[radiolivre] Re: Pirataria no ar, Bandeira Negra FM

Cazé,

o debate não está restrito, ele está se ampliando. Se vc não está afim
de discutir nesses termos, está mais preocupado com ação, o que chamas
de "ação prática", basta mandar um mail com esse assunto "AÇÂO
PRÁTICA" e tenho certeza que muitos vão se interessar. Uma coisa não
exclui a outra.

A princípio não vejo como debater quem pode ou não falar em nome de
rádios livres. Mas quem o fizer esteja atento porque tem gente que tá
dando muito de si para neguim falar que liberdade é sinônimo de
qualquer coisa e isso, sinto dizer, tem de ser esclarecido e debatido
conceitualmente, no bom e velho português.

Djah!!

não é tão simples, mas ajudou a simplificação. E sim, essa nao é uma
rede virtual!! Somos uma rede de pessoas, de vozes, de rádios
espalhadas no país. Ainda temos muito que caminhar, mas quem disse que
seria fácil?

Dcgom,

o q


On Sun, 20 Mar 2005 14:04:53 -0300 (ART), CaZé espacio libre
<caze_75@xxxxxxxxxxxx> wrote:
> Tem razão dccom não é a primeira ou  a última vez que o debate fica restrito
> a duzentas mil palavras acadêmicas por segundo, quando respondi fazendo
> novas perguntas não estava procurando resposta para mim, mas procurando
> estigar duas coisas: 
>  
> A ação prática: Qual as ações conjuntas que as rádios livres podem realizar?
> (não estou falando apenas de encontros) neste ano temos várias datas e
> eventos que podemos realizar ações comuns. Ex: 40 anos da GLOBO, REFORMA
> UNIVERSITÁRIA, ULTIMA RODADA DA ALCA etc 
> qual  a melhor forma de aproveitar o site e outros recursos... 
> 
> Não tenho posições definidas de como poderia ser as coisas, acho que as
> experiências das pessoas são extremamente diversas, só não tenho tanta
> paciência para o discurso da legitimidade,quem pode falar sobre rádio livre
> ou não. 
> 
> Nos  que precedem o aniversário da Globo muitas entidades estão preparando
> atividades. A rede poderei fazer uma transmissão conjunta, debatendo o tema.
> O que vocês acham?
> 
> dcgom <dcgom@xxxxxxxxxxxx> wrote: 
> Sem querer tacar lenha na fogueira e já contrariando meus propósitos:
> Achei muito chato esse "debate"! Não entendi patavinas do que vcs estavam
> escrevendo...
> E olha que me esforçei...
> 
> Acho que a única coisa que pensei foi:
> "Caramba, é impressionante! Quanta gente tentando se justificar. Tentando
> dar
> coerência a si mesmo. Será só um jeito de se representar para si e para os
> outros?"
> 
> Me lembrei de Álvaro de Campos.
> ____________________________________________________________________
> 
> Poema em linha reta
> 
> Fernando Pessoa
> (Poesias de Álvaro de Campos)
> 
> 
> Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
> Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
> 
> 
> E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
> Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
> Indesculpavelmente sujo,
> Eu, que tantas vezes não ten ho tido paciência para tomar banho,
> Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
> Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
> Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
> Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
> Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
> Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
> Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
> Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
> Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
> Para fora da possibilidade do soco;
> Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
> Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
> 
> 
> Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
> Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
> Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
> 
> 
> Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
> Que confessasse não um peca do, mas uma infâmia;
> Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
> Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
> Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
> Ó príncipes, meus irmãos,
> 
> 
> Arre, estou farto de semideuses!
> Onde é que há gente no mundo?
> 
> 
> Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
> 
> 
> Poderão as mulheres não os terem amado,
> Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
> E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
> Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
> Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
> Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
> 
> 
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