[radiolivre] Re: Obras Livres - era; TV Livre Criei, Tive Como!

então.

outra discussão é a ortodoxia que os usuários de licensas tem tanto com suas
obras quanto com as próprias licensas, por exemplo nos pontos de cultura
(pra agregar um comentário sobre a noptícia no NYT) como programa de governo
e com o aval de gente que trabalha no projeto, só usa obras com licensas
diferentes do copyright, e te olham torto se estás usando uma música em
copyright numa montagem qualquer.

Aprendi na Rádio Muda a desrespeitar para questionar. Lendo o aviso de
copyright em cada CD ou LP me dava mais vontade de radiodifundir certas
coisas. A posição política há que ser de contestação, de desrespeito e não
de assimilação ou subordinação, por mais que isso pareça ação política....
vamos esperar a autorização de algum autor para lermos obras no rádio ?? de
um músico para remixarmos sua batida ??

TV Livre e Rádio Livre não são determinadas pelo modelo técnico de
reprodução ou difusão mas sim por um questionamento amplo dos modos de fazer
cotidianos, uma sublimação e subversão dos sistemas morais, técnicos,
políticos econômicos e sociais. Limitar a liberdade almejada a uma simples
concessão de direitos está subestimando a politica dos meios.

Rádio Livre se come. se fuma e se cheira, não só se produz. È um modo de
vida e não de agenciamentos técniocos.

pajé

On 3/12/07, pajé <paulolara@xxxxxxxxx> wrote:

Caríssimo Miguel,

não se avexe de meter seu sempre bemvindo bedelho e de dar seus centavos
de contribuição.....

Lendo o link que mandastes fiquei lapidando uma idéia que ja tinha ha
algum tempo, sobre quais são as bases em que se sustentam estes "novos"
conceitos inevitáveis que a modernidade e  a reprodutibilidade técnica
impôs ao pensamento e ações.

Em conversas sobre o CC e GPL que tivemos me veio a cabeça a idéia de
pensar nas raízes, pressupostos que geraram praticamente estas
"alternativas" baseadoas nas manipulações tecnológicas e com algumas
tendências políticas. Digo, e posso ser desmentido e confrontado aqui, que a
GPL e suas discussões nascem de um ambinte técnico, de especialiozação e
alto conhecimento tecnológico específico. Os pressupostos da idéia de uma
licensa "livre" para software nascem de uma necessidade específica,
resoluções eficazes de problemas, manipulações tecnológicas, enfim, tudo o
que se refere a armadura de ferro da modernidade. Embora exista fortemente
um viés político na elaboração da FSF / GPL temos que considerar que é
nascido de um berço do capitalismo de ponta, nas fileiras do MIT e na
vanguarda da aparelhagem.

Assim como o creative commons nasce do pressuposto jurídico burgues, sem
desejar ou almejar a inversão da ordem deste. Quer dizer, as soluções
imaginadas não passam de simulacros (pra lembrar nosso recem morto) da
modernidade calacados em pressupostos estabelecidos muito antes de
exploradas as potencialidades das técnicas. Quero dizer que sem uma crítica
a técnica e uma crítica ao direito não há nada de politicamente novo nessas
iniciativas (embora existem diferenças tremendas nas formas de se fazer
entre elas). Copindo conversa com o chico anteontem, o fato é que enquanto
se imagina que o CC é o início de algo, podemos perceber na verdade que ele
é a última fase deste algo. Seria este algo a propriedade ?? "CC ou, a
última fase da propriedade privada"
O problema é na verdade a politização que se minimiza nesse campo, sendo
esfacelada pelo espetáculo info financeiro e pela maravilhisação
tencnológica.

Enfim, no importante link que mandastes, percebi que a definição de "obras
livres" ( e note-se aí a inversão do conceito "livre" se aliando a palavra
obra, o que pode ser considerado uma contradição, já que a liberdade não
pressupoe a coisa feita, ou o conceito de obra tal qual vossos irmãos
europeus encararam durante estes últimos 800 anos)  é baseada em
manipulações técnicas.... vejamos, "obras ou expressões que podem ser
livremente estudadas, aplicadas, copiadas e/ou modificadas por qualquer um e
para qualquer fim". estudar, aplicar, copiar etc, não tem uma conotação
política aqui, certo ?? são técnicas, são maquínicas, são quase mecânicas
ainda......

do site:
"Os avanços tecnológicos e sociais possibilitam que uma parte cada vez
maior da humanidade *aceda, crie, modifique, publique e distribua* vários
tipos de obras - obras de arte, material científico e educativo, software,
artigos - em suma: *tudo o que possa ser representado em formato digital*.
Muitas comunidades foram criadas para exercer essas novas possibilidades e
criar uma profusão de obras colectivamente reutilizáveis.

Muitos autores, qualquer que seja o seu campo de actividade, qualquer que
seja o seu estatuto amador ou profissional, possuem um interesse genuíno em
favorecer um ecosistema onde as obras possam ser difundidas, reutilizadas
e derivadas através de formas criativas. Quanto mais fácil for reutilizar
e derivar essas obras, mais ricas as nossas culturas se irão tornar."
ora ora, resume-se a liberdade de uma obra (note-se que não se fala em
processo) a tudo que possa ser representado em formato digital.....pressupoe
o conceito de autor - e espera-se deste a generosidade necessária para a tal
liberdade das obras sem a qual não se construiria a liberdade. A fantasia de
uma liberdade não conquistada, mas consentida pelos modernos magos das artes
e dos pensadores vanguardistas. A fantasia de uma liberdade sem lutas, mas
generosa, vindo dos tecnológos no sentido dos alumnis......


Proust tem uma frase, "Uma verdadeira viagem de descoberta não é buscar
novas terras, mas sim haver novos olhos" e isso é na verdade o inverso do
que a maravilharização tecnológica está fazendo com a dinâmica dos
conceitos. Está por demasiado buscando novas terras sem haver novos olhos.

pajé

On 3/9/07, Miguel Afonso Caetano <miguel.a.caetano@xxxxxxxxx> wrote:
>
> Em 09/03/07, pajé<paulolara@xxxxxxxxx> escreveu:
>
> > > Quem sabe um "Dicionário Livre" para não se cometer mais tantos
> pecados!
> >
> > Dicionário define palavras e não conceitos, não daria certo. Leia um
> > dicionário e verás que eles são machistas, racistas, burocráticos e
> > limitados. Mas um dicionário de conceitos livres... hummmm podemos
> tentar,
> > quer começar ??? quem sabe a wikipedia não arruma um concorrente que
> não
> > escorregue na própria liberdade ?
>
> Err... Desculpem meter o bedelho onde não sou chamado mas talvez isso
> possa ajudar/acicatar a discussão:
>
>
> 
http://remixtures.com/2007/02/cultura-livre-e-conhecimento-aberto-descubra-as-diferencas/
>
> --
> Miguel Caetano
>
> http://remixtures.com
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