[radiolivre] Gilvam Borges, o "marechal eletrônico" da mídia no Amapá

A imprensa do Amapá nunca foi dada a falar de si mesma. Mas a escandalosa 
expansão do Sistema Beija Flor de Rádio Difusão, da família do senador Gilvam 
Borges (PMDB), começa a ser denunciada em veículos alternativos. Seu clã quer 
dominar nada menos que 152 emissoras de rádio e TV, distribuídas em quatro 
estados do Norte e do Nordeste.

Setores da sociedade se ocupam em criticar o caráter conservador da imprensa 
tradicional e a tentativa de dominação ideológica através do pedido de 
concessão pública. Os protestos são contra o monopólio da mídia amapaense, 
exercido por um grupo bastante restrito de famílias e partidos políticos. 

Já condecorado por alguns jornalistas amapaenses como "marechal eletrônico", 
Gilvam desperta indignação, sobretudo dos movimentos ligados às radio 
comunitárias. O senador - que já domina o sistema de rádio difusão na capital, 
Macapá - tem se esforçado para monopolizar também as regiões ribeirinhas do 
estado e do vizinho Pará, criando uma cadeia de rádios comunitárias.

A medida é ilegal, mas Gilvam tem seus trunfos. O marechal é do mesmo partido 
do ministro das Comunicações, Hélio Costa. Integra, como membro permanente, a 
Comissão de Comunicação do Senado. Emplacou a substituição da superintendente 
da Anatel por um aliado de seu grupo político. Com isso, está uniformizando a 
programação das rádios locais e se beneficiando, financeira e eleitoralmente, à 
custa das concessões públicas.

Poder perpétuo

Em seu site, o jornalista Correa Neto divulgou a lista das emissoras que já 
foram cobiçadas pelo Sistema Beija Flor. "Gilvam tem pretensão de despontar no 
cenário nacional. Quer ser um dos grandes políticos da região Norte e se 
perpetuar no poder, como os senadores Arthur Virgilio (PSDB-AM) e Jader 
Barbalho (PMDB-PA)", especula Correa Neto.

Segundo o jornalista, também é possível que Gilvam aja apenas por interesse 
financeiro, para "aumentar o patrimônio de sua família comprando as concessões 
por preços baixíssimos e as vendendo por verdadeiras fortunas". Correa Neto não 
descarta a possibilidade de paraenses reagirem a essa invasão em freqüências 
moduladas (FMs) e ondas médias (OMs) das rádios de Gilvam. De seus 152 pedidos 
de concessão, 98 são no Pará.

De posse da tutela da mídia, o senador estimula a migração de cidadãos de 
municípios paraenses próximos de Macapá a transferirem seus títulos de eleitor 
e votar nele. Com tanto poder, quem pode combater o marechal?

É necessário que os órgãos oficiais responsáveis por implementar a legislação 
na área da radio difusão desempenhem uma política mais efetiva de fiscalização. 
Empresas como o Sistema Beija-flor de Radio Difusão conseguem burlar as leis e 
expandir impunemente sua área de cobertura. 

Da redação, Alan Sales

Fonte: http://www.correaneto.com.br/noticias/8_3_07marechal.htm


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