[radiolivre] Fw: GOVERNO DARÁ TRÉGUA DE SEIS MESES PARA RADIOS COMUNITARIAS]



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  • To: <3setor@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>, "Carlos R. S. Moreira \( Beto \)" <carlosrsm@xxxxxxxxxxxxx>
  • Date: Sat, 5 Mar 2005 11:48:36 -0300

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Beto e amigos da Lista

O Governo federal, ao que tudo indica, deixou cair o "cartão" (antes era a 
ficha), e está sugerindo uma trégua de seis meses no combate as Rádios 
"Piratas".
Veja esta matéria da Agência Carta Maior.

Jéfferson Mello
Taubaté -SP
TV CIDADE

 PROMESSA Governo concede trégua de seis meses a rádios comunitárias Segundo o 
gabinete da Presidência, enquanto os trabalhos do grupo interministerial criado 
para discutir a questão da fiscalização e da outorga para emissoras 
comunitárias não forem concluídos, nenhuma rádio poderá sofrer penalizações, 
muito menos ser fechada pela Polícia Federal a pedido da Anatel. Bia Barbosa    
04/03/2005 

São Paulo - Há 13 anos, a rádio comunitária de Heliópolis, que funciona em uma 
das maiores favelas de São Paulo, presta um importante serviço os moradores 
daquela comunidade. Por suas ondas, a população, além de ouvir música, é 
informada sobre o que de mais relevante acontece no bairro - desde programas no 
posto de saúde até abertura de vagas nas escolas da região - e discute como 
resolver coletivamente os principais problemas de Heliópolis. Hoje, cerca de 
200 pessoas estão envolvidas no funcionamento da rádio, que tem o orgulho de 
poder dizer que realmente funciona dentro dos princípios da radiodifusão 
comunitária. 

Em janeiro deste ano, a Rádio Heliópolis recebeu um comunicado da Anatel 
(Agência Nacional de Telecomunicações) ordenando seu fechamento imediato. A 
ordem, segundo a agência, teria sido originada por uma denúncia anônima de 
interferência indevida em sinal alheio feita seis meses antes. Como todas as 
rádios comunitárias que funcionam atualmente em São Paulo, a Heliópolis não 
possui a concessão do Ministério das Comunicações para operar. O município, na 
verdade, ainda não recebeu do governo federal aquilo que é chamado de "aviso de 
habilitação", e que autoriza as cidades a terem emissoras comunitárias em 
operação. A partir deste aviso de habilitação, as emissoras de cada município 
podem entrar com o pedido de outorga junto ao ministério. Em São Paulo, no 
entanto, alega-se que o estudo técnico que determinaria uma posição no espectro 
eletromagnético para as rádios comunitárias ainda não foi totalmente concluído, 
apesar da espera de anos das comunidades. Enquanto isso não acontecer, o aviso 
de habilitação não pode ser dado. Isso significa que todas as emissoras em 
operação em São Paulo são, oficialmente, consideradas "ilegais", como a 
Heliópolis. 

A notificação da Anatel assustou os moradores do bairro, principalmente aqueles 
envolvidos diretamente com a rádio. "No ano 2000, recebemos uma ameaça anônima, 
de alguém que se identificou como da Polícia Federal, dizendo que era questão 
de honra fechar a rádio. Por medo, tiramos a emissora do ar por cinco dias. A 
carta da Anatel nos assustou, mas pensamos: não estamos matando nem roubando. 
Estamos dando bem-estar à uma população muito carente. Ajudamos o posto de 
saúde a divulgar suas campanhas, ajudamos as escolas a informarem a população 
sobre abertura de vagas, temos um programa de educação sexual pelo rádio. 
Trabalhamos para o nosso país e para o nosso Estado. A gente não se sente 
ilegal. Então decidimos que não sairíamos do ar", conta Geronino Souza, o Gerô, 
um dos coordenadores da rádio. 

Teve início então, a partir de articulações da Mesa de Trabalho da Amarc-SP 
(Associação Mundial de Rádios Comunitárias), uma grande mobilização para evitar 
o fechamento da Rádio Heliópolis. Mobilização que resultou, na última semana, 
numa conquista importante para todas as rádios comunitárias do país. Segundo 
informou Gilberto Carvalho, assessor direto de Lula, o gabinete da Presidência 
da República trabalha com a seguinte orientação: enquanto os trabalhos do grupo 
interministerial criado para discutir a questão das rádios não forem concluído, 
ou seja, enquanto não houver uma regulamentação definitiva para as rádios, as 
ações fiscalizatórias não devem antecipar nenhuma penalização para as emissoras 
comunitárias. Segundo a Presidência, portanto, não caberia essa ação 
fiscalizatória por parte da Anatel na Rádio Heliópolis e em nenhuma outra rádio 
enquanto o grupo interministerial estiver em funcionamento. Como o prazo para a 
conclusão das análises do grupo é de 180 a partir da sua instituição, isso 
significa uma trégua de seis meses para todas as emissoras comunitárias do 
país. 

Instituído em novembro de 2004 e instalado no início de fevereiro para avaliar 
aspectos da fiscalização e da outorga de emissoras comunitárias no Brasil, o 
grupo interministerial tem como um de seus principais desafios encontrar uma 
solução para os mais de sete mil processos de pedido de autorização que estão 
na fila aguardando uma resposta do ministério. O próprio governo afirma que só 
tem condições de analisar 1.500 processos por ano. Dependendo das conclusões do 
grupo, pode ser proposta a alteração da legislação de radiodifusão comunitária 
(lei 9.612/98). Segundo informou o secretário de Comunicação Eletrônica do 
Ministério das Comunicações, Sérgio Diniz, que integra o grupo, a possibilidade 
de mudanças na lei pode aparecer no que se refere à fiscalização e à velocidade 
de outorga das rádios. 

Coordenado pelo Ministério das Comunicações (Sérgio Diniz e Carlos Alberto 
Freire Resende), o grupo conta com a participação de mais sete órgãos do 
governo: Casa Civil (André Barbosa Filho e André Fonseca de Paula Leite), 
Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da 
República (Alexandre Pinheiro de Moraes Rego e Jorge Antônio Menna Duarte), 
Secretaria-Geral da Presidência da República (Silvio dos Santos e Célio Celso 
Cruz Júnior), Assessoria Especial da Presidência da República (Cezar Santos 
Alvarez e Carla Márcia Cecchia Parisi), Ministério da Justiça (Sérgio Torres 
Santos e Marcos Aurélio Pereira de Moura), Ministério da Educação (Tânia Maria 
Maia Magalhães Castro e Denise Frank Paulsen) e Ministério da Cultura (Adair 
Rocha e Alfredo Manevy). 

É a segunda tentativa do governo Lula para solucionar a questão das rádios 
comunitárias no país. Em 2003, outro grupo de trabalho foi instalado pelo 
Ministério das Comunicações para analisar os processos que já se encontravam 
parados. Em caráter consultivo, o grupo deveria contribuir na definição de 
critérios para nortear os processos de solicitação de outorgas e de mecanismos 
para dar mais transparência a esses processos, além de acelerá-los. O relatório 
final do GT de 2003 chegou a apontar alterações na legislação que regulamenta o 
setor. O governo não declarou se pretende levar em conta o relatório do GT 
anterior no decorrer dos trabalhos do grupo recém-instalado. O governo também 
deve promover, no segundo semestre deste ano, uma Conferência Nacional de 
Rádios Comunitárias para, a partir do debate com a sociedade civil, estabelecer 
caminhos para o funcionamento e expansão dessas emissoras no país. 

Sintoma da repressão 
A notificação recebida pela Heliópolis no início do ano não é uma caso isolado 
de repressão a uma rádio comunitária no país. Na mesma época, outras 16 
emissoras foram notificadas em São Paulo, nove no Rio de Janeiro e 16 em Belo 
Horizonte. Na semana passada, por exemplo, uma operação da Polícia Federal com 
24 agentes e 24 técnicos da Anatel fechou oito rádios em Uberaba, no interior 
de Minas Gerais. Foram apreendidos computadores, microfones, CD players, mesas 
e caixas de som. Os responsáveis responderão a processos criminais e, se forem 
condenados, podem cumprir pena de um a dois anos de prisão. A lei que 
criminaliza o trabalho comunitário dessas emissoras data da época da ditadura 
militar e deu bases para que, somente entre 2002 e 2003, 7.612 rádios tenham 
sido fechadas pela Polícia Federal. Do outro lado, num período muito maior - de 
1998 até 2003 - foram licenciadas somente 2.199 emissoras. 

"O que aconteceu com a Rádio Heliópolis não é um movimento isolado. Por isso, a 
vitória que conseguimos para a emissora abre um precedente importante. Com 
isso, as ações em andamento no Rio de Janeiro também foram suspensas. A partir 
do que aconteceu com a Heliópolis, queremos discutir a questão das rádios 
comunitárias como um todo no país. Queremos mostrar para a Anatel e para o 
governo que é possível termos rádios que cumpram seu papel na luta pela 
democratização da comunicação no Brasil", afirma o vereador de São Paulo Chico 
Macena (PT), que participou da mobilização em favor da emissora. 

Neste sábado (27), o 6o Fórum de Avaliação e Planejamento da Rádio Heliópolis 
debateu a decisão da Presidência da República e também o convite, feito pelo 
Ministério das Comunicações, para que uma delegação da emissora vá até Brasília 
nesta sexta-feira (4) encaminhar o processo de regulamentação da rádio. Apesar 
de não concordar com a legislação vigente para o setor, a Rádio Heliópolis deve 
agora adequar seu funcionamento aos parâmetros estabelecidos pela lei. Isso 
significará diminuir sua potência de transmissão de 50W para 25W. 

"Para melhorar esta lei, vamos ter que cumpri-la antes e depois fazer uma 
mobilização grande com todas as rádios do país. A gente sabe que ela é ruim, 
mas vamos tentar resolver isso e depois mudar. Nossa luta é para todas as 
rádios comunitárias", diz Gerô. 

* com informações do Boletim Prometheus. 

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