de uma determinada rádio frente ao
> que
> > nós estamos discutindo e fazendo nesses anos todos. A minha
> crítica
> > não foi direcionada a eles (bandeira negra) e sim a nós. Azar de
> > quem
> > postou aquela entrevista achando que não seria questionada. E
> olha
> > que
> > a Marina saiu logo para o contra ataque (sem sequer ser atacada).
> > 2. Ela começa nos (quem seriamos este nós Marina, pode explicar
> > para o
> > público?) chamando de vazios de ideologia e de proposta e, acho
> que
> > ironizando nos sugere o mercado. De ideologia e proposta, o
> mercado
> > tá
> > cheio e parece que qq novidade ele está apto a receber, mastigar
> e
> > depois cuspir para o público em geral. E quem disse que o ideal
> era
> > ser como nós (de novo no plural) foi vc.
> > 3. Meu "discurso" (isso é coisa de profissional) nunca pretendeu
> > ser
> > libertário, acho que dentre as classificações que as pe ssoas
> > adoram
> > por, a que eu mais me identifico é "flamenguista". "Se quer
> > conhecer
> > os anarquistas..." diz vc, eu conheço alguns, mas a maioria e os
> > que
> > eu mais gosto, não pessoalmente. Proudhon, Emma Goldman,
> Malatesta,
> > Kropotkin, Orwell, Bakunin eu não tive o prazer. Mas tive o
> > desprazer
> > de conhecer outros tantos pseudo-anarco-anacrô(nicos).
> > 4. Eu não pretendi ser o pêndulo propagador do ideal das RL,
> > coloquei
> > umas questões, com um formato um pouco provocativo demais pra
> > alguns.
> > E a pluralidade que pedes tem que ser também de linguagem, senão
> > fica
> > chato pros nossos queridos leitores. Mas a questão da pluralidade
> > virá
> > depois.
> > 5. Concordo com o thiago e sou testemunhas das muit as propostas
> que
> > estão surgindo, se renovando e se adaptando sobre a questão dos
> > meios
> > de comunicação, tecnologia e cultura. Algumas muito interessantes
> > outras menos, diversos tipos de abordagem etc. mas sei que cada
> vez
> > mais e com a velocidade que a questão merece muita gente está
> > tentando
> > se virar e produzir, pensar, agir e trabalhar em relações a estas
> > questões. Alguns outros (dentre eles a Marina) preferem bater o
> pé
> > (e
> > a mão, e a cabeça...)em questões fixas, presas a idéias que não
> se
> > renovaram e continuam a cativar os eufóricos do PSTU, assembléia
> de
> > Deus e anarco-anacro. Fora as mágoas e agressividade que eu
> > realmente
> > não entendo.
> > 6. Questionamentos ou são vazios ou são provocativos.
> > 7. "Escravo estóico, o estudante acredita que quanto mais
> numerosas
> > forem as cadeias de autoridade que o prendem, mais livre ele
> será"
> > Ésta crítica de Debord é emblemática para perceber o quanto não
> se
> > compreende a opressão. A posição "nada é livre na sociedade"
> afunda
> > cada vez mais o sujeito na escravidão. E não só a escravidão da
> > ação,
> > mas do pensamento. Ele passa a encarar o mundo de forma
> unilateral
> > e
> > se fecha em relação a dinâmica que a sociedade tem contra ele. A
> > crença (ou nóia) na opressã o de tudo e de todos mina a criação
> de
> > novas formas de resistência e deixa as forças de oposição cada
> vez
> > mais parecidas com a situação. Sisuda, briguenta, cega, sozinha e
> > didática.
> > 8. A questão do samba é legal. Ju e todos, apeser de ter a
> > impressão
> > de que a Bandeira Negra realmente não toca samba durante as seis
> > horas
> > semanais que estão no ar, foi mais uma brincadeira com o "jogo de
> > cintura" que foi mencionada pel@ anarco reporter. Trabalhei 4
> meses
> > na
> > zona leste de Sampa dando oficinas de rádio livre (durante as 4
> > horas
> > de oficina tínhamos uma rádio no ar - não tivemos problemas com
> os
> > opressores nem precisamos de "olheiros") e uma coisa que me
> > impressionou foi ver que realmente montar uma rádio lá não é
> fácil.
> > Os
> > moleques tinham medo até de fazer rádio comunitária, imaginem uma
> > que
> > se classifica como pirata! A ironia foi que acho difícil chamar e
> > fazer as pessoas compreenderem o quão importante é uma ferramenta
> > rádio e que se p ode e deve-se fazê-la (sem concessão ou
> > autorização)
> > chamando-a de pirata e com esquema de transmissão que mais
> parecem
> > plano da CIA. Ainda mais na Zona Leste de Sampa.
> > 9. Eu não tive intenção de desmerecer nada, se eu ainda soubesse
> > mais
> > da proposta. AH! eles falaram que a programação é cultural, então
> > tá
> > valendo. Eu não disse pra eles pararem de transmitir, só fui o
> > primeiro a questionar a forma como eles utilizam o rádio. Sendo
> um
> > defensor das rádios livres, fiquei mais tranquilo em saber que
> eles
> > negam veementemente o termo, pois considero que a proposta deles
> > não é
> > de rádio livre. Foram eles que disseram isso!
> > 10. Não há patrulhamento aqui!!! Que mania de achar que opiniões
> > são
> > mandados! As minhas questões, não patrulharam ninguém e sim foram
> > patrulhadas, e se este não é o lugar de botar as opiniões,
> > realmente
> > não sei onde é.
> > 11. Eu gostaria que, justo aquilo que propomos como
> experimentações
> > -
> > musicais, de forma, de li nguagem, de administração, de decisão
> > etc.
> > sejam passadas para o plano do discurso. Sejamos criativos e nos
> > libertemos dos jargões, das retóricas e das frases feitas.
> Proposta
> > para rádio livre - todo o tipo de experimentação pode e deve ser
> > feito
> > desde que não cancele a possibilidade do outro de re sponder e
> > também
> > experimentar. Não consegui enxergar indícios disso na proposta da
> > Bandeira Negra.
> > Vão haver mais questões, espero, de todos, e a-d-o-r-e-i esse
> > debate.
> > É bom qndo lista serve para proposições.
> > Rádio Livre é sobre isso. Sobre diversidade - com possibilidade
> de
> > colaboração de todos. Sobre estar aberta aos anseios individuais
> e
> > coletivos daqueles que procuram canal para se expressar. Sobre se
> > livrar dos velhos discursos e práticas e ser criativos para saber
> > domar os chifres do inimigo e, na hora certa, saber se impor
> frente
> > a
> > ele. Sobre gozar na hora de fazer um programa e falar para todos
> > que
> > vc gozou e fazê-los gozar também. S obre improvisar em temas já
> > dados.
> > Paulo José
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