[radiolivre] Deputado defende as rádios livres
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- Date: Fri, 21 Nov 2003 08:16:03 -0200
Pronunciamento do deputado federal EDSON DUARTE (PV-BA)
"Rádios livres"
Senhor Presidente
Senhoras e senhores deputados
Neste momento está acontecendo em Campinas, São Paulo, o Encontro nacional das
rádios livres. Centenas de pessoas de todo Brasil estão reunidas para debater
novos caminhos para uma forma de comunicação que é, essencialmente, o exercício
da liberdade humana.
O evento acontece em Campinas, aonde há 12 anos funciona a Rádio Muda, uma
rádio livre instalada no campus da Universidade de Campinas. Esta emissora é
comandada por mais de 100 pessoas que, numa gestão coletiva, organizada,
democrática, mostram a diversidade cultural do país, através de funcionários,
estudantes, moradores das redondezas. É uma rádio que provoca o pensar, a
reflexão, com debates, entrevistas, música de todo tipo, priorizando o que é de
qualidade.
Como a Muda, há outras emissoras livres de qualidade neste país. Ela é somente
um dos exemplos neste universo em que a falta de uma autorização oficial para
funcionar as torna falso-marginais. São falsos-marginais porque, embora
perseguidos como marginais pela polícia e pela Anatel, cumprem um papel
importante na comunidade. As rádios livres se inserem naquilo que o poeta já
cantou: "alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial". A nova
ordem mundial é a da guerra, da ALCA, do FMI, do poder militar passando por
cima do respeito às diferenças. A que queremos é a da esperança, do acesso à
comunicação, da melhor distribuição de renda. É preciso organizar para
desorganizar, como dizia Chico Science.
O rádio chegou ao Brasil em 1922. O presidente da República na época distribuiu
aparelhos com os amigos, que assim tiveram o privilégio de usufruir do novo
veículo. De lá para cá as concessões do espaço eletromagnético ? que pertence
ao povo brasileiro - foram distribuídas com os amigos do Poder de plantão. As
rádios livres surgiram no Brasil nos idos de 1930, construídas e operadas por
aqueles que acreditavam que a radiodifusão era um direito do povo e não de uns
poucos privilegiados. Das rádios livres nasceram as comunitárias.
Quando veio o golpe militar, as rádios livres representaram uma trincheira de
luta contra o Poder instituído. E os militares responderam prendendo,
torturando, impondo uma nova lei. Ao Código Brasileiro de Telecomunicações, Lei
4117/62, acrescentaram, por Decreto, o artigo 70, estabelecendo pena de prisão
para quem operasse emissora sem autorização oficial.
Infelizmente até hoje está valendo esta herança do governo militar. E rádios
livres e comunitárias estão sendo tratadas como perigosos para a ordem
nacional. As pessoas estão sendo algemadas, presas, constrangidas pela Polícia
Federal e Anatel, como se fossem marginais da mais alta periculosidade. Agentes
da PF invadem residências e salas, estúdios, armados com fuzis e metralhadoras
como se houvesse algo de perigoso para a comunidade a operação de rádio livre
ou comunitária.
De nossa parte, através de projeto, tentamos revogar este artigo da Lei
4117/62. Mas não vemos sensibilidade nesta Casa.
Lutamos pela democratização dos meios de comunicação. Por isso inserimos as
rádios livres nessa luta. Estamos falando de liberdade, e de liberdade na
comunicação. Por isso saúdo em especial os jovens que, neste momento, estão
participando deste importante encontro. As rádios livres e as comunitárias
representam um marco importante na construção de um novo modelo de comunicação
para o país.
Obrigado
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