[radiolivre] Fw: OEA VAI INTERVIR NO BRASIL A RESPEITO DE RADIOS COMUNITARIAS]



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  • To: <3setor@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>, "Carlos R. S. Moreira \( Beto \)" <carlosrsm@xxxxxxxxxxxxx>
  • Date: Sat, 5 Mar 2005 11:49:01 -0300

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BETO e amigos da Lista

Ainda em relação a Rádios Comunitárias, e segundo a mesma fonte AGência Carta 
Maior, a OEA vai interfir na politica de concessão de Rádios Comunitarias no 
Brasil. Vejam o texto abaixo

abraços

Jefferson Mello

Da Agência Carta Maior :: (http://agenciacartamaior.uol.com.br)

Direitos Humanos
 
RÁDIOS COMUNITÁRIAS

OEA constata violações e pede mudanças nas leis brasileiras  

Em audiência realizada esta semana nos EUA, Comissão de Direitos 
Humanos da OEA solicitou ao governo brasileiro que altere a lei que 
regulamenta o funcionamento das emissoras comunitárias no país e que 
este processo seja feito com a participação da sociedade civil.

Bia Barbosa    03/03/2005  


São Paulo - Já foram diversas as declarações de membros do Executivo 
federal que afirmaram que a atual gestão trabalha para o 
fortalecimento das rádios comunitárias no país. Uma delas, recente, 
foi do coordenador de Políticas Digitais do Ministério da Cultura, 
Cláudio Prado, integrante do grupo interministerial criado para 
discutir a questão da radiodifusão comunitária. Após a primeira 
reunião do grupo, realizada no dia 3 de fevereiro, Prado afirmou que 
faz parte da política do governo federal estimular a existência 
dessas rádios. "Politicamente, estamos trabalhando no sentido de que 
rádios comunitárias existam. É desejável, do ponto de vista do 
governo Lula, que existam rádios em profusão, na maior quantidade 
possível. Deve-se estimular isso, deve-se ajudar e fortalecê-las", 
disse. 

Contraditoriamente, a repressão por parte da Polícia Federal e dos 
órgãos de regulação e fiscalização do país às rádios comunitárias - 
que se transformou numa constante durante o governo de Fernando 
Henrique Cardoso - chegou a se intensificar no governo Lula. O 
número de apreensões de equipamento e lacre de emissões teve um 
pico, inclusive, após a instituição do grupo de trabalho 
interministerial do final do ano passado. 

A violência e truculência da repressão ainda em vigor e a falta de 
definição prática por parte do governo Lula sobre o apoio ou o 
combate às emissoras comunitárias levou o Estado brasileiro nesta 
segunda (28) a uma audiência na Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington. 
A reunião foi solicitada pela Associação Mundial de Rádios 
Comunitárias (Amarc) e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos 
(MNDH), que pretendiam apresentar à OEA as violações à liberdade de 
expressão causadas pela contraditória legislação brasileira, 
principalmente no que concerne às rádios comunitárias, e solicitar 
ao governo federal medidas que ponham fim a estas violações. 

Participaram da audiência Eduardo Bertoni, relator da OEA para a 
liberdade de expressão, o comissionado José Zalaquett, Alexandra 
Costa, advogada do Ministério das Comunicações, o advogado argentino 
Damián Loreti, assessor da Amarc América Latina e Caribe e Ivan 
Moraes Filho, do MNDH. As organizações proponentes não tiveram tempo 
de aprofundar a questão da repressão às rádios, mas solicitaram 
formalmente uma mudança na legislação para o setor e a incorporação 
da sociedade civil neste processo. A principal argumentação para o 
pedido de alteração na lei são as contradições entre a própria 
Constituição Federal - que garante a livre expressão da atividade de 
comunicação independentemente de censura ou licença - e as 
limitações impostas às rádios comunitárias, além da violação à 
Convenção Americana, ratificada pelo Brasil, que garante a liberdade 
de expressão. 

"Existem para as emissoras não comerciais discriminações explícitas 
em relação à utilização de monocanal para a totalidade do país, o 
que burla qualquer vocação pluralista em cada área de cobertura. Dos 
duzentos canais que existem para a freqüência modulada, comente um 
se destina à radiodifusão não comercial e, além disso, com um prazo 
de licença várias vezes menor do que para as emissoras comerciais. 
Como se isso não bastasse em termos de discriminação, sua potência é 
sumamente discrepante com sua área de cobertura. A impossibilidade 
de gerar cadeias ou redes ainda as exclui mais, porque não podem 
sequer supor realizar a transmissão de eventos de interesse social. 
Este quadro se agudizar ao se notar que também não podem gerar 
recursos genuínos - já que receberiam sanções por transmitir 
publicidade - e que não possuem nenhum tipo de defesa possível no 
caso de interferências prejudiciais por parte de emissoras 
comerciais", diz o documento entre à OEA.

"Em suma, vemos com preocupação a vigência de normas que colidem 
frontalmente com os parágrafos 1º, 2º e 3º da Convenção Americana de 
Direitos Humanos ao admitir-se expressamente a existência de 
obstáculos à livre circulação de informações ou opiniões, censura e 
restrições prévias de conteúdos e administração arbitrária e ilegal 
das freqüências radioelétricas". 

A advogada do governo Alexandra Costa apresentou uma série de 
números para justificar a demora dos processos de solicitação de 
freqüência e minimizou a responsabilidade do governo federal na 
polêmica das rádios comunitárias por entender que as concessões como 
uma tarefa do Legislativo. Mas reconheceu que a legislação é 
contraditória e limitante. A Comissão da OEA decidiu, então, 
solicitar uma modificação na legislação brasileira para rádios 
comunitárias, reforçando que esta modificação deve ser feita com a 
participação da sociedade civil. 

"Ficamos muito felizes com o resultado da audiência. O mínimo que 
esperávamos era que o governo brasileiro se comprometesse a 
incorporar a sociedade civil nos debates sobre as rádios 
comunitárias. E isso aconteceu", comemora Sofía Hammoe, integrante 
da Amarc Brasil. "Segundo Alexandra, o grupo de trabalho criado pelo 
governo continuará sendo interministerial, mas devem ser criadas 
formas para a participação da sociedade no GT e outro grupo, mais 
amplo, deve ser criado para discutir especificamente as mudanças na 
lei", explica. 

A OEA deu o prazo até julho para que o governo, junto com a 
sociedade, defina as mudanças que devem ser feitas na legislação. E 
determinou que a Comissão Interamericana seja informada sobre o 
andamento deste processo no Brasil. Amarc e MNDH enviarão agora uma 
carta ao governo pedindo informações mais precisas de como este 
debate será conduzido. Há anos as duas organizações, ao lado de 
outras entidades que lutam pela democratização da comunicação no 
Brasil - como a Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão 
Comunitária) - têm organizado audiências junto a órgãos federais e 
participado de reuniões sem que mudanças na política implementada 
pelo governo tenham se concretizado. 

"Há uma contradição entre o que governo faz e fala. Aparecem 
declarações dizendo que o governo quer uma profusão de rádios ao 
mesmo tempo em que continua com um comportamento profundamente 
violento. Se a vontade do governo é trabalhar a questão das rádios 
comunitárias, porque não chamou nenhum dos grupos da sociedade 
civil? O que aconteceu com todo o trabalho do GT de 2003? Foi para o 
lixo? Então uma coisa é falar e outra é fazer. Apesar a criação 
deste grupo interministerial, aproveitamos a oportunidade de 
interlocução internacional para resolver, lá fora, o que não se 
resolve aqui. O diálogo está aberto. Precisamos trabalhar juntos. 
Mas a pressão internacional é muito importante neste sentido", 
conclui Sofia.






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