[radiolivre] Fwd: [caeco] Antônio Brasil: Ministro "global" decide a TV digital
- From: Djahjah <boreste@xxxxxxxxx>
- To: centrodemidia@xxxxxxxxxxxxxxxx, radiointerferencia@xxxxxxxxxxxxxxx, interferencia@xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, radiolivre@xxxxxxxxxxxxx, tvsul-rio@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
- Date: Sat, 23 Jul 2005 07:12:47 -0300
---------- Forwarded message ----------
From: Pedro Aguiar <aguiarpedro@xxxxxxxxxxxx>
Date: Jul 23, 2005 2:04 AM
Subject: [caeco] Antônio Brasil: Ministro "global" decide a TV digital
To: caeco@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Cc: Papai <joaobajr@xxxxxxxxxx>, Mamãe <soniaguiar@xxxxxxxxxxxx>
O Brasil é meio conspiracionista, mas ele tá coerentemente chamando a
atenção pruma coisa bem importante, que poucas pessoas parecem notar. O que
o Hugo Melo tem a dizer sobre a política do padrão de TV digital?
Alguém se lembra de quando o Hélio Costa era o apresentador da primeira
versão do Linha Direta, lá por 1990 ou 1991?
Eu me lembro muito bem.
do Comunique-se [
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D23002%26Editoria%3D286%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D819218884%26fnt%3Dfntnl
]
Ministro "global" decide a TV digital
Antonio Brasil <antonibrasil@xxxxxxxxxxxx>
A rima pode ser pobre, mas a essência é verdadeira. Em tempos de escândalos
políticos graves, com um governo fraco, totalmente à deriva, mais uma vez, o
ministério das Comunicações está nas mãos da Rede Globo. Em outros tempos,
sempre em momentos de decisão, quando também era necessário defender
interesses estratégicos - defenestrar a incômoda NEC do Brasil, por exemplo
- outro ministro "global", o velho ACM foi convocado para dirigir as
Comunicações. Trabalhou bem e recebeu como prêmio algo mais precioso do que
qualquer "mensalão" ou concessão de TV. Na época, ACM recebeu, de mão
beijada, a concessão da programação da Globo na Bahia. Lembram? Mais um dos
muitos escândalos brasileiros que se perdem no passado.
Hoje, também estamos diante de decisões estratégicas para o futuro da TV em
nosso país. Dentro de alguns meses, o todo-poderoso ministro das
Comunicações vai bater o martelo para decidir o novo padrão digital da TV
brasileira. Fomos convencidos pela própria mídia de que se trata de questão
urgente, prioritária e inevitável! E não é mera coincidência que nesse exato
momento o governo Lula, sob pressão de políticos e interesses poderosos,
tenha escolhido o senador mineiro Hélio Costa para o ministro das
Comunicações. Mera coincidência conveniente?
Ex-discreto jornalista da Voz da América, foi "catapultado" à posição de
correspondente internacional logo nos primeiros anos do Fantástico. Hélio
Costa substituiu a talentosa, porém turbulenta e encrenqueira Cidinha
Campos. Na época, foi retratado pelos nossos humoristas de plantão como
"Nélio de Costas". Aparecia sempre de costas nas entrevistas, mas também
fazia questão de incluir seus próprios "contra-planos" – suas perguntas
frente às câmeras nas reportagens americanas compradas pela Globo.
Bom político, logo se tornou chefe do bureau da Globo em NY. Ficou famoso e
ganhou uma concessão de rádio em Barbacena, sua cidade natal. Sempre com a
ajuda da Globo, foi eleito para diversos cargos políticos. Muito ambicioso,
tentou ser eleito governador de Minas, mas perdeu. Agora, em meio à
derrocada petista, ganhou um lugar ao sol. Discretamente, se tornou Ministro
das Comunicações. Quem sabe, em breve, volte a se candidatar. Com o apoio
dos nossos "radiodifusores", pode ser governador. Com o apoio da Globo,
poder ser o nosso próximo presidente. Depois não digam que eu não avisei.
Hélio Costa sempre foi um fiel defensor dos interesses da Globo e não é a
toa que chegou onde chegou e está onde está nesse exato momento.
Manchetes digitais
As últimas manchetes na imprensa confirmam uma trajetória política bem
planejada. Confirmam uma comunhão de interesses com os radiodifusores
brasileiros em momento estratégico para o futuro da TV brasileira: "Costa
descarta TV Digital brasileira", "TV digital fica sem padrão brasileiro",
"Ministério descarta criação de sistema nacional de TV digital", "Costa: é
impossível criar padrão brasileiro de TV digital", "Hélio Costa diz que
Brasil terá 'modelo' e não 'padrão' próprio para TV digital", "Universidades
pedem a Costa continuidade das pesquisas", "Implantação da TV digital no
Brasil pode levar 10 anos, diz ministro das Comunicações".
Mas a melhor de todas as manchetes foi publicada pelo velho e irreverente
Estadão,
"'Jabuticaba digital' - O Brasil finalmente está desistindo do sistema
próprio de TV Digital, um sonho fora de propósito acalentado até agora pelo
governo Lula, que na prática traria de volta a reserva de mercado, velha de
guerra".
O artigo também analisa o desperdício:
"Perda de tempo e dinheiro
Como tanta coisa no governo Lula, comissões e equipes de trabalho gastaram
horas em discussões para, dois anos e meio depois, concluírem o que já se
sabia: que euforia e delírio só podem ser consumidos no momento adequado e
na dose certa."
A "roda" digital
Mas na hora certa, ou seja, assim que assumiu, Hélio Costa fez questão de
descartar o projeto "brancaleônico" de um padrão de TV digital brasileiro:
"Não vamos reinventar a roda". Para o ministro, o importante é "não deixar
acontecer o que aconteceu com o chamado PAL-M, sistema brasileiro que era
incompatível com o do resto do mundo, causando transtornos aos usuários de
videocassetes (sic)."
Por coincidência, essa também é a posição da Rede Globo. Os engenheiros do
Jardim Botânico não querem nem ouvir falar de um novo sistema que se
assemelhe às aventuras do padrão de cores somente para brasileiros, o Pal-M:
Pal significa o sistema de cor europeu, M... Não precisa traduzir.
Mas alguns leitores podem dizer que tudo isso não passa de mais uma mera
coincidência. Das tantas que têm acontecido no Brasil nos últimos dias. Mas
também pode ser "coisas" de um governo petista em crise que obviamente não
deseja criar novos problemas e incomodar os interesses da Globo. Por
enquanto, em meio a tantas denúncias, um gigante adormecido, mas não menos
"perigoso".
Nesse momento "delicado" do projeto petista, faz-se qualquer negócio para
evitar uma campanha televisiva pelo impeachment – no estilo caras pintadas
globais – e garantir pelo menos a "sobrevivência" do governo até o final do
mandato. - Mas e a reeleição? – Difícil. Quase impossível! Porém, no Brasil,
tudo é possível!
Para sobreviver e pela tal governabilidade, alguns ministérios importantes
foram oferecidos a partidos políticos do resto da base governista. O das
Comunicações, no entanto, ficou com o partido político mais poderoso do
Brasil: o partido da Globo.
Mas o novo ministro é ambicioso, não quer problemas e precisa de aliados.
Esta semana, o ministro global fez questão de explicar seus planos para
milhares de pesquisadores brasileiros que se reuniam em Campinas. Em outros
tempos, proferiu uma "pérola" sobre a educação no Brasil e principalmente em
relação aos professores de jornalismo: "Bem sabemos que quem sabe faz. Quem
não sabe, ensina". (Ver coluna sobre o ensino de jornalismo).
Mas os nossos pesquisadores não podem se dar ao luxo de contrariar ministros
que garantem recursos milionários. Querem continuar a gastar de qualquer
maneira – com ou sem padrão digital brasileiro - cerca de 65 milhões, vou
repetir, 65 milhões das preciosas verbas de um governo em crise. A
explicação é simples. Se não podem mais reinventar a própria roda, querem,
pelo menos, reinventar qualquer coisa: os pneus, as calotas ou até mesmo do
espelhinho retrovisor da "roda" digital brasileira.
A preocupação dos pesquisadores brasileiros é evidente. Não se pode perder
tanto dinheiro – ainda por cima, dinheiro do governo - assim de uma hora
para outra. Com tanto publicitário financiando políticos corruptos, por que
não financiar a reinvenção, quero dizer, a reengenharia de qualquer coisa?
TVs e indústria não bancam a TV digital
Não tenho nada contra a pesquisa de padrões, sistemas, modelos ou qualquer
outra coisa para essa tal TV digital brasileira. Tem muito especialista ou
pesquisador provinciano de universidade pública ou privada desinformado que
nunca saiu do Brasil que não consegue viver sem mais uma "boquinha" do
governo.
A maioria desses pesquisadores depende exclusivamente de verbas públicas.
Não consigo entender por que não conseguem e nem tentam convencer os
principais interessados pela implantação de uma TV digital no Brasil: a
indústria eletrônica e as grandes empresas de radiodifusão brasileiras. São
todas empresas essencialmente comerciais, altamente lucrativas que não
contribuem em nada para a educação ou para a melhoria do povo brasileiro.
Mais uma vez insistem que a viúva tem a obrigação que financiar essa
"aventura" digital.
Insisto: por que tem que ser o governo com o nosso dinheiro e não a
iniciativa privada – os únicos grandes beneficiários da TV digital – a
bancar custos milionários de sua implantação. Televisão no Brasil é um meio
em regime de quase monopólio, controle de informação através de um único
telejornal e dedicado essencialmente ao "entretenimento". Na falta de pão,
um "circo eletrônico" com excesso de baixarias.
E já que estamos em tempos de denúncias, de combate à corrupção, talvez
devêssemos nos perguntar qual o sentido de financiarmos a implantação de uma
TV digital com a mesma programação de sempre? Não acredito que a implantação
da TV digital no Brasil seja mesmo urgente e "inevitável". Mas se for, que
seja bancada pelas empresas que tanto lucram e que só se lembram do governo
em campanhas eleitorais ou em tempos de crise financeira. TV digital no
Brasil não deveria ser bancada pelo povo brasileiro. Já somos contemplados
com uma programação de péssima qualidade, com um excesso de telenovelas e
Ratinhos. Querem gastar milhões para transformar as baixarias analógicas em
baixarias digitais.
Padrão digital
Mas apesar dos argumentos lógicos, em diversas entrevistas, o ministro Hélio
Costa já deu uma dica sobre a sua decisão. Apesar de todos os gastos com
pesquisas em nossas melhores universidades públicas, pelo jeito, a decisão
já foi tomada no Jardim Botânico. Há somente três padrões de TV digitais no
mundo. Costa já descartou o americano. Sobraram dois: o europeu e o japonês.
Durante o último Simpósio Internacional de TV Digital realizado no Rio de
Janeiro no dia 17 de junho, os representantes da Engenharia da Globo
deixaram bem claro, sem meias-palavras, que apoiavam o padrão japonês.
E-diretor da Globo, Hélio Costa assumiu o ministério das Comunicações logo
após. Agora, vocês ainda querem apostar qual será o próximo padrão da TV
digital brasileira? Quem acertar, ganha um mensalão, um jipinho importado ou
pelo menos uma cueca tamanho PT.
A "viúva" banca tudo
Não considero o investimento em TV no Brasil, digital ou analógica, questão
prioritária ou estratégica para o governo. Para qualquer governo. O
investimento para essa transição que muitos consideram inevitável deveria
ser bancado pelos principais interessados: empresas de radiodifusão e
indústria eletrônica. Estratégico e prioritário no Brasil é "comida" e
emprego. Não deveríamos gastar recursos limitadíssimos de um governo à beira
de um ataque de nervos – nosso dinheiro - para facilitar a vida de empresas
privadas milionárias. Querem uma TV digital no Brasil, as nossas TVs, as
mesmas que receberão as concessões que deveriam bancar a sua implantação.
Em outra época, os governos militares gastaram uma fortuna para conceder as
TVs brasileiras e principalmente a Globo, o privilégio duvidoso de criar o
atual sistema de rede, a Embratel. O governo, com o nosso dinheiro, bancou o
sistema de rede que criaria esse mostrengo perigoso: o Jornal Nacional, o
jornal que elege e derruba presidentes.
Anos depois, privatizamos essa mesma rede, a estratégica Embratel, a
qualquer preço para empresas corruptas e falidas americanas. Agora, os tais
"pesquisadores brasileiros" aliados a essas mesmas empresas de radiodifusão
pressionam o ministro global para que o governo banque a implantação da TV
digital. Afinal, bem sabemos que, no Brasil, somente a viúva, o governo,
financia qualquer tipo de pesquisa. Não cobra resultados e mantém sempre os
mesmos privilégios.
Por uma TV "de pés descalços"
Em vez de reinventar a roda, deveríamos investir em pesquisas de conteúdo
televisivo. É muito mais barato e garante empregos para gente talentosa que
sabe fazer televisão. Mas a nossa engenharia de padrões de qualidade e
reservas de mercado, mesmo nas universidades, ainda domina o setor e
concentra todos os recursos. Sonham sempre com projetos mirabolantes e
caros. Reinventam qualquer coisa com a chancela nacionalista. Quem os
critica é imediatamente taxado de agente do imperialismo americano,
"entreguista". Gastam muito em pesquisas caras e inúteis. Não sobra nada
para desenvolver outros projetos menos ambiciosos, porém muito mais efetivos
e revolucionários como a implantação de milhares de TVs comunitárias pela
Internet. Esse tipo de projeto que nos conduziria a uma produção televisiva
mais democrática, diversificada e criativa, uma espécie de "TV de pés
descalços" não interessa aos nossos radiodifusores. Não garante bilhões dos
cofres do governo direto para manter privilégios em mais uma nova aventura
digital.
Futurologia: Nos EUA, Blogs desbancam as TVs – No Brasil, a Globo decide!
Não sou o único que acredita que no poder de uma TVlog, uma TV na Internet.
Esta semana, nos EUA, mega empresas como a Microsoft e a Motorola anunciaram
a extensão de sua parceria para o mercado de IPTV – Internet Protocol TV.
Estão apostando alto num modelo diferenciado de TV que privilegia a
quantidade, a diversidade de conteúdos, com milhões de alternativas de baixo
custo para um novo publico televisivo internético. Para isso, ao contrário
dos nossos pesquisadores com verbas exclusivas do governo e que bancam o
atual modelo de TV brasileiro, essas grandes empresas já trabalham para uma
integração total de seus softwares e hardwares na rede. Sabem que o futuro
da TV, analógica ou digital, está condenado.
Pelo jeito, os responsáveis pela Micrsoft e Motorola andaram prestando
atenção às previsões de um dos mais importantes "futurólogos" americanos da
atualidade, George Gilder. Autor de inúmeros livros sobre o futuro das
mídias, esta semana Gilberto foi o principal palestrante da conferência
AlwaysOn, realizada na Universidade de Stanford. Para espanto de muitos na
platéia e na Internet, fez questão de dizer que "a TV está morrendo
rapidamente, assim como Hollywood. Essas indústrias são alimentadas pela
escassez. Há somente alguns poucos canais disponíveis e a TV foi uma
tecnologia inventada por" tiranos "O atual modelo televisivo é sustentado
pela publicidade, nos anúncios de 30 segundos e esse modelo entrou em
colapso". Gilder tocou na ferida e citou as novas tecnologias que gravam a
programação em uma espécie de computador que elimina os comerciais: "Ninguém
mais vai ter que assistir a comerciais. A não ser que queiram, é claro".
Mas, no final de sua palestra, em um tom otimista, George Gilder, que há
muitos anos anunciou o advento dos "teleputers", híbridos de computadores e
TVs, fez questão de valorizar as tecnologias do passado e do futuro: "A
cultura dos livros e dos blogs podem salvar a nossa civilização".
E no Brasil? Qual será o futuro das nossas TVs? Isso depende. Como sempre,
na última hora, a Globo decide.
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