[radiolivre] MARCHA PELA LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS
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- Date: Fri, 27 Apr 2007 18:17:20 -0300
MARCHA RIO PELA LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS - BASTA DE VIOLÊNCIA 2007 - Rio de
Janeiro
A Marcha Rio pela Legalização das Drogas - Basta de Violência 2007,
acontecerá na sexta-feira, dia 4 de Maio, 16h, do Largo de São Francisco à
Cinelândia.
*BASTA DE GUERRA ÀS DROGAS!*
O debate sobre as drogas não é simples; envolve questões diversas, como
saúde, segurança pública e valores morais. No Brasil, a questão é abordada
pelo Estado de uma forma, no mínimo, questionável. Enquanto álcool, tabaco,
refrigerantes e drogas de uso terapêutico são vendidos quase sem obstáculos,
em alguns casos com divulgação ampla nos meios de comunicação, as drogas
definidas como ilícitas são o centro de uma violenta guerra.
O Estado brasileiro promove cotidianamente nas grandes cidades verdadeiras
batalhas que provocam milhares de mortes anualmente, principalmente entre as
populações mais pobres. Morrem traficantes sem julgamento, policiais e um
número inacreditável de inocentes.
Aparentemente estão enxugando gelo. As quadrilhas ficam cada vez mais bem
armadas, a diversidade de drogas aumenta, as vítimas se multiplicam e o
consumo continua. A cultura da maconha se disseminou tanto na classe média
que existem locais, como condomínios e universidades, onde os jovens fumam
tranqüilamente, sem serem importunados.
A proibição de drogas como cocaína e heroína faz com que não haja qualquer
controle de qualidade, provocando overdose e/ou danos à saúde, em função das
impurezas misturadas. Além disso, muitas vezes os consumidores compartilham
seringas, o que pode ajudar a disseminar doenças, inclusive a AIDS.
A política proibicionista impede que políticas públicas de redução de danos
sejam implementadas em larga escala.
*GUERRA ÀS DROGAS: A NOVA CARA DA VELHA DITADURA*
Mas se esta política é tão inadequada, porque parece tão difícil mudá-la?
Com certeza por várias razões. Uma delas, talvez a mais importante, a moral
religiosa reacionária que ainda encontra grande espaço na nossa sociedade e
dificulta até que o assunto seja debatido. A adesão do Brasil a convenções
da ONU de caráter proibicionista e a política de guerra às drogas do governo
estadunidense exercem pressão permanente para que nada mude.
A política de guerra às drogas cumpre um papel ideológico na nossa
sociedade, servindo de pretexto para o massacre sistemático dos pobres.
Repressão contínua que gera o medo permanente em quem é obrigado a conviver
com o crime violento praticado pela polícia e pelo tráfico.
Nos dias de hoje não é possível às classes dominantes usar a força contra os
pobres e a esquerda sem que bons pretextos sejam formulados. A guerra às
drogas tem este objetivo. Assim como a guerra ao terrorismo, ela serve como
ilusão pois transforma a luta de classes em luta do bem contra o mal, da
ordem contra a desordem, da democracia contra o terror, da lei contra o
crime.
A perseguição aos comunistas, ao "perigo vermelho", foi substituída pela
repressão aos pobres em nome da ilegalidade do comércio das drogas. Mas em
sua ação, as polícias agem de forma tão ou mais ilegal que o tráfico de
drogas. Entram nas favelas atirando e desrespeitando as leis e as pessoas
indistintamente.
Sabemos que com o pretexto de guerra às drogas, entre outros crimes, os EUA
perseguiram as bases sociais dos Panteras Negras, financiaram os Contra da
Nicarágua, satanizaram as FARC e justificam o Plano Colômbia.
Percebermos também, que em todo o mundo neoliberal os crimes de tráfico e
uso de drogas são usados para prender em massa, obrigando o pobre a aceitar
empregos precarizados, a viver sob o medo, sendo explorado, aviltado,
desrespeitado em seus direitos básicos.
No Brasil, independente da intenção dos atores que definem a política de
repressão, o fato é que esta política vem naturalizando uma prática
autoritária, repressiva e assassina dentro do que se convencionou chamar de
democracia. A política proibicionista e a ideologia de guerra às drogas vêm
legitimando a cassação da cidadania da maioria dos pobres brasileiros.
Milhares de pessoas são mortas e presas todos os anos por estarem traficando
ou usando drogas, independente de serem violentas e perigosas. Outros
milhares são mortos apenas por habitarem as áreas pobres, regiões que são
tratadas como "território inimigo" pela polícia. Os jovens são as maiores
vítimas.
A violência da luta entre traficantes e a ação da polícia justificada pela
guerra às drogas vem dificultando severamente a organização popular e a
participação política nas favelas e periferias.
Ano passado a polícia, somente no Estado do Rio, matou cerca de 1000
pessoas, todos pobres, a maioria negros, favelados e jovens. Se eram
bandidos ou não, nunca saberemos ao certo. Mas com certeza não foram
julgados e condenados à morte, alguns morreram em tiroteios, a maioria
parece que foi executada.
Quando a sociedade permite que a polícia execute suspeitos, sem julgamento
nem direito de defesa, não são apenas os criminosos que pagam, somos todos,
mas principalmente aqueles com o perfil suspeito. No Brasil são os negros,
pobres e jovens.
O argumento que legitima a ação truculenta é a guerra às drogas. A
conseqüência é a impotência política daqueles que mais interesse têm na
transformação da sociedade.
Porto Alegre, 29 de janeiro de 2005
(aprovado pela oficina "Basta de Guerra às Drogas!", V Fórum Social Mundial,
dia 29/01, 19h, Acampamento da Juventude, Axônio Che Livre)
MOVIMENTO NACIONAL PELA LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS
http://www.legalizacaodasdrogas.blogspot.com/
mnldrogas@xxxxxxxxx
*Importante:* não fazemos apologia às drogas e nem defendemos a
desobediência civil como forma de legalizá-las. Não traga, muito menos
consuma, drogas ilegais nas nossas atividades.
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