[radiolivre] Re: Pirataria no ar, Bandeira Negra FM

Cazé, realmente o site não está sendo usado por quem usa a lista
e vice-versa. Atualmente o site contém mais tira-dúvidas a respeito
de tecnologias de webradio e notícias do que textos, debates e manuais
do tipo "como montar uma rádio livre".

Com isso há grande defasagem entre pessoas que já estão em
rádios livres - participando desta lista de discussão - e no site gente que 
nunca
teve muito contato e que gostaria de obter informações a respeito.

Parte desse problema pode ser resolvido com uma melhor integração entre
o site e a lista, no nível do software, num sistema automático que envie
para lista um resumo das últimas publicações do site e que faça um
clipping da lista no site. Já estamos correndo atrás disso, mas ultimamente
estamos com alguns problemas com o servidor que impedem que o site fique
online por muito tempo.

A outra parte do problema poderia ser resolvida se os debates na lista
fossem resumidos - juntamente com os links pro arquivo das mensagem da lista
- e postados no site. Um esforço de todo mundo na lista facilmente poderia
equilibrar os dois espaços.

Quanto à sua pergunta sobre a existência de um movimento de rádios livres,
acho que talvez seja melhor perguntarmos se existe uma rede de rádios livres,
pois movimento pode pressupor que exista um único caminho definido por quem
está participando. Já uma rede dá a idéia de um local de intercâmbio.

Que tal?

falow!
rhatto

Em Sat, Mar 19, 2005 at 01:27:24PM -0300, CaZé espacio libre escreveu:
>    Algumas perguntas que me incomodam:
> 
>    Aceitar a pluralidade não é aceitar críticas? Como as levantadas pela
>    Rádio Bandeira Negra.
> 
>    Existe mov. de rádios livres no Brasil?
> 
>    Exitir virtualmente garante a existência pública do mov.?
> 
>    Não  é  de  hoje  que  venho perguntando qual seria a prática concreta
>    desse  tal  mov. de rádio livres, além dos projetos locais. Mesmo site
>    não está sendo usado, tem até anuncio de um vendedor de vinhetas.
> 
>    A  qual  seria  a  base unificadora que aglutinaria as pessoas no mov.
>    R.L.?
> 
>    a   pluralidade,  a  liberdade  de  expressão,  anticapitalismo,   sem
>    respostas continuaremos chuvendo no molhado
> 
>    Saúde e Anarquia!
> 
>    Liberdade <proledobebe@xxxxxxxxxxxx> wrote:
> 
>    Olá!
> 
>    Tenho algumas considerações a fazer.
> 
>    Primeiro,  creio  c/  convicção  de  q  este  debate se tratou desde o
>    início,  como  disse a Jul, de um debate em torno de alguma espécie de
>    patrulhamento  ideológico. Por  um  impulso  infeliz, foi  isso  o q o
>    Paulo fez  e  gerou e isso é mto ruim para o nosso próprio conceito de
>    RL.  Diante de tal falência, acho q estou tentando levar o debate para
>    um lado mais rico, a divergência conceitual entre Debord e Deleuze, na
>    busca por algum embate mais produtivo, q vá além -  mas mto além - das
>    picuinhas  pessoais,  q ele tanto fomenta. Desculpe, Paulo, mas eu nem
>    sei  quem  é  vc, não vou investir nisso p/ sua frustração. P/ falar a
>    verdade,  isso  já  não  me  atinge  mais.  Só  direi  q  quem  põe os
>    sentimentos para fora, não guarda rancor ou raiva.
> 
> 
> 
>    Bom,  como um monólogo, o seu email não abre gdes questionamentos, não
>    abre gdes ou pequenas discussões.
> 
> 
> 
>    Foi  bom  saber  sobre  a  Bandeira  Negra, q não se consideram RL. Pq
>    estava  pensando  exatamente  isso:  ora,  se  fossem  RL  estariam no
>    movimentode  RL  e precem não estar. Agora eu pergunto: por que será q
>    essas  pessoas,  tão  interessantes, estão fora do movimento? Será por
>    ignorância de sua existência ou por produto de uma decisão racional? O
>    que  faz  elas  estarem  separados  de  nós?  -  acho  q são perguntas
>    pertinentes.  E  mais:  posso encaminhar, se a lista tbém achar legal,
>    essas e outras questões a eles e repassar à lista as respostas depois.
> 
> 
> 
>    Mas acima de td são qeustões para a gente refletir.
> 
> 
> 
>    De  qquer  modo,   acho  q  o  caso  da  Bandeira Negra nos coloca uma
>    questão, q é a questão sobre a diversidade cultural, q tanto buscamos.
>    Essa é uma questão q sempre levantamos na Muda, q eu já publiquei como
>    argumento  (no  caso dos nazistas) e q eu vi q o diretor da Globo (não
>    me  lembro  o  nome)  tbém publicou como argumento certa vez na Folha.
>    Enfim, é uma questão pertinente e q sempre nos impulsionou na prática.
>    Mas  a quesão q se coloca é q não será precisamente por esse argumento
>    q  nos  distanciamos  dos  movimentos  sociais mais combativos, como o
>    anarquismo  q  impulsiona a Bandeira Negra? Não será precisamente essa
>    "diversidade  cultural"  q  nos  coloca  diante  de um esvaziamento de
>    propostas e projetos, fazendo-nos meros conciliadores de propostas não
>    tão precisas? O mesmo esvaziamento, diga-se de passagem, da gde mídia,
>    comercial?
> 
> 
> 
>    Isso  é  algo  sobre  o  q  devemos  nos curvar, pensar e refletir com
>    precisão,  afinal  essa  é  uma  das  nossas  limitações  e precisamos
>    refletir sobre elas para superá-las.
> 
> 
> 
>    Bom,  deixo  aqui essas questões e se isso soar "didatismo" então cabe
>    tbém  uma revisão do conceito de capacidade reflexiva, q se diferencia
>    mto  do  didatismo  dos monólogos dos professores de cursinho, q nunca
>    têm nada a dizer. Definitivamente, isto é o q eu nunca fui!
> 
> 
> 
>    E q bom q eles não tocam samba!!! hehehehe ;)
> 
>    Essa rádio é mto foda!
> 
>    Marina (rádio Muda).
>    paulo lara <paulolara@xxxxxxxxx> wrote:
> 
>      "Toda a minha vida sempre vi tempos inquietos, tumultos extremos na
>      sociedade e imensas destruições; entrei nessas desordens. E tais
>      circunstâncias certamente bastaríam para impedir que o mais
>      transparente dos meus atos ou raciocínios se visse aprovado
>      universalmente,  fosse  onde  fosse. Ademais, assim o creio, alguns
>      terão
>      sido mal compreendidos."
>      Guy Debord
>      Panegírico
>      Como  alguns  sabem,  eu  considero  o humor altamente subversivo e
>      embora
>      não tenha pretendido ser hilário, gostaria de fugir da sisudez e da
>      frieza  de alguns, colocando algumas questões que achava pertinente
>      de
>      forma a provocar mais que raiva, indignação e virulência.
>      Ser sério as vezes é reacionario, é fazer parte de um espetáculo de
>      sobriedade que dá calafriiiiios..... A paz de espírito, o bom humor
>      e
>      a sapiência do riso são essenciais.
>      Mas isso não quer dizer que e u estava de brincadeira!
>      1. Quando eu mandei o mail, fiz com a intenção de provocar
>      questionamento sobre a forma de uma determinada rádio frente ao que
>      nós estamos discutindo e fazendo nesses anos todos. A minha crítica
>      não  foi  direcionada  a eles (bandeira negra) e sim a nós. Azar de
>      quem
>      postou  aquela entrevista achando que não seria questionada. E olha
>      que
>      a Marina saiu logo para o contra ataque (sem sequer ser atacada).
>      2.  Ela  começa  nos  (quem seriamos este nós Marina, pode explicar
>      para o
>      público?) chamando de vazios de ideologia e de proposta e, acho que
>      ironizando nos sugere o mercado. De ideologia e proposta, o mercado
>      tá
>      cheio e parece que qq novidade ele está apto a receber, mastigar e
>      depois cuspir para o público em geral. E quem disse que o ideal era
>      ser como nós (de novo no plural) foi vc.
>      3.  Meu  "discurso"  (isso é coisa de profissional) nunca pretendeu
>      ser
>      libertário,  acho  que  dentre  as  classificações  que as pe ssoas
>      adoram
>      por,  a  que  eu  mais  me  identifico  é  "flamenguista". "Se quer
>      conhecer
>      os  anarquistas..."  diz  vc, eu conheço alguns, mas a maioria e os
>      que
>      eu mais gosto, não pessoalmente. Proudhon, Emma Goldman, Malatesta,
>      Kropotkin,  Orwell,  Bakunin  eu  não  tive  o  prazer.  Mas tive o
>      desprazer
>      de conhecer outros tantos pseudo-anarco-anacrô(nicos).
>      4.  Eu  não  pretendi  ser  o  pêndulo  propagador do ideal das RL,
>      coloquei
>      umas  questões,  com  um  formato  um  pouco provocativo demais pra
>      alguns.
>      E  a  pluralidade  que pedes tem que ser também de linguagem, senão
>      fica
>      chato  pros  nossos queridos leitores. Mas a questão da pluralidade
>      virá
>      depois.
>      5. Concordo com o thiago e sou testemunhas das muitas propostas que
>      estão  surgindo,  se  renovando  e se adaptando sobre a questão dos
>      meios
>      de comunicação, tecnologia e cultura. Algumas muito interessantes
>      outras menos, diversos tipos de abordagem etc. mas sei que cada vez
>      mais  e  com  a  velocidade  que  a questão merece muita gente está
>      tentando
>      se virar e produzir, pensar, agir e trabalhar em relações a estas
>      questões.  Alguns outros (dentre eles a Marina) preferem bater o pé
>      (e
>      a mão, e a cabeça...)em questões fixas, presas a idéias que não se
>      renovaram e continuam a cativar os eufóricos do PSTU, assembléia de
>      Deus  e  anarco-anacro.  Fora  as  mágoas  e  agressividade  que eu
>      realmente
>      não entendo.
>      6. Questionamentos ou são vazios ou são provocativos.
>      7. "Escravo estóico, o estudante acredita que quanto mais numerosas
>      forem as cadeias de autoridade que o prendem, mais livre ele será"
>      Ésta crítica de Debord é emblemática para perceber o quanto não se
>      compreende a opressão. A posição "nada é livre na sociedade" afunda
>      cada  vez  mais  o  sujeito na escravidão. E não só a escravidão da
>      ação,
>      mas  do pensamento. Ele passa a encarar o mundo de forma unilateral
>      e
>      se fecha em relação a dinâmica que a sociedade tem contra ele. A
>      crença (ou nóia) na opressã o de tudo e de todos mina a criação de
>      novas formas de resistência e deixa as forças de oposição cada vez
>      mais parecidas com a situação. Sisuda, briguenta, cega, sozinha e
>      didática.
>      8.  A  questão  do  samba  é  legal.  Ju  e  todos, apeser de ter a
>      impressão
>      de  que  a  Bandeira Negra realmente não toca samba durante as seis
>      horas
>      semanais que estão no ar, foi mais uma brincadeira com o "jogo de
>      cintura" que foi mencionada pel@ anarco reporter. Trabalhei 4 meses
>      na
>      zona  leste  de  Sampa  dando oficinas de rádio livre (durante as 4
>      horas
>      de oficina tínhamos uma rádio no ar - não tivemos problemas com os
>      opressores nem precisamos de "olheiros") e uma coisa que me
>      impressionou foi ver que realmente montar uma rádio lá não é fácil.
>      Os
>      moleques  tinham  medo até de fazer rádio comunitária, imaginem uma
>      que
>      se classifica como pirata! A ironia foi que acho difícil chamar e
>      fazer as pessoas compreenderem o quão importante é uma ferramenta
>      rádio  e  que  se  p  ode  e  deve-se  fazê-la  (sem  concessão  ou
>      autorização)
>      chamando-a de pirata e com esquema de transmissão que mais parecem
>      plano da CIA. Ainda mais na Zona Leste de Sampa.
>      9.  Eu  não  tive intenção de desmerecer nada, se eu ainda soubesse
>      mais
>      da  proposta.  AH! eles falaram que a programação é cultural, então
>      tá
>      valendo. Eu não disse pra eles pararem de transmitir, só fui o
>      primeiro a questionar a forma como eles utilizam o rádio. Sendo um
>      defensor das rádios livres, fiquei mais tranquilo em saber que eles
>      negam  veementemente  o  termo, pois considero que a proposta deles
>      não é
>      de rádio livre. Foram eles que disseram isso!
>      10.  Não  há  patrulhamento aqui!!! Que mania de achar que opiniões
>      são
>      mandados! As minhas questões, não patrulharam ninguém e sim foram
>      patrulhadas,  e  se  este  não  é  o  lugar  de  botar as opiniões,
>      realmente
>      não sei onde é.
>      11. Eu gostaria que, justo aquilo que propomos como experimentações
>      -
>      musicais,  de  forma,  de  li nguagem, de administração, de decisão
>      etc.
>      sejam passadas para o plano do discurso. Sejamos criativos e nos
>      libertemos dos jargões, das retóricas e das frases feitas. Proposta
>      para  rádio  livre  - todo o tipo de experimentação pode e deve ser
>      feito
>      desde  que  não  cancele  a  possibilidade  do outro de responder e
>      também
>      experimentar. Não consegui enxergar indícios disso na proposta da
>      Bandeira Negra.
>      Vão  haver  mais  questões,  espero,  de  todos, e a-d-o-r-e-i esse
>      debate.
>      É bom qndo lista serve para proposições.
>      Rádio Livre é sobre isso. Sobre diversidade - com possibilidade de
>      colaboração de todos. Sobre estar aberta aos anseios individuais e
>      coletivos daqueles que procuram canal para se expressar. Sobre se
>      livrar dos velhos discursos e práticas e ser criativos para saber
>      domar os chifres do inimigo e, na hora certa, saber se impor frente
>      a
>      ele.  Sobre  gozar  na hora de fazer um programa e falar para todos
>      que
>      vc  gozou  e  fazê-los  gozar também. S obre improvisar em temas já
>      dados.
>      Paulo José

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